domingo, 6 de outubro de 2024

Analisando Discografias - Cannibal Corpse (RA: L)

                 

Tomb Of The Mutilated – Cannibal Corpse





















NOTA: 9,4/10


Pouco tempo depois, a banda retorna com seu 3º álbum, o Tomb Of The Mutilated, e eles acertaram em tudo. Após o Butchered at Birth, que, apesar de ser um trabalho bem ruinzinho, trouxe notoriedade pela capa violenta e pelo conteúdo lírico extremo, o que chamou a atenção de críticos, fãs de metal e censores. Esse crescimento na popularidade preparou o terreno para um novo álbum que se destacaria por intensificar ainda mais as características do som da banda. A produção contou com o mesmo produtor de sempre, e o álbum segue a tradição de uma sonoridade crua, brutal e técnica, só que desta vez ficou limpa o suficiente para que a precisão técnica dos músicos fosse evidente, mas, ao mesmo tempo, preserva a atmosfera sombria e brutal que o Cannibal Corpse buscava. Além disso, os vocais de Chris Barnes são cheios de grunhidos que, de certo modo, são quase inaudíveis, mas funcionaram muito bem, e os riffs de Jack Owen e Bob Rusay são cheios de energia. O repertório é completamente incrível, começando com as sensacionais Hammer Smashed Face e I Cum Blood, que são carregadas de brutalidade, além de outras canções como Split Wide Open, Entrails Ripped From a Virgin’s Cunt e Post Mortal Ejaculation, que são extremamente pesadas (e sim, os títulos dessas músicas são totalmente ridículos, mas era o que eles inventavam, né). Enfim, esse álbum é um clássico do Death Metal e um dos melhores trabalhos da banda.

The Bleeding – Cannibal Corpse 





















NOTA: 9,1/10


Dois anos se passam, e o Cannibal Corpse lança mais um novo trabalho, o The Bleeding, que é um pouco diferente. Esse álbum trouxe uma evolução significativa em termos de composição e estrutura musical, diferentemente dos álbuns anteriores, que eram mais focados na brutalidade extrema. Além disso, o baixista Alex Webster e o guitarrista Jack Owen começaram a se destacar mais como os principais compositores, o que influenciou uma direção muito mais técnica e madura para a banda. A produção foi feita, mais uma vez, por Scott Burns, e a gravação foi realizada novamente no famoso Morrisound Recording, na Flórida, conhecido por ser o epicentro da cena do Death Metal no início dos anos 90. O que eles conseguiram foi uma sonoridade mais clara e definida, com um som mais polido e equilibrado, destacando os elementos técnicos da banda sem sacrificar a agressividade. As guitarras têm uma tonalidade mais nítida, e os vocais de Barnes, apesar de ainda brutais, apresentam mais variação de entonação, mostrando até uma certa evolução. O repertório é excelente, com muitas canções interessantes como Pulverized, She Was Asking For It e Forced Fed Broken Glass, que mantêm aquela brutalidade característica. No entanto, as melhores são Fucked With A Knife, Stripped, Raped and Strangled, e a faixa-título, que são verdadeiros socos na cara. No final das contas, é um álbum espetacular que marcou a ótima fase pela qual a banda passava.

Vile – Cannibal Corpse 





















NOTA: 8,8/10


O tempo se passa, e a banda retorna com algumas mudanças, lançando o seu 5º álbum, o Vile. Depois de The Bleeding, o vocalista Chris Barnes saiu para se dedicar ao seu projeto paralelo o Six Feet Under, e no seu lugar entrou George Fisher, que todo mundo conhece pelo clássico apelido "Corpsegrinder". Essa mudança fez com que esse álbum introduzisse um novo estilo vocal com Fisher, que trouxe uma abordagem mais técnica e versátil aos vocais. Embora inicialmente esse trabalho tenha sido planejado para ser o último álbum com Barnes, a entrada do Corpsegrinder revitalizou a banda. A produção foi a mesma de sempre, trazendo uma sonoridade limpa e polida para os padrões do Death Metal da época, mantendo a tradição dos álbuns anteriores, mas elevando o nível de clareza e definição dos instrumentos. Os riffs das guitarras estão mais nítidos, e o baixo de Alex Webster tem uma presença mais destacada, reforçando a complexidade das linhas de baixo, algo que sempre foi uma marca do Cannibal Corpse. Além disso, as baterias de Paul Mazurkiewicz soam precisas e impactantes. O repertório é excelente, e as canções ficaram mais estruturadas, como Perverse Suffering e Eaten from Inside, além de outras que são extremamente agressivas e ficaram excelentes, como Devoured by Vermin e Bloodlands. No fim, é um ótimo trabalho da banda, e mesmo com a troca de vocalista, tudo segue da mesma forma.

Gallery Of Suicide – Cannibal Corpse





















NOTA: 9,2/10

Mais um tempo se passa, e o Cannibal Corpse lança mais um trabalho incrível, o Gallery of Suicide. Após o Vile, que teve uma ótima recepção com o novo vocalista George Fisher, a banda se estabilizou com Corpsegrinder nos vocais e trouxe um novo guitarrista, Pat O'Brien (ex-Nevermore), que se juntou à formação após a saída de Rob Barrett. Esse álbum é muito mais atmosférico e diversificado, explorando uma variedade maior de tempos e estilos. A produção foi feita por Jim Morris, que trabalhou nos últimos álbuns do Death, e ele trouxe uma produção menos polida e um pouco mais crua em comparação com o anterior, o que dá uma diferença sutil na forma como os instrumentos foram gravados e mixados, com uma sensação um pouco mais orgânica e menos comprimida. O som das guitarras é mais cortante, especialmente o de O'Brien, cujos riffs são totalmente complexos, enquanto o baixo de Alex Webster permanece proeminente, oferecendo texturas que complementam a atmosfera sombria do álbum. O repertório é espetacular, e todas as canções exalam muita agressividade, como as três primeiras faixas: I Will Kill You, Disposal of the Body e Sentenced to Burn, que são sensacionais, depois tem uma outra também que é Chambers of Blood, fora as outras canções como a faixa instrumental From Skin to Liquid, além de Centuries of Torment. Enfim, é mais um trabalho excelente da banda e totalmente pesado.

Bloodthirst – Cannibal Corpse 





















NOTA: 8,5/10


Logo depois, eles lançam Bloodthirst, que é quase uma continuação do álbum anterior. Esse disco traz uma continuidade na direção musical mais técnica e coesa que a banda vinha explorando desde a entrada de Corpsegrinder nos vocais e do guitarrista Pat O'Brien. Após os experimentos atmosféricos e melódicos de Gallery of Suicide, esse novo trabalho retorna a um foco mais direto e brutal, além de mostrar um amadurecimento à medida que a banda explora ainda mais as complexidades do Technical Death Metal. A produção ficou a cargo de Colin Richardson, um renomado produtor britânico, que trouxe um som polido, agressivo e preciso, dando uma nova dimensão ao som da banda, destacando a clareza e a nitidez dos instrumentos sem perder a crueza e brutalidade características. As guitarras de Jack Owen e Pat O'Brien são afiadas e articuladas, com os riffs e solos ganhando mais destaque graças à produção clara. A bateria de Paul Mazurkiewicz está pesada e definida, enquanto o baixo de Alex Webster tem uma presença poderosa. O repertório é muito interessante, com muitas canções que seguem por um lado mais versátil, como Dead Human Collection, Ecstasy in Decay e Condemned to Agony, enquanto outras assumem um lado mais técnico e sombrio, como Unleashing the Bloodthirsty e Hacksaw Decapitation, que ficaram excepcionais. No final de tudo, é um disco muito bom, mostrando a banda totalmente afiada.

Gore Obsessed – Cannibal Corpse 





















NOTA: 8,7/10


Depois de um intervalo de três anos, em 2002, o Cannibal Corpse lança mais um trabalho, Gore Obsessed. Após o Bloodthirst, a banda continuou sua trajetória de brutalidade musical e exploração de temas gráficos, com letras centradas em violência, gore e horror corporal. Esse disco mantém a intensidade dos lançamentos anteriores, mas com uma abordagem mais crua e direta, voltada para o lado mais visceral e menos técnico do Death Metal. Dessa vez, a produção ficou a cargo de Neil Kernon, conhecido por seu trabalho com outras bandas de Metal extremo. Ele trouxe uma produção mais crua, especialmente em comparação com o álbum anterior. Além disso, toda essa sonoridade brutal é resultado do peso das guitarras de Pat O’Brien e Jack Owen, com riffs densos e solos afiados, enquanto o baixo de Alex Webster tem uma presença robusta, e a bateria de Paul Mazurkiewicz é totalmente precisa, com uma produção que permite sentir a força de cada batida. E, é claro, o vocal do Corpsegrinder é completamente intenso. O fato é que tudo funcionou bem. O repertório é muito bom, e as canções são completamente agressivas, como Dormant Bodies Bursting, Mutation of the Cadaver e a estranha Drowning in Viscera. Além disso, há outras que são verdadeiras tijoladas, como Hatchet to the Head, Pit of Zombies e Hung and Bled, que têm muitos riffs marcantes. Enfim, é mais um trabalho muito legal da banda e que, de certo modo, é bem moderado.

The Wretched Spawn – Cannibal Corpse 





















NOTA: 9,3/10


Mais dois anos se passam, e o Cannibal Corpse retorna com outro trabalho magnífico, o The Wretched Spawn. Este álbum segue a linha brutal e sanguinária do grupo, mantendo o estilo agressivo e gráfico que consolidou a banda como uma das maiores no gênero. A banda já era famosa por letras grotescas e uma execução técnica complexa, e este álbum não foge à regra, apresentando tanto o amadurecimento da formação quanto uma continuidade de seu som visceral, algo evidente também na capa deste disco. A produção ficou a cargo de Neil Kernon, que já havia trabalhado com nomes como Nile e Deicide. A sonoridade é mais uma vez marcada por uma clareza brutal que destaca os riffs esmagadores de guitarra, a bateria ultrarrápida de Paul Mazurkiewicz e os vocais guturais de George "Corpsegrinder" Fisher. Outra coisa notável é que a mixagem foi muito trabalhada, já que cada instrumento tem o seu destaque, ao mesmo tempo em que a energia crua da banda é mantida. Isso porque eles queriam fazer um trabalho carregado de brutalidade, assim como foi em Gallery of Suicide. O repertório ficou excelente, e desde o início as canções são superpesadas, como é o caso de Severed Head Stoning, Decency Defied, Frantic Disembowelment e Blunt Force Castration, todas elas sensacionais e muito técnicas, além, claro, de outras como The Wretched Spawn e Bent Backwards and Broken. No final de tudo, é um disco excepcional e cheio de precisão.

Kill – Cannibal Corpse 





















NOTA: 8,5/10


Depois de mais um intervalo, a banda lança seu 10º álbum, intitulado Kill, e, sim, dessa vez a capa não é sangrenta e muito menos grotesca. Este novo trabalho marca algumas mudanças, como, por exemplo, a continuidade do vínculo com a gravadora Metal Blade. Além disso, ocorreu a saída do guitarrista Jack Owen, e Pat O'Brien assumiu mais responsabilidades na composição ao lado de Alex Webster, o que resultou em um som mais refinado e técnico. No lugar de Owen, eles trouxeram de volta o Rob Barrett. A produção foi feita pelo renomadíssimo Erik Rutan, ex-membro do Morbid Angel e líder do Hate Eternal, que trouxe uma abordagem mais crua e direta, enquanto ainda preservava a clareza dos instrumentos. O trabalho dele acentuou a brutalidade do som da banda, mas também deu espaço para que a técnica dos músicos se destacasse. As guitarras soam afiadas, o baixo de Alex Webster é poderoso e definido, e a bateria de Paul Mazurkiewicz está mais rápida e precisa do que nunca. O repertório é muito bom, e as faixas iniciais exalam brutalidade, como The Time to Kill Is Now e Make Them Suffer, que são espetaculares, além de outras como Five Nails Through the Neck, Maniacal e Death Walking Terror, que têm riffs inacreditáveis. No entanto, eles erraram em apenas uma música: Brain Removal Device, onde a composição deixou a desejar. Enfim, esse trabalho é excelente e um dos mais interessantes da banda.

Evisceration Plague – Cannibal Corpse  





















NOTA: 8,8/10


No início de 2009, o Cannibal Corpse lança o Evisceration Plague, que é basicamente uma continuação do seu antecessor. Após o Kill, a banda reafirmou sua posição como uma das mais consistentes e influentes do Death Metal. Este álbum trouxe uma continuidade natural da sonoridade técnica e brutal que os caracteriza, com uma produção mais refinada e um enfoque maior na precisão instrumental. Alex Webster e Pat O’Brien decidiram fazer composições que refletissem a maturidade musical da banda. A produção novamente contou com Erik Rutan, e ele conseguiu extrair o melhor dos integrantes, criando um som extremamente poderoso. A qualidade da produção se deve ao equilíbrio entre os instrumentos. Cada elemento, desde o baixo pesado e intrincado de Webster até os riffs cortantes de O’Brien e Rob Barrett, é cristalino, mas sem perder o peso característico deles. A bateria de Paul Mazurkiewicz soa mais precisa e implacável do que nunca, e os vocais do Corpsegrinder são totalmente ferozes. O repertório, mais uma vez, é muito bom e tem muitas canções interessantes, como Priests of Sodom, Beheading and Burning e Shatter Their Bones, que alternam entre agressividade e técnica. No entanto, as músicas que mais se destacam são Evidence in the Furnace e a faixa-título, que, apesar de serem mais atmosféricas, têm muita envolvência em seus riffs pesadíssimos. No fim, apesar de ser uma continuação de seu antecessor, é um trabalho bacana e até melhorado.

Torture – Cannibal Corpse 





















NOTA: 6/10


Aí chega 2012, e após muito tempo, a banda lança o Torture, que tinha tudo para ser um álbum incrível, mas não foi o que aconteceu. Após o sucesso do Evisceration Plague, o Cannibal Corpse continuou sua trajetória com Erik Rutan na produção. Dessa vez, eles queriam equilibrar a agressividade visceral e a técnica refinada que a banda vinha aprimorando ao longo dos anos. Com isso, o Cannibal Corpse buscou manter sua essência enquanto apresentava composições ainda mais sólidas e uma dinâmica afiada. A produção foi praticamente a mesma, porém trazia um lado mais detalhado, com cada instrumento capturado com clareza, sem sacrificar o impacto brutal que caracteriza o som deles. O trabalho de Rutan permitiu que a intensidade das composições fosse ouvida em sua totalidade, desde os riffs complexos de Pat O’Brien e Rob Barrett até o baixo intrincado de Alex Webster. Porém, o maior erro foi fazer canções que não combinavam nem um pouco com os temas propostos, tipo alguns arranjos são legais, mas ficaram totalmente mal explorados. O repertório até que é interessante no início, com Demented Aggression e as fantásticas Sarcophagic Frenzy e Scourge of Iron, mas depois vem um monte de canções genéricas e sem emoção, como Intestinal Crank e Crucifier Avenged. As únicas exceções ficam por conta de Torn Through e Followed Home Then Killed, que são totalmente coesas. Enfim, esse trabalho é mediano e representa um tropeço bobo da banda.
    

terça-feira, 1 de outubro de 2024

Analisando Discografias - Síntese, Death e Cannibal Corpse (RA: XLIX)

                 

Ambrosia – Síntese





















NOTA: 6,3/10


O tempo passou e, perto do fim daquele complicado ano de 2020, saiu mais um trabalho do Síntese, o Ambrosia. Depois do último lançamento, Neto, além de fazer muitos shows, participou de vários trabalhos de outros rappers, como, por exemplo, a cypher Poetas no Topo 3.2 da Pineapple. Após tudo isso, uma boa notícia surgiu, pois Léo já estava melhor e retornou ao Síntese, formando novamente a dupla como foi no disco de estreia, que juntos traziam uma visão de mundo muito particular, alimentada por suas experiências pessoais e uma constante busca por respostas. Esse álbum contou com vários produtores, além do próprio Neto, e, como sempre, manteve aquela estética minimalista e introspectiva, característica da dupla, misturando ainda mais beats de Jazz e R&B, criando uma atmosfera meditativa que valoriza as letras poéticas de Neto e Léo. O problema, no entanto, é que, por ter muita gente colaborando, a sonoridade em si ficou confusa, pois parece que cada produtor fez uma música diferente, e na seguinte já era outro, o que faz com que as linhas instrumentais de cada canção não combinem entre si. O repertório, no início, é muito interessante por conta das canções Lei dos Céus e as sensacionais Salmo Perdido e Da Sul pra Leste, mas logo depois vêm várias canções chatas como Maçãs, Porta dos Cães, A Rua Sabe e várias outras. Algumas exceções vão para Medalhão e MMXX. Enfim, esse trabalho é muito mediano; parece que faltou clareza em toda sua concepção.

Scream Bloody Gore – Death 





















NOTA: 9,7/10


Agora falando sobre o clássico álbum de estreia da banda Death, o Scream Bloody Gore, que fez um verdadeiro barulho na cena do Metal. Fundada por Chuck Schuldiner em 1983, a banda começou sob o nome de Mantas, mas logo se tornou Death, um nome que resumia a temática lírica e estética da banda. No início, Death era profundamente influenciada pelas bandas Nasty Savage, Slayer e Venom, que já abordavam temas sombrios e violentos. No entanto, Chuck queria ir além e empurrar os limites para algo ainda mais agressivo. Logo após, ele chamou um baterista para integrar a banda, o jovem Chris Reifert. A produção foi feita por Randy Burns com a ajuda de Chuck, tendo uma abordagem crua e visceral, refletindo a natureza brutal e sem polimento do que se chamaria de Death Metal. Chuck Schuldiner tocou tanto guitarra quanto baixo no álbum, pois a falta de uma banda completa fez com que o vocalista assumisse boa parte da responsabilidade pela criação do disco. O som é caracterizado por guitarras distorcidas e pesadas, batidas rápidas e vocais guturais, que na época eram extremamente inovadores. O repertório é fantástico, e todas as canções são um verdadeiro soco na cara, como Infernal Death, Zombie Ritual, Sacrificial, Torn to Pieces, Evil Dead e Regurgitated Guts, além das outras. Sim, parece que o nome dessas músicas saiu de um filme de terror, pois é a inspiração foi essa. Enfim, esse disco é um verdadeiro clássico do gênero e mostrava o talento de Chuck.

Leprosy – Death 





















NOTA: 9,1/10


Um ano se passa, e é lançado o 2º álbum do Death, o Leprosy, que também é completamente sensacional. Após o Scream Bloody Gore, o Death se tornou rapidamente um nome de referência no underground do Metal extremo. O sucesso do álbum fez com que Chuck Schuldiner começasse a trabalhar em um material novo, querendo expandir o som da banda. Durante o período entre o primeiro e o segundo álbum, Chuck recrutou uma formação mais sólida, com Rick Rozz na guitarra, Terry Butler no baixo e Bill Andrews na bateria, o que permitiu uma maior coesão na criação das músicas. A produção foi bem diferente, já que desta vez foi gravada na Flórida, em vez de Los Angeles, com a produção de Dan Johnson e Scott Burns trabalhando como engenheiro de som, que mais tarde se tornaria uma figura icônica na produção dos álbuns de Death Metal. A produção trouxe uma clareza que o anterior não tinha, sem perder a agressividade e intensidade características da banda. As guitarras são mais pesadas, os vocais mais definidos, e a bateria tem uma presença mais marcante, com mais foco nas variações rítmicas e nos blast beats. O repertório, novamente, é fantástico e cheio de canções superpesadas, como a faixa-título, Left to Die e Pull the Plug, além de outras cheias de brutalidade e técnica, como Born Dead e Choke on It. No fim, é um álbum sensacional e, junto com seu antecessor, é uma verdadeira obra-prima do Death Metal.

Spiritual Healing – Death





















NOTA: 8,6/10


Era começo dos anos 90, e já em fevereiro de 1990 a banda lança mais um novo trabalho, o Spiritual Healing. Depois do Leprosy, o Death já era uma das principais bandas do Death Metal. No entanto, Chuck Schuldiner estava evoluindo como músico e compositor, começando a explorar temas mais complexos. Ele se afastou dos temas de violência grotesca e terror dos dois primeiros álbuns, focando em temas de horror cotidiano, incluindo assassinos em série, dependência de drogas e reconstrução genética, que foi influenciado por um programa de TV da emissora americana ABC. A banda continuou com a mesma formação, mas contando com o guitarrista James Murphy (e vão se acostumando, pois eles sempre trocam de guitarrista). A produção foi feita por Chuck Schuldiner, junto com Eric Greif e, mais uma vez, com Scott Burns. A sonoridade é muito mais refinada e polida, permitindo uma maior clareza nas camadas instrumentais, especialmente nas guitarras. A produção é mais técnica, e os arranjos são mais elaborados, refletindo o avanço técnico da banda, o que permitiu solos mais complexos de Chuck e Murphy, sem perder a essência. O repertório é muito bom, com canções melódicas e com temas precisos, como Living Monstrosity, Defensive Personalities e Low Life, além da excelente agressividade contida em Genetic Reconstruction e, claro, na faixa-título. No final de tudo, é um ótimo trabalho da banda, que seguiu por um caminho mais técnico, e que funcionou.

Human – Death 





















NOTA: 8,8/10


Pouco tempo depois, a banda retorna com mais um álbum intitulado o Human, que vinha ainda mais técnico. Após os três primeiros discos do Death terem ajudado a moldar o Death Metal como um subgênero, Chuck Schuldiner ainda continuava insatisfeito com o direcionamento criativo das obras anteriores e procurava expandir o som da banda. Além disso, ele começou a trabalhar com músicos de estúdio e ao vivo, devido a relacionamentos ruins com a seção rítmica e aos guitarristas anteriores. Então, todo mundo que estava na banda vazou, e entraram no lugar o guitarrista Paul Masvidal e o baterista Sean Reinert, ambos da banda Cynic, e o baixista Steve DiGiorgio, com sua brilhante habilidade no fretless bass. A produção foi totalmente conduzida por Scott Burns, e eles gravaram no lendário Morrisound Recording. O álbum se beneficiou de uma produção clara e nítida, o que permitiu que os arranjos complexos, com uma técnica refinadíssima, se destacassem. Além disso, aquela sonoridade, com guitarras afiadas, bateria precisa e dinâmica, além de um baixo fretless, deixou tudo bem sofisticado. O repertório é ótimo, e as canções são todas técnicas, porém cruas, como as sensacionais Flattening of Emotions, Secret Face e See Through Dreams, além de terem faixas mais progressivas como Lack of Comprehension e a faixa instrumental Cosmic Sea. Toda essa técnica experimental faz sim esse trabalho ser de Metal progressivo. No fim, é mais um disco muito bom que amplificou ainda mais aquela cena.

Individual Thought Patterns – Death 





















NOTA: 10/10


Após um intervalo de dois anos, é lançada uma das maiores obras-primas do Death Metal, o clássico Individual Thought Patterns. Após o último álbum ter trazido uma transição para um estilo mais técnico e progressivo, que se distanciou daquele lado mais tradicional, este álbum dá continuidade a essa evolução. Lançado em uma época em que Chuck Schuldiner buscava explorar ainda mais a sofisticação musical, ele reuniu músicos de altíssimo calibre para esse projeto, ou seja, houve mais uma troca de integrantes, chegando o baterista Gene Hoglan, do Dark Angel, e o baixista Steve DiGiorgio, do Sadus, que contribuíram significativamente para a complexidade do som da banda. A produção foi conduzida novamente por Scott Burns, que desta vez explorou uma abordagem mais refinada e detalhada. A instrumentação é totalmente técnica, especialmente o baixo fretless de Steve DiGiorgio, com linhas de baixo intrincadas e audíveis, algo raro no Death Metal tradicional. A bateria de Hoglan é poderosa e precisa, e o estilo de guitarra de Chuck, caracterizado por riffs complexos e solos melódicos, é perfeitamente capturado. O repertório é sensacional, sendo praticamente uma coletânea, todas as canções são pesadas e cheias de experimentalismo, como Overactive Imagination, Jealousy, Trapped In A Corner, Destiny e The Philosopher. Sério, tudo aqui é perfeito. Enfim, esse disco é sensacional, totalmente pesado e eleva o subgênero Technical Death Metal a outro nível.

Symbolic – Death 





















NOTA: 10/10


Mais dois anos depois, o Death lança mais um álbum magnífico, o Symbolic, que seguia a mesma fórmula do anterior. Após o lançamento do maravilhoso Individual Thought Patterns, a expectativa em torno de um novo álbum era alta. Chuck continuava sua busca por uma sonoridade cada vez mais refinada, explorando temas filosóficos, emocionais e existenciais em suas letras. A formação contou novamente com Gene Hoglan na bateria, e trouxe Bobby Koelble na guitarra e Kelly Conlon no baixo. Além disso, a banda trocou de gravadora, saindo da Relativity e indo para a Roadrunner, e aí eles foram fazer um dos discos mais completos de Death Metal. A produção contou dessa vez com Jim Morris, que potencializou uma sonoridade cristalina e poderosa. Diferentemente daquela forma mais tradicional, onde o baixo muitas vezes é enterrado sob camadas de distorção, aqui cada instrumento é audível. As guitarras são afiadas e precisas, enquanto a bateria de Hoglan soa massiva e intricada, mantendo uma base sólida e com arranjos complexos. Tudo isso aqui, além de cru, é melódico e cheio de refinamento em seus riffs. E mais uma vez o repertório é espetacular, e todas as canções são completamente incríveis, desde as mais pesadas como Zero Tolerance e a faixa-título, às melódicas como Perennial Quest e, claro, Crystal Mountain, que é uma verdadeira aula de Technical Death Metal. No fim, esse disco é mais um clássico da banda, sendo uma obra-prima assim como seu antecessor.

The Sound Of Perseverance – Death 





















NOTA: 9/10


E aí chegamos ao último álbum da banda, lançado em 1998, o interessantíssimo The Sound of Perseverance. Após ter lançado dois álbuns atemporais, Chuck Schuldiner acabou terminando o vínculo do Death com a gravadora Roadrunner e passou a se concentrar em sua nova banda, a Control Denied. Pensando em tudo que ele fez nos últimos trabalhos, ele decidiu experimentar tudo que tinha sido desenvolvido. E, pela última vez, houve troca de integrantes com o guitarrista Shannon Hamm, o baterista Richard Christy e o baixista Scott Clendenin, e por fim eles lançaram esse álbum pelo selo da Nuclear Blast. A produção contou, mais uma vez, com Jim Morris, que trouxe novamente uma clareza e precisão que permitiu detalhes técnicos e complexos. Tudo isso integrando uma sonoridade que se enquadrava no Technical Death Metal com Metal Progressivo. O repertório é ótimo, e as canções são cheias de poder, como as sensacionais Spirit Crusher, Story to Tell, a brilhante faixa instrumental quase acústica Voice of the Soul e o excelente cover de Painkiller, do Judas Priest. Mesmo assim, erraram em duas canções que são muito enfadonhas: Bite the Pain e To Forgive is to Suffer. Após isso, Chuck focou em fazer o primeiro álbum do Control Denied, mas, quando terminou de gravá-lo, foi diagnosticado com câncer cerebral. Em 2001, ao contrair pneumonia, ele acabou falecendo. Enfim, apesar disso, o último álbum do Death é excelente, embora não seja um clássico.

Eaten Black To Life – Cannibal Corpse  





















NOTA: 6,7/10


Na mesma época do sucesso do Death, outra banda surgia em uma linha quase semelhante: o Cannibal Corpse, com seu álbum de estreia o Eaten Back to Life. Formada em Buffalo, Nova York, em 1988, a banda era composta pelo vocalista Chris Barnes, Jack Owen e Bob Rusay nas guitarras, baixista Alex Webster e Paul Mazurkiewicz na bateria, que anteriormente eram membros de bandas que haviam se dissolvido recentemente. Na época, a banda estava dando seus primeiros passos em uma cena ainda em formação, que ganhava força com influências de gêneros como o Thrash Metal e de outras bandas como o próprio Death e Possessed, que ajudaram a formar o Death Metal. A temática brutal, com letras gráficas e macabras, fez com que o Cannibal Corpse se destacasse e gerasse polêmica desde o início de sua carreira. A produção do álbum ficou a cargo de Scott Burns, o lendário produtor daquela cena em ascensão, que capturou uma sonoridade crua e feroz, típica da época e do estilo que o Cannibal Corpse ajudava a moldar. Só que o problema é que o álbum é totalmente mal mixado e os ritmos sonoros são genéricos até demais. O repertório é até interessante, com músicas cheias de brutalidade como Put them to Death, A Skull Full of Maggots e a sensacional Born in a Casket, mas há canções bastante tediosas como Mangled e Bloody Chunks. No fim, esse disco de estreia é bem mediano, faltou muita coesão nele.

Buchered At Birth – Cannibal Corpse 





















NOTA: 4/10


No ano seguinte, o Cannibal Corpse retorna com mais um álbum, porém bem problemático, o Butchered at Birth. Após o relativo impacto de sua estreia, o Cannibal Corpse rapidamente se consolidou como uma das bandas mais extremas do Death Metal, tanto pela sonoridade quanto por suas letras extremamente gráficas. No entanto, a banda sabia que precisaria ir além para se destacar naquela cena e também fazer um bom trabalho. Com esse novo álbum, eles decidiram dobrar a violência sonora e lírica, mas também refinaram seu estilo, tornando-se ainda mais brutais. O álbum foi envolto em controvérsia logo no lançamento, devido à capa altamente perturbadora e às letras violentas, que levaram à proibição do álbum em diversos países, incluindo a Alemanha. A produção contou mais uma vez com Scott Burns, que buscou trazer uma sonoridade mais densa e suja. O som das guitarras ficou mais distorcido, enquanto o vocal de Chris Barnes também mudou significativamente em comparação ao álbum anterior, introduzindo um estilo de vocal mais profundo e gutural. Porém, mais uma vez, eles erram na mixagem, e o som acabou ficando muito parecido com o do Possessed. O repertório, desta vez, é bem fraco, com muitas músicas sem graça, como Meathook Sodomy, Covered With Sores e Innards Decay. As únicas exceções são a faixa-título e Under the Rotted Flesh, que são bem imersivas. Enfim, esse trabalho é bem fraco, mas a banda sabia que as coisas iriam mudar a favor deles.
  

Por hoje é só, um abraço e flw!!!

Analisando Discografias - Anthrax, Bloodywood e Síntese (RA: XLVIII)

                 

Stomp 442 – Anthrax





















NOTA: 4/10


Mais um tempo se passou, e o Anthrax retornou com o não tão memorável e confuso Stomp 442. Após o Sound of White Noise, o guitarrista Dan Spitz acabou deixando a banda para se tornar relojoeiro. Só que eles decidiram não o substituir formalmente, optando por colaborar com outros guitarristas, como Paul Crook e Dimebag Darrell. Naquele período, o Thrash Metal já não estava mais no auge, com a cena musical sendo dominada por outras vertentes, apesar de o gênero nunca ter chegado a morrer. Mesmo assim, o Anthrax manteve sua identidade, embora com uma sonoridade um pouco diferente da que os fãs estavam acostumados. A produção ficou a cargo da própria banda, com a ajuda dos Butcher Brothers (Joe Nicolo e Phil Nicolo), conhecidos por trabalharem com artistas de Hip-Hop/Rap. Essa escolha de produtores fora do mundo do Metal foi uma tentativa da banda de renovar seu som. Uma coisa que se percebe é a presença de camadas mais densas nas guitarras, mas a verdade é que há muitos riffs confusos e exaustivos. Além disso, a ausência de um segundo guitarrista fixo foi um grande problema, o que deixou a sonoridade totalmente esquisita. O repertório no início até é legal, com as canções Random Acts of Senseless Violence e Fueled, mas depois vem um monte de porcaria, como King Size, Riding Shotgun, In a Zone e a melódica Bare. As únicas faixas que se salvam são Nothing e Drop the Ball. Enfim, esse trabalho é muito ruim e mostra o quanto a banda estava completamente confusa.

Volume 8: The Threath Is Real – Anthrax 





















NOTA: 1/10


E aí chegamos ao esquecível e a uma das maiores porcarias que o Anthrax lançou, o Volume 8: The Threat Is Real. Após eles terem feito o Stomp 442, alguns questionamentos começaram. Após a saída do vocalista Joey Belladonna e a entrada de John Bush, que trouxe uma nova sonoridade mais próxima do Groove Metal e do Metal alternativo que predominava nos anos 90, muitos começaram a desconfiar dessa mudança. O álbum anterior, além de ser muito ruim, parecia que a banda não se contetou em fazer um álbum ruim, mas sim um ainda pior. Então eles lançaram esse álbum pelo selo da Ignition Records, um selo pequeno distribuído por outra gravadora que rapidamente faliu, causando problemas na distribuição, pois é incrível como eles só se ferravam. O álbum foi produzido novamente pela própria banda junto com Paul Crook. A produção resultou em uma sonoridade que não tinha muito polimento; eles tentaram fazer algo bem direto, mas não passou de uma bela tortura. As guitarras, apesar de serem pesadas, têm riffs muito ruins, e os arranjos, no geral, são bastante torturantes. Já o repertório nem preciso dizer que ele é péssimo, sendo uma coleção de canções terríveis como Inside Out, Toast to the Extras, Big Fat e várias outras. Apenas Harms Way tinha um conceito interessante, mas logo ela é estragada. Por sinal, a última canção tem uma faixa oculta, e as duas juntas são um lixo. No final de tudo, é um disco horroroso que mostrou que o Anthrax estava no fundo do poço.

We’ve Come For You All – Anthrax 





















NOTA: 8,8/10


Cinco anos se passaram, e, após uma grande decadência, a banda volta com o We’ve Come For You All. Após lançarem aquele último álbum completamente pavoroso, o Anthrax estava passando por um momento desafiador. Após o lançamento do Volume 8, a banda enfrentou problemas com seu selo, o que afetou a distribuição e a visibilidade do álbum. Então, para não repetir o mesmo problema, eles assinaram com a Sanctuary Records, além de estabelecer um vínculo com a Nuclear Blast. Durante esse tempo, houve mudanças na formação, e finalmente eles tinham um novo guitarrista, Rob Caggiano. Naquele momento, as tendências eram o Metal alternativo e o Nu Metal, que dominavam bastante a grande mídia, então a banda precisava se renovar. O álbum foi produzido pelo próprio Rob Caggiano e pela Scrap 60 Productions. Esse trabalho é muito mais polido e bem balanceado. Ao contrário da produção horrorosa do seu antecessor, este disco soa mais limpo, com guitarras nítidas e uma ênfase nos vocais de Bush. Ele apresenta uma mistura de Thrash Metal clássico com elementos modernos e influências mais groovadas. O repertório é muito bom e inclui várias canções de destaque, como What Doesn’t Die, Safe Home, Black Dahlia e Cadillac Rock Box, que tem uma pegada mais de Hard Rock, além das excelentes Superhero e Strap It On, que lembram muito a sonoridade do Pantera. Enfim, este disco é muito bom e mostra a banda ressurgindo das cinzas.

Worship Music – Anthrax





















NOTA: 9,1/10


Muito tempo se passou, e o Anthrax retorna com mais um trabalho magnífico, Worship Music, que veio acompanhado de muitas mudanças. Antes de sua gravação, a banda enfrentou uma série de desafios. Em 2005, eles fizeram algumas turnês com a formação clássica, ou seja, com Joey Belladonna como vocalista. Logo após isso, John Bush acabou saindo da banda. Em seguida, eles chamaram Dan Nelson, que já havia passado por várias bandas, e ele chegou a gravar algumas faixas. Porém, pouco tempo depois, ele foi demitido. John Bush fez apenas uma turnê com a banda em 2009, até que, finalmente, Belladonna voltou ao Anthrax. Esse contexto confuso na formação gerou grande expectativa sobre o que eles iriam lançar. A produção foi liderada outra vez por Rob Caggiano, com mixagem de Jay Ruston. Eles trouxeram uma sonoridade moderna e muito pesada, resgatando a essência do Thrash Metal clássico. O processo foi longo, pois muitas faixas já estavam em andamento antes do retorno de Belladonna, exigindo adaptações e ajustes para encaixar seu estilo vocal. Com um repertório excelente e muitas canções incríveis como Fight 'Em 'Til You Can’t, The Giant e Crawl, o álbum também contém uma bela homenagem a Dio e Dimebag Darrell em In The End. E claro, a excelente Revolution Screams encerra o álbum, com uma faixa oculta que é um cover de New Noise do Refused. No fim, esse disco é sensacional e remete à época de Spreading the Disease.

For All Kings – Anthrax 





















NOTA: 8,5/10


Então chegamos ao último lançamento até o momento do Anthrax, o For All Kings, de 2016. Este álbum marca o segundo trabalho com o vocalista Joey Belladonna desde seu retorno em 2010, após uma longa ausência desde os anos 90. Além disso, a banda passou por mais uma troca de integrantes, já que Rob Caggiano deixou o grupo, sendo substituído por Jon Donais, ex-guitarrista da banda Shadows Fall. Assim, eles deram continuidade ao Worship Music, naquele momento de revitalização. A produção ficou a cargo de Jay Ruston, que havia trabalhado no último álbum como arranjador. Neste trabalho, Ruston trouxe um som claro e poderoso, com ênfase nas melodias e na diversidade de texturas, especialmente nos vocais de Belladonna e nas guitarras de Ian e Donais. Além disso, a bateria de Charlie Benante e o baixo de Frank Bello também brilham, mantendo o som groovado e o punch característicos da banda. No geral, a sonoridade vai além do Thrash Metal, tendo uma pegada que se aproxima mais do Heavy Metal tradicional, tudo de forma muito coesa. O repertório é excelente, com muitas canções sensacionais como You Gotta Believe, Breathing Lightning, Suzerain e Defend Avenge, que além de pesadas, chegam até ser chicletudas. Outras faixas marcantes incluem Evil Twin e, claro, a faixa-título. No fim, For All Kings é mais um ótimo trabalho do Anthrax, fazendo jus ao título e colocando a banda próxima da realeza do Metal.

Rakshak – Bloodywood 





















NOTA: 8,3/10


Voltando dois anos atrás, no início de 2022, foi lançado o magnífico álbum de estreia da banda Bloodywood, o Rakshak. Antes de lançar esse disco, a banda indiana, formada por Karan Katiyar e Jayant Bhadula, era conhecida pelos covers de outras bandas e de canções populares de seu país natal. Eles se destacaram por sua abordagem híbrida, misturando instrumentos tradicionais indianos com a agressividade do Metal, criando um som único. Depois disso, lançaram outros singles, sendo que um deles contou com a participação do rapper Raoul Kerr, que logo depois se juntou à banda. Ah, e esse nome Rakshak (que significa "protetor" em hindi) sugere um álbum com uma forte intenção de resistência e proteção, algo que ecoa nas letras. O álbum foi produzido pelo próprio Katiyar, que conseguiu manter uma mixagem equilibrada entre instrumentos ocidentais e orientais. As guitarras pesadas e os ritmos de bateria são misturados com perfeição aos instrumentos tradicionais, como o tabla, o dhol e a flauta bansuri. A sonoridade de Folk Metal, com influências de Nu Metal e Música Folclórica Indiana, lembra muito bandas como System of a Down, Linkin Park e Sepultura. Isso fica evidente em um repertório excelente, que se divide entre canções pesadas como Gaddaar, Dana-Dan e Endurant, e faixas mais melódicas como Zanjeero Se, Jee Veerey e Yaad, além de outras ótimas canções. Enfim, este álbum é espetacular e mostra que a banda indiana tem muito futuro pela frente.

Sem Cortesia (Vagando na Babilônia / Em Busca de Canaã) – Síntese 





















NOTA: 8/10


Em 2012, foi lançado o álbum de estreia do grupo de Rap Síntese, intitulado Sem Cortesia (Vagando na Babilônia / Em Busca de Canaã). O grupo, ou melhor, a dupla formada pelos amigos Neto e Léo, emergiu com uma proposta diferente, misturando Rap consciente com elementos de poesia, filosofia e espiritualidade. O álbum reflete um período de busca interna e crítica social, alinhando-se com o movimento do Rap underground nacional, que sempre deu voz a questões de resistência, opressão e autodescoberta. O título Sem Cortesia (Vagando na Babilônia / Em Busca de Canaã) evoca dois arquétipos bíblicos: Babilônia, como símbolo de opressão, desilusão e corrupção, e Canaã, como a terra prometida, um local de redenção e paz espiritual. A dupla produziu e distribuiu o álbum por conta própria, mostrando uma sonoridade deliberadamente minimalista, com batidas suaves e instrumentação que cria um clima denso. Em vez de apostar em sons comerciais, a produção foca em samples melódicos e vários loops repetitivos, o que traz ótimas rimas. O repertório é muito bom, com muitas canções de destaque como Pro Que Vier, Babilônia, Máscara da Rua, Se Escute e, claro, a faixa-título. No entanto, o álbum tem algumas faixas fraquinhas, como o interlúdio Enredo, Subversão e Ser Humano. Vale mencionar também a faixa Nota Explicativa, que é só eles trocando altas ideias sobre a vida e a sociedade, e isso é foda demais. Enfim, este trabalho é muito bom e traz muita reflexão.

Buracos ao Chão – Síntese 





















NOTA: 8,7/10


No ano seguinte, a dupla retorna com um álbum colaborativo com outro rapper underground, o Ingles, intitulado Buracos ao Chão. Esse álbum chega após o Síntese praticamente se tornar apenas o Neto, já que o Léo saiu do projeto por ter que se internar para tratarem de sua esquizofrenia. Afinal, após o lançamento do disco anterior, ele teve seu primeiro surto e, a partir daí, as coisas só pioraram. Mas o Neto decidiu continuar e aprofundar a filosofia que o Síntese já havia apresentado em Sem Cortesia. No entanto, esse disco é um projeto ainda mais pessoal e introspectivo, refletindo sobre questões existenciais, espiritualidade, a relação com a realidade social e o impacto da vida urbana. O trabalho da produção é marcado por uma atmosfera sombria e introspectiva, com batidas suaves, minimalistas e texturas que criam uma sensação de profundidade. O uso de batidas Boom bap tradicionais é complementado por elementos mais experimentais, criando uma sonoridade que remete a um lado consciente, mas com uma pegada muito mais emocional e reflexiva, para que as rimas densas de Neto e Ingles sejam ouvidas e absorvidas. Com isso, eles trouxeram um repertório incrível, com canções muito boas e carregadas de crítica social, como Penumbra, Luta e No Entanto..., além das sensacionais Fuga, Tempos de Desertos e Dias de Chuva, que são carregadas de muita reflexão. No final de tudo, é um disco muito interessante e que continua tudo o que seu antecessor apresentou.

Boomshot Apresenta – Síntese  





















NOTA: 8/10


Três anos se passam, e o Síntese retorna com um novo trabalho, desta vez um EP intitulado Boomshot Apresenta. O EP foi uma colaboração com a rádio Boomshot, o que deu visibilidade ao projeto, expandindo a música do Síntese para um público mais amplo. Apresenta o início de uma jornada musical e filosófica do Síntese, onde já é possível perceber a marca registrada do Neto: letras profundas, introspectivas e carregadas de uma visão crítica sobre a realidade, a vida nas periferias e questões espirituais. A produção do EP foi assinada, além do Neto, por Akillez do Projeto Nave, Kiko Dinucci e Thiago França, e manteve o estilo característico do Síntese: minimalista, melódico e profundamente atmosférico. As batidas seguem uma linha mais tradicional do Boom bap, com samples orgânicos e texturas sonoras que criam um ambiente introspectivo. A produção foi relativamente simples, e as canções são bem curtas, mas eficazes, colocando o foco nas letras, que são o ponto central de todas as faixas, com cada instrumental muito bem pensado. O repertório, mais uma vez, é muito bom, com várias faixas interessantes como Disparada e Pais e Filhos, que são afiadas, além das críticas sociais contidas em Estado Terminal e na nova versão de Eis-Me Aqui (uma das faixas do primeiro álbum), que fazem dessas duas canções espetaculares. Enfim, este trabalho é muito bem feito e, apesar de curto, tem muita consistência.

Trilha para o Desencanto da Ilusão, Vol. 1: Amem – Síntese 





















NOTA: 8,8/10


Um ano depois, o Síntese lançou outro álbum fantástico, o Trilha para o Desencanto da Ilusão, Vol. 1: Amém (o título complexo). Com esse novo trabalho, Neto quis aprofundar ainda mais sua narrativa existencialista, em um contexto de busca por respostas em meio ao caos interno e externo. O álbum reflete um ponto de amadurecimento, tanto pessoal quanto artístico. Neto estava começando a enfrentar a dura vida no meio artístico, além de ainda sentir a ausência de seu companheiro Léo. Além disso, o cenário político e social do Brasil à época, com polarizações e um clima de incerteza, também parece ter influenciado a visão de mundo expressa nesse disco. A produção, mais uma vez feita pelo próprio rapper, é profundamente atmosférica. Afasta-se de batidas convencionais e opta por uma sonoridade mais experimental, usando elementos de Jazz, música eletrônica e até música ambiental. A produção, que contou também com nomes como Daniel Ganjaman e Davi Chaves, colaborou para criar uma trilha sonora introspectiva e melancólica, adequada à temática do disco. A escolha dos instrumentos, como o uso de sintetizadores suaves, batidas sutis e samples etéreos, cria uma paisagem sonora quase cinematográfica. O repertório é excelente, com canções cheias de mensagens reflexivas, como Meu Caminho, Desconstrução e a parte 2 de Babilônia. Além disso, as últimas faixas Novo Dia, Religare, Vive Aqui e Gira Mundo são perfeitas. No fim, é um ótimo disco, com muita visão envolvida.
 


Review: Cursum Perficio do Anthrax

                   Cursum Perficio – Anthrax NOTA: 8,7/10 Dez anos depois, o Anthrax enfim retornou com um álbum novo, o Cursum Perficio. Ap...