terça-feira, 8 de outubro de 2024

Analisando Discografias - Sepultura e Soulfly (RA: LIII)

                 

Quadra – Sepultura





















NOTA: 9,2/10


E aí chegamos ao último álbum do Sepultura, o maravilhoso Quadra, que é, novamente, um trabalho conceitual. Após o Machine Messiah, que havia mostrado um amadurecimento da banda, houve o lançamento do documentário da banda (limitado pelos irmãos Cavalera), esse novo trabalho tem esse título, que é uma referência ao termo em português. Além de trazer a ideia de divisão em quatro partes, refletindo a estrutura do álbum, com as músicas organizadas de maneira a explorar diferentes estilos que a banda desenvolveu. A produção, mais uma vez, contou com Jens Bogren, que trouxe uma sonoridade ainda mais precisa, equilibrando perfeitamente a agressividade da banda com a complexidade dos arranjos, e destacando as performances dos integrantes, principalmente Eloy Casagrande, que impressionou com sua técnica impecável na bateria, e Derrick Green, que apresenta uma performance vocal intensa e mais articulada. O repertório é excelente, que é dividido: com Thrash Metal em Isolation e Means to an End; Groove Metal em Capital Enslavement e Raging Void; Prog Metal em Guardians of Earth; e instrumental em Fear; Pain; Chaos; Suffering, com a participação da Emmily Barreto, da banda Far From Alaska. Depois disso, nossa querida banda mineira anunciou o seu fim. Logo após, Eloy Casagrande foi para o Slipknot, e o Sepultura continua realizando sua turnê de despedida. Enfim, esse último trabalho da banda é maravilhoso e tem tudo para se tornar um clássico com o passar do tempo.

Soulfly – Soulfly 





















NOTA: 9/10


Logo após sua saída do Sepultura, Max Cavalera lançou o álbum de estreia de seu novo projeto, autointitulado Soulfly. Depois de deixar o Sepultura após desentendimentos com os outros membros, principalmente envolvendo a gestão da banda. A morte de seu enteado, Dana Wells, também teve um impacto profundo na separação. Com isso, ele quis seguir um caminho mais experimental, explorando novos estilos e incluindo influências tribais e espirituais. Para integrar a banda, Max chamou o guitarrista Lúcio Maia, do Nação Zumbi, o baixista Cello Dias e o baterista Roy Mayorga. Com tudo pronto, partiram para a gravação. A produção ficou a cargo de Ross Robinson, que havia recém-produzido Roots, do Sepultura. Ele trouxe uma sonoridade crua e visceral, destacando a intensidade emocional do Max Cavalera, além de criar uma parede sonora sólida. O uso de elementos percussivos tribais, instrumentos exóticos como o berimbau, e influências do Metal industrial e hip hop, sendo muito diversificado tudo isso juntado com o Nu Metal. O repertório é espetacular, com muitas canções pesadíssimas como Eye for an Eye, Tribe, Fire, Bleed (com a participação do Fred Durst), e as temáticas Quilombo e Bumba, além de outras canções boas como No Hope = No Fear, o ótimo cover de Umbabarauma, de Jorge Ben, e a faixa instrumental Karmageddon, que contém a faixa oculta Sultão das Matas. No final, esse disco é maravilhoso, sendo uma ótima estreia desse projeto promissor.

Primitive – Soulfly 





















NOTA: 9,2/10


No começo dos anos 2000, o Soulfly lança seu 2º trabalho, o ainda mais tribal Primitive. Após o álbum de estreia, Max Cavalera havia conquistado uma nova legião de fãs, consolidando sua carreira pós-Sepultura. A expectativa para o segundo álbum era alta, pois ele havia explorado temas de espiritualidade, dor pessoal e fusões tribais que começaram a definir sua estética. Após gravar o primeiro álbum, Jackson Bandeira retornou ao Brasil com o Nação Zumbi e foi substituído por Logan Mader, do Machine Head, para a turnê. Depois disso, chamaram Mikey Doling, que era do Snot. A abordagem de Max de mesclar o Metal pesado com elementos da cultura indígena brasileira e ritmos africanos trouxe muita originalidade. A produção ficou com Toby Wright, que trouxe uma sonoridade polida, mas ainda manteve a crueza visceral daquela era do Nu Metal. Os ritmos tribais, percussões variadas e a mistura de guitarras pesadas com efeitos sonoros mais atmosféricos são cuidadosamente integrados, dando uma identidade única. O repertório é maravilhoso e cheio de canções incríveis como Back to the Primitive, Pain, com a participação de Chino Moreno e Grady Avenell, as temáticas Mulambo e Flyhigh, e a clássica Jumpdafuckup com Corey Taylor, que é totalmente brutal, além de outras músicas boas como Son Song, com a participação do filho de John Lennon, Sean Lennon, e The Prophet. No fim, é um disco sensacional e que traz uma evolução em comparação à estreia.

3 – Soulfly





















NOTA: 8,3/10


Mais dois anos se passam, e a banda lança seu 3º álbum de estúdio, intitulado 3 (simples, mas com um motivo). Após o Primitive, que contou com uma variedade de convidados e explorou diversas texturas musicais, Max Cavalera decidiu voltar a um som mais concentrado em sua própria visão musical. A arte do álbum apresenta um Om, um ícone espiritual nas religiões indianas. O título original seria o da primeira faixa do disco, e Max declarou mais tarde que se arrependeu de ter mudado o nome. O álbum tem menos colaborações e foca mais no desenvolvimento do som do Soulfly em um formato mais direto e linear. O álbum foi gravado em Phoenix, Arizona, onde ele se estabeleceu após deixar o Brasil. O próprio Max Cavalera produziu esse álbum com a ajuda do renomadíssimo Terry Date. Com isso, a sonoridade ficou mais nítida e menos sobrecarregada em comparação com os álbuns anteriores, continuando a ser Nu Metal, mas indo para um lado quase de Groove Metal. Há uma maior ênfase nas guitarras, que soam mais limpas, embora ainda pesadas, e uma abordagem rítmica mais focada. O repertório é muito legal, começando com a ótima Downstroy, e logo depois vêm canções sensacionais como Seek ‘N’ Strike, Enterfaith e L.O.T.M., além de outras muito boas como One, Brasil, Tree of Pain e os belos covers de One Nation, do Sacred Reich, e Sangue de Bairro, do Chico Science & Nação Zumbi. Enfim, é um ótimo trabalho do Soulfly, que mostrava um afastamento das tendências da época.

Prophecy – Soulfly 





















NOTA: 8/10


O tempo passou, e o Soulfly retornou totalmente diferente com seu novo trabalho, o Prophecy. Após o terceiro álbum, que trouxe um lado mais introspectivo e espiritual, a banda passou por uma grande mudança em sua formação: Cello Dias foi demitido, e Roy Mayorga e Mikey Doling deixaram a banda em protesto, deixando Max sozinho. No entanto, ele logo trouxe de volta Joe Nunez na bateria e recrutou o baixista Bobby Burns, do Primer 55, e o guitarrista Marc Rizzo, do Ill Niño. Além de contar, com a colaboração do ex-baixista do Megadeth, David Ellefson, que contribuiu em algumas faixas. Este álbum é uma continuação da busca de Max Cavalera por novas influências musicais e espirituais, e ele viajou para a Sérvia e outros países do Leste Europeu, cujas culturas o influenciaram bastante. Novamente, Max produziu o disco, com o intuito de mesclar as influências globais que buscava. O álbum tem uma qualidade sonora poderosa e uma produção polida, mas sem perder a crueza característica da banda, e tudo isso inclui um mix de Groove Metal, Thrash Metal, Death Metal, world music e um pouco de Nu Metal, tudo se misturando. Já o repertório é muito bom, contendo muitas músicas interessantes, como Living Sacrifice, Defeat U e Moses, com a participação da banda Eyesburn, mas as que mais se destacam são as groovadas Mars, In the Meantime e a faixa-título, além da explosiva Porrada. No final de tudo, é um ótimo disco, que teve uma boa concepção.

Dark Ages – Soulfly 





















NOTA: 8,5/10


No ano seguinte, a banda lança seu 5º álbum de estúdio, o Dark Ages, que trazia uma pegada bem diferente. Após o Prophecy, Max Cavalera passou por mais uma tragédia pessoal, a morte de seu neto de oito meses e também a morte trágica de seu amigo Dimebag Darrell, além da crescente insatisfação com o cenário político global pós-11 de setembro. O álbum marca uma mudança significativa em relação aos trabalhos anteriores, que apresentavam uma forte fusão de Nu Metal e influências tribais. Esse novo trabalho retorna a uma abordagem mais crua e pesada, conectando-se com o Max dos tempos do Sepultura. A produção foi, mais uma vez, feita por ele mesmo, com ajuda de Terry Date, e traz uma variedade de influências sonoras e contextos políticos, culturais e emocionais, resultando em um som visceral, quase caótico. Com uma sonoridade totalmente bruta e agressiva, trazendo aquele lado de Thrash Metal com Death Metal, guitarras afiadas, vocais intensos e uma bateria poderosa, o álbum oferece um contraste às produções mais polidas dos discos anteriores. O repertório é muito bom, com muitas canções interessantes, como I and I, Molotov, que tem letras com várias línguas diferentes, e Riotstarter, que novamente conta com a presença de Dave Ellefson. No entanto, as canções que mais se destacam são Babylon, Carved Inside, Arise Again, Bleak e Fuel the Hate. No fim, é um trabalho muito legal da banda, apesar de todo o clima sombrio que esteve presente.

Conquer – Soulfly 





















NOTA: 8/10


Três anos se passam, e eles lançam mais um trabalho novo, o Conquer, que desta vez não chega a ser tão obscuro como seu antecessor. Depois do lançamento do Dark Ages, Max Cavalera acabou ficando mais combativo e renovado, ainda mais imerso no universo do Metal moderno. Afinal, eles já tinham se estabelecido no cenário por misturar diferentes estilos musicais, desde influências tribais até world music. Mas esse novo trabalho vem em um momento em que Max havia recuperado o contato com seu irmão Igor Cavalera, culminando na reunião de ambos no projeto Cavalera Conspiracy (que depois eu falo dele). Essa energia e reconexão com suas raízes musicais mais extremas transparecem fortemente em toda a concepção do álbum. A produção foi praticamente a mesma, trazendo uma sonoridade suja e muito agressiva, com um peso extra nos riffs de guitarra profundos e uma bateria poderosa. Marc Rizzo ganha destaque, trazendo solos afiados e complexos, enquanto a bateria de Joe Nunez é rápida e implacável. O repertório é muito bom, com muitas canções explosivas, como as sensacionais Blood Fire War Hate, Enemy Ghost e Doom. Além disso, há outras músicas muito boas, como Unleash, com a participação do Dave Peters do Throwdown, Warmaggeddon, e as atmosféricas For Those About to Rot e Touching the Void. Enfim, esse álbum é muito bom, sendo um dos mais agressivos da banda.

Omen – Soulfly 





















NOTA: 8,6/10


Pouco tempo depois, é lançado o 7º álbum da banda, o Omen, que trazia uma pegada mais orgânica. Após o Conquer, que marcou o retorno do Soulfly às suas influências mais brutais, eles decidiram continuar nessa mesma linha, trazendo um som mais direto, sem muita experimentação. Nesse período, Max estava profundamente envolvido em vários projetos paralelos, como Cavalera Conspiracy, mas o Soulfly continuava sendo o coração de sua expressão musical, demonstrando que ele ainda tinha muito a dizer sobre temas como guerra, política e resistência pessoal. Esse trabalho, além de ser produzido por Max Cavalera, também contou com a presença de Logan Mader. Eles trouxeram, mais uma vez, aquela sonoridade totalmente crua, sem sofisticação, sendo deliberadamente menos polida, com guitarras de afinação baixa, batidas pesadas e uma mistura de Thrash, Groove e Death Metal compondo as influências, com solos afiados de Marc Rizzo e uma bateria enérgica de Joe Nunez. O repertório é muito bom e traz muitas canções curiosas, como as violentas Bloodbath & Beyond, Counter Sabotage e Jeffrey Dahmer, que é totalmente sombria, relembrando o infame serial killer, mas as melhores faixas são Rise of the Fallen, Great Depression, Off with Their Heads e a bela faixa instrumental com o título da banda, que é tradição em todos os álbuns deles, só que, diferente das outras, essa foi a melhor. No fim, é um álbum muito legal, apesar de não ter o merecido reconhecimento.

Enslaved – Soulfly  





















NOTA: 2/10


Dois anos se passam, e o Soulfly retorna com mais um trabalho novo, o Enslaved, que trazia várias mudanças. Após o Omen, que trouxe um tom brutal e sombrio, a banda passa por mais uma mudança em sua formação: Bobby Burns acabou saindo, e em seu lugar entrou Tony Campos (ex-Static-X). Logo depois, Joe Nunez foi demitido, e David Kinkade (ex-Borknagar) assumiu a bateria, ambos trazendo uma nova energia e peso à banda. A temática do álbum abordava vários temas que iam muito além da escravidão física, mas também a escravidão mental, emocional e espiritual. A produção foi feita por Christopher Harris, mais conhecido como Zeuss (que já trabalhou com Hatebreed, Shadows Fall e Rob Zombie), uma escolha no mínimo ambiciosa. O trabalho da produção em si até que é bom, destacando os riffs pesados e as camadas de percussão. A sonoridade é muito alinhada ao Death Metal, mas ficou uma confusão, já que eles misturaram Groove Metal e influências tribais de uma forma totalmente mal executada. Kinkade pareceu descoordenado, enquanto Tony Campos tentou salvar de todas as maneiras possíveis. O repertório é muito ruim, trazendo músicas péssimas como Resistance, Legions e Revengeance (que conta com a família Cavalera inteira, mas não deu certo). O mesmo vale para Redemption of Man by God, com Dez Fafara do Coal Chamber. As únicas canções boas são Gladiator e Plata o Plomo. No final, é um disco bem ruim, que precisava ter sido melhor trabalhado.

Savages – Soulfly 





















NOTA: 8,7/10


Indo agora para Savages, que trouxe poucas mudanças e mostrou o Soulfly correndo atrás do prejuízo. Após o inexpressivo Enslaved, que trouxe uma sonoridade o mais próxima possível do Death Metal, Max Cavalera decidiu adotar uma abordagem mais groovada e acessível. Além disso, David Kinkade decidiu se aposentar, e em seu lugar entrou Zyon Cavalera, filho de Max, tornando-se o baterista oficial da banda, o que fez o Soulfly ganhar uma dimensão ainda mais familiar. O álbum explora a natureza destrutiva da humanidade e a selvageria que existe tanto em conflitos globais quanto nas relações pessoais. A produção ficou a cargo do Terry Date, que trouxe uma pegada mais refinada e polida ao som da banda, sem sacrificar a agressividade. A sonoridade é poderosa, com muito Groove Metal e riffs encorpados. Zyon Cavalera, apesar de jovem, se destaca na bateria, trazendo energia e uma boa química com o restante da banda. Max Cavalera também se mantém como o pilar da banda, com vocais guturais poderosos e letras que combinam crítica social e introspecção emocional. Novamente, o repertório ficou muito legal, trazendo faixas interessantes como as iniciais Bloodshed, Cannibal Holocaust, Fallen e a curiosa El Comegente, que fala sobre Dorángel Vargas, um serial killer venezuelano. Mas as melhores canções são Ayatollah of Rock 'N' Rolla, Master of Savagery e a brutal This Is Violence. No final de tudo, é um baita disco, e desta vez foi bem planejado.
 

                                                          Por hoje é só, então flw!!! 

domingo, 6 de outubro de 2024

Analisando Discografias - Sepultura (RA: LII)

                 

Chaos A.D. – Sepultura





















NOTA: 10/10


Mais um tempo se passa, e o Sepultura lança o seu 5º álbum, o atemporal Chaos A.D., que é diferente dos seus antecessores. Após o sucesso do Arise, que consolidou o Sepultura como uma força global no Thrash Metal, a banda começou a explorar novos territórios musicais e temáticos. O contexto sociopolítico mundial influenciou fortemente os temas. O álbum reflete essa atmosfera, com letras altamente politizadas, que criticam governos, militarismo e injustiças sociais. Esse disco foi produzido por Andy Wallace, que havia trabalhado na mixagem do último álbum da banda, e ele trouxe uma clareza e um peso adicionais ao som do Sepultura. O mais curioso é que eles foram gravar esse álbum no Rockfield Studios, no País de Gales, em um ambiente totalmente novo. A sonoridade, além de crua, é bem mais acessível, dando ênfase às guitarras do Andreas Kisser e ao groove poderoso da bateria do Igor Cavalera. Ir para um lado mais puxado para o Groove Metal foi um verdadeiro acerto da banda. O repertório é magnífico e traz um monte de músicas pesadas desde o início com Refuse/Resist, Territory e Slave New World, além de outras canções excelentes como Propaganda, We Who Are Not as Others e Nomad. Fora o maravilhoso instrumental acústico Kaiowas, que foi gravado em um castelo em Chepstow, e Manifest, cuja letra aborda o Massacre do Carandiru. É muita coisa doida aqui. Mas, enfim, esse álbum é sensacional e um dos melhores trabalhos da banda.

Roots – Sepultura 





















NOTA: 9,5/10


Três anos depois, a banda retorna com o estrondoso Roots, mais um clássico que era uma continuação perfeita. Após o maravilhoso Chaos A.D., que trouxe influências mais groovadas à banda, esse novo trabalho levou essa fusão a um novo nível, incorporando fortemente elementos de música indígena brasileira, percussões tribais e world music, criando um estilo inovador. O álbum foi profundamente inspirado pela visita da banda à tribo Xavante, onde tiveram a oportunidade de vivenciar a cultura indígena de perto. A produção ficou por conta de Ross Robinson, o padrinho de um subgênero que estava em ascensão com Korn e Deftones. Ele trouxe uma abordagem crua e visceral, encorajando a banda a explorar novos territórios sonoros, sem sobreproduzir ou refinar demais o som, e tudo aqui é bastante experimental. Com isso, além de ter uma sonoridade de Groove Metal, eles adicionaram o Nu Metal e pegaram muita influência do que Chico Science & Nação Zumbi estavam fazendo com o movimento Manguebeat. O repertório, novamente, é excelente, com muitas canções sensacionais, desde Roots Bloody Roots, Attitude, Cut-Throat (praticamente uma diss para a Epic Records) e Straighthate, além de outras com participações especiais, como Carlinhos Brown em Ratamahatta e Lookaway, que conta com Jonathan Davis, Mike Patton e DJ Lethal. Enfim, apesar de logo depois Max Cavalera ter saído da banda, isso não apaga o peso que esse álbum tem e o quão maravilhoso ele é.

Against – Sepultura 





















NOTA: 8,4/10


Dois anos após muita incerteza, o Sepultura retorna totalmente renovado, lançando seu 7º disco, o Against. Depois de todo o sucesso do Roots, a banda teve uma grande baixa com a saída do Max Cavalera, um dos fundadores e principal vocalista, que deixou o grupo em 1997, após uma série de conflitos. Isso foi devastador, deixando a banda à deriva em um momento em que estavam no auge da popularidade global. Para substituir Max, o Sepultura recrutou Derrick Green, um vocalista norte-americano com uma voz mais grave e profunda em comparação com a de Max. A decisão de continuar sem Max foi controversa, tanto para os fãs quanto para a própria banda. Esse álbum foi produzido por Howard Benson, que havia trabalhado nos últimos álbuns do Motörhead. Ele trouxe uma produção clara e polida, contrastando com a crueza do disco anterior, mas ainda capturou a intensidade e agressividade da nova formação. A sonoridade incorporou ritmos brasileiros e percussões tribais, mas com uma abordagem menos focada em experimentações extremas, mantendo elementos do Groove e do Nu Metal. O repertório, de certo modo, é muito bom e conta com muitas canções legais como Rumors e Hatred Aside, que tem a participação do Jason Newsted. No entanto, as que mais se destacam são Choke, Boycott, Reza com a participação do João Gordo e, claro, a faixa-título. No final, é um disco muito bom, apesar de que, infelizmente, ele é bastante desprezado pelos fãs por tudo que aconteceu.

Nation – Sepultura





















NOTA: 3,8/10


Indo para 2001, o Sepultura lança seu 8º álbum de estúdio, o decepcionante Nation, que estava cheio de participações. Após o Against, que foi recebido com críticas mistas devido à dificuldade da transição pós-Max, esse novo álbum teria a missão de solidificar a nova formação e reforçar o estilo da banda. Surgindo essencialmente como uma resposta ao tumultuado cenário político e social da virada do milênio, o álbum reflete a frustração da banda com a desigualdade global, a violência e a opressão. O conceito de Nation gira em torno da criação de uma utopia fictícia, onde a música, o respeito e a união prevalecem. A produção ficou a cargo de Steve Evetts, que trouxe uma sonoridade bem lapidada, com camadas que combinam elementos de Thrash Metal, Nu Metal e influências de música tradicional brasileira. E, apesar de ter deixado o som bem pesado, ele fez uma confusão ao adicionar elementos experimentais e percussivos, que acabaram soando esquisitos e muito distantes do que a banda fez em Roots. O repertório ele é muito ruim, quando chega a primeira música, Sepulnation, já dá para perceber que algo está errado. Embora haja algumas músicas boas, como Revolt, Border Wars, Uma Cura e Politricks (com a participação de Jello Biafra, do Dead Kennedys), há um monte de canções que, além de chatas, são horríveis, como Vox Populi, Human Cause e Reject. Enfim, este álbum é completamente péssimo e foi totalmente mal elaborado.

Roorback – Sepultura 





















NOTA: 8,8/10


Pouco tempo depois, eles lançam Roorback, que veio com a promessa de consertar os erros do seu último trabalho. Após o pavoroso Nation, a banda precisava fazer uma tentativa clara de reafirmar sua relevância com Derrick Green nos vocais, e logicamente eles nem estavam ligando para as "viúvas" do Max Cavalera. Esse título é uma palavra derivada de uma antiga gíria americana usada para designar boatos e difamações políticas, algo que ecoa nas letras politicamente carregadas do álbum. Até porque esse trabalho foi lançado em um contexto global pós-atentados de 11 de setembro e durante a Guerra do Iraque, o que influenciou profundamente o tom geral do álbum. A produção foi novamente feita por Steve Evetts, em quem eles confiaram que, dessa vez, as coisas dariam certo. Além disso, eles lançaram esse álbum pelo selo da SPV Records. A produção é bastante crua e direta; Evetts manteve o foco na intensidade das guitarras e no groove pesado da seção rítmica, deixando de lado os elementos mais experimentais e tribais presentes em trabalhos anteriores, além de pegar a tendência do Nu Metal. O repertório é muito bom e tem várias canções interessantes, como As It Is, Leech e Activist, mas as que mais se destacam são Come Back Alive, Urge, Corrupted e Bottomed Out, além da faixa bônus, que é um ótimo cover de Bullet the Blue Sky do U2. No fim, é um disco muito bom, sendo um dos mais pesados dessa nova era da banda.

Dante XXI – Sepultura 





















NOTA: 8/10


Mais um tempo se passa, e o Sepultura lança seu 10º álbum, o Dante XXI, que era bem diferente de todos os outros trabalhos da banda mineira. Após Roorback, a banda queria, desta vez, fazer um álbum que não apenas reafirmasse sua relevância no cenário do Metal, mas também mostrasse evolução criativa. Esse trabalho é baseado na obra-prima da literatura mundial A Divina Comédia, de Dante Alighieri, e está estruturado nas três seções: Inferno, Purgatório e Paraíso. Esta foi a primeira vez que o Sepultura dedicou um álbum inteiro a um conceito literário, explorando temas como a corrupção da alma, o sofrimento, a redenção e a busca pela salvação. A produção foi feita por André Moraes e Stanley Soares, junto com a banda, e eles buscaram um som que refletisse um equilíbrio entre a ferocidade bruta do Sepultura e uma abordagem mais refinada, com arranjos orquestrais e instrumentação clássica, como violoncelos e violinos, utilizados para intensificar a atmosfera conceitual inspirada pelo poema. O repertório é muito interessante, com várias músicas que são cheias de sinfonia com um som groovado, como Dark Wood of Error, Ostia e Crown and Miter. Porém, quando surgem as canções mais pesadas, tudo fica perfeito, como em Convicted in Life, False e Repeating the Horror. As faixas instrumentais também são todas muito boas. Enfim, este álbum é muito bom, sendo um trabalho bastante interessante.

A-Lex – Sepultura 





















NOTA: 3/10


Três anos se passam, e o Sepultura lança mais um disco conceitual, intitulado A-Lex. Depois do sucesso do Dante XXI, o Sepultura continuou com a fórmula de álbuns conceituais, explorando as tensões entre liberdade e coerção no comportamento humano. No entanto, em 2007, Max Cavalera afirmou que ele e Igor, tendo se reconciliado, estavam considerando uma reunião da formação clássica para tocar no Ozzfest 2007. No entanto, isso foi negado por Kisser, e a reunião não ocorreu. Em vez disso, Igor Cavalera deixou a banda e foi substituído pelo baterista Jean Dolabella, deixando a banda sem nenhum de seus membros originais. Esse disco é uma adaptação conceitual do clássico literário Laranja Mecânica (A Clockwork Orange), de Anthony Burgess, que também foi imortalizado no famoso filme de Stanley Kubrick. A produção foi feita mais uma vez pela banda, com a colaboração de Stanley Soares. Em termos sonoros, eles quiseram deixar tudo pesado, mas com uma clareza na mixagem, só que eles colocaram tantos interlúdios e riffs totalmente técnicos que tudo ficou muito estranho. O repertório é muito ruim, cheio de canções chatíssimas como Filthy Rot, Conform, Enough Said, We’ve Lost You e nem mesmo a reinterpretação da Nona Sinfonia de Beethoven, intitulada Ludwig Van, ficou boa. Poucas canções se salvam, como Moloko Mesto, Metamorphosis e Sadistic Values. No fim, é um trabalho sem graça e com uma experimentação que não funcionou.

Kairos – Sepultura 





















NOTA: 9/10


Em 2011, o Sepultura volta a lançar mais um trabalho novo, intitulado Kairos, com muitas mudanças. Após lançarem o péssimo A-Lex, descontentes com a SPV Records, eles encerraram o vínculo com a gravadora e assinaram com a Nuclear Blast. Dessa vez, a banda optou por um álbum que equilibrasse sua história musical com uma renovação de energia. O tema central do álbum é o próprio conceito de tempo, pois o título Kairos vem da palavra grega que significa "tempo certo" ou "momento oportuno", em contraste com Chronos, que representa o tempo cronológico. A produção ficou a cargo de Roy Z, conhecido por seu trabalho com artistas como Bruce Dickinson e Judas Priest. Ele trouxe uma sonoridade polida e direta, focada em capturar a agressividade natural da banda, sem muitos elementos experimentais ou orquestrais, como em seus dois últimos álbuns. Conseguindo equilibrar a crueza das performances com um som moderno, as composições foram mantidas relativamente simples, focando em riffs pesados, uma bateria pulsante e vocais potentes, com uma clara intenção de reconectar a banda às suas raízes no Thrash Metal, incorporando influências do metal moderno. O repertório é ótimo e contém muitas canções incríveis, como a faixa-título, Mask, Born Strong, No One Will Stand e o maravilhoso cover de Just One Fix do Ministry, além de outras canções legais como Spectrum e Seethe. No final de tudo, é um baita disco que fez a banda voltar às suas raízes.

The Mediator Between Head And Hands Must Be the Heart – Sepultura  





















NOTA: 8,7/10


Dois anos se passam e a banda mineira lança mais um novo trabalho, o The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart (título bem grande em). Este álbum marca algumas mudanças importantes: o baterista Jean Dolabella acabou deixando a banda e, em seu lugar, entrou Eloy Casagrande, que, algum tempo antes, tocava no Glória. Além disso, esse álbum também é visto como um retorno ao peso e à brutalidade característicos da banda, após uma fase mais experimental, com influências de música tribal e industrial. Esse título gigantesco é uma referência ao filme clássico de ficção científica Metropolis (1927), que carrega temas de desigualdade social e mecanização da sociedade, apesar de não ser uma adaptação literal do filme. A produção foi feita por Ross Robinson, retomando aquela parceria bem-sucedida com a banda no Roots. Ele trouxe aquela sonoridade mais visceral, refletida numa brutalidade direta, com elementos de Thrash Metal e Death Metal. Além disso, ele explorou o potencial máximo deles, especialmente do baterista Eloy Casagrande, cujas linhas de bateria são um dos grandes destaques do disco. O repertório ficou muito bom, com canções esmagadoras como Tsunami e Obsessed, mas tem outras que são perfeitas, como Trauma of War, Impending Doom, Manipulation of Tragedy e The Age of the Atheist, além do ótimo cover de Da Lama ao Caos, de Chico Science & Nação Zumbi. Enfim, esse álbum é muito bom e bastante pesado.

Machine Messiah – Sepultura 





















NOTA: 9/10


O tempo passa, e o Sepultura retorna com mais um disco novo, o magnífico Machine Messiah, que traz um lado mais raiz da banda. Após o The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart, a banda passava por um momento de amadurecimento musical, explorando novos horizontes, mas sem abandonar sua sonoridade característica. Esse novo trabalho se destaca por sua abordagem conceitual sobre a dependência tecnológica e o impacto das máquinas na sociedade moderna. A banda explora temáticas filosóficas e existenciais, refletindo sobre a alienação humana em meio ao avanço tecnológico. O disco foi produzido pelo excelente produtor Jens Bogren, que trouxe uma sonoridade polida e bem estruturada. Além disso, destaca-se a coesão entre os membros da banda, permitindo que cada instrumento tivesse seu devido espaço, contribuindo para uma sonoridade limpa, mesmo nos momentos mais intensos. Com os ótimos riffs de Andreas Kisser e Eloy Casagrande totalmente preciso na bateria, assim como a pegada brutal de Paulo Jr. no baixo, esse disco também conta com elementos orquestrais e arranjos experimentais. O repertório é simplesmente maravilhoso, com canções totalmente arrasadoras, como a trinca I Am the Enemy, Phantom Self e Alethea, além de Silent Violence e Cyber God. Outras faixas muito boas são Resistant Parasites e, claro, a faixa-título. No fim, é um disco excelente e um dos melhores trabalhos da banda mineira nesta última década.
 

Então é isso, um abraço e flw!!!

Analisando Discografias - Cannibal Corpse e Sepultura *Extra do Public Enemy e Yunk Vino (RA: LI)

                 

A Skeletal Domain – Cannibal Corpse





















NOTA: 8,3/10


Dois anos se passam, e a banda lança seu 12º trabalho, A Skeletal Domain, que traz pequenas mudanças. Após o último álbum ter sido muito fraquinho e com muitos erros, eles decidiram trocar várias coisas, principalmente na concepção de seu futuro álbum, já que continuavam a se expandir no cenário, equilibrando brutalidade com técnica refinada. Este disco quis trazer uma abordagem ligeiramente mais moderna em termos de produção e composição, mas sem sacrificar a essência da banda. Dessa vez, Mark Lewis produziu o álbum, deixando Erik Rutan de lado, ele decidiu criar um trabalho mais balanceado, permitindo que cada instrumento fosse ouvido com clareza e impacto. As guitarras de Pat O’Brien e Rob Barrett estão muito mais técnicas, o baixo de Alex Webster é sólido, e a bateria de Paul Mazurkiewicz está mais articulada. O foco de Lewis foi na definição sonora, sem perder o peso brutal característico da banda. Basicamente, eles criaram uma sonoridade muito mais polida, mas que funcionasse para equilibrar todo aquele ritmo cadencioso da banda. O repertório é bastante interessante, trazendo canções mais precisas como High Velocity Impact Spatter, Kill or Become e Funeral Cremation, além, é claro, de Asphyxiate to Resuscitate, que é bastante dinâmica. Porém, as canções que mais se destacam são Sadistic Embodiment e Icepick Lobotomy, por conta dos seus riffs intensos. No final de tudo, é um ótimo trabalho deles, porém muito subestimado.

Red Before Black – Cannibal Corpse 





















NOTA: 9/10


Depois de algum tempo, a banda lança seu 14º álbum, o Red Before Black, que trouxe muita consistência. Após A Skeletal Domain, que apresentou um som polido, com uma produção um pouco mais refinada, mas ainda brutal, esse novo trabalho decidiu retornar com aquela energia insaciável e um compromisso inabalável com seu som brutal. Além disso, a banda voltou a trabalhar com Erik Rutan, que foi escolhido novamente devido à sua capacidade de capturar a essência brutal da banda. O trabalho da produção, como um todo, trouxe uma abordagem focada em destacar a performance crua da banda sem comprometer os detalhes da mixagem. Aqui, os vocais de Corpsegrinder são contundentes, com seu estilo gutural característico. Os riffs das guitarras de Rob Barrett e Pat O'Brien soam nítidos e incisivos, enquanto Alex Webster e Paul Mazurkiewicz exibem técnica impressionante no baixo e na bateria, respectivamente, fazendo coisas inacreditáveis. Apesar de todo o balanceamento, é possível sentir a entrega de cada um dos integrantes. O repertório é excelente, e as canções seguem um caminho mais agressivo, como se nota em Only One Will Die, Firestorm Vengeance e Destroyed Without a Trace. Há também outras faixas que levam a brutalidade a um nível ainda maior, como Code of the Slashers, Heads Shoveled Off, In the Midst of Ruin e, claro, a faixa-título, que são sensacionais. No final, é um baita disco e um trabalho muito interessante.

Violence Unimagined – Cannibal Corpse 





















NOTA: 8,6/10


O tempo passou, e, depois de quatro anos, o Cannibal Corpse retorna com Violence Unimagined. Nesse novo trabalho, a formação da banda passou por uma mudança com a inclusão de Erik Rutan como guitarrista. Vale lembrar que ele ainda continuava com sua banda Hate Eternal e também seria a mente por trás desse disco. Ele veio para substituir temporariamente Pat O’Brien após uns incidentes pessoais, mas sua chegada teve um impacto imediato, já que foi uma surpresa e trouxe uma expectativa de algo novo e técnico, considerando sua expertise tanto como guitarrista quanto como produtor. Como mencionado, Rutan produziu este álbum e, mais uma vez, trouxe uma clareza impressionante sem sacrificar a brutalidade característica. As guitarras soam complexas, o baixo de Alex Webster tem um peso e uma presença poderosos, enquanto a bateria de Paul Mazurkiewicz, embora tecnicamente eficiente, é totalmente precisa. Assim, toda a sonoridade é extremamente equilibrada, emulando aquele lado brutal e, ao mesmo tempo, técnico do Death Metal. O repertório é muito interessante, e as canções seguem por um lado mais denso, como é o caso de Necrogenic Resurrection, Surround, Kill, Devour, Slowly Sawn e a curtinha Overtorture. No entanto, as que mais se destacam são Murderous Rampage, Inhumane Harvest e Follow the Blood, que são devastadoras. Enfim, é um ótimo disco da banda, apesar de ser um pouco mais cadenciado.

Chaos Horrific – Cannibal Corpse





















NOTA: 8/10

E então chegamos ao último trabalho da banda, lançado no ano passado, o Chaos Horrific, que trouxe poucas mudanças. Após o Violence Unimagined, que foi para um lado mais balanceado. Após tudo aquilo, Erik Rutan substituiu definitivamente Pat O'Brien, e sua adição trouxe uma nova energia e técnica, sendo a peça que manteve o Cannibal Corpse afiado. A expectativa para esse novo trabalho era grande, não apenas por ser um álbum pós-pandemia, mas também porque havia a premissa de ser um pouco mais diferenciado que seu disco anterior. A produção foi novamente liderada por Erik Rutan, trazendo, mais uma vez, aquela clareza rara no Death Metal, permitindo que cada instrumento seja ouvido em toda sua brutalidade, sem que o caos sonoro se torne confuso, diferentemente do Torture. Porém, há muita coisa diferente, como as guitarras estarem mais afiadas e cortantes e as linhas vocais do Corpsegrinder estarem mais ferozes e imponentes, soando ainda mais intensas graças à clareza de toda a sonoridade. Atingindo um nível técnico altíssimo, o álbum reflete tanto a experiência de Rutan quanto a maturidade da banda. O repertório é ótimo, com toda aquela brutalidade, mas um pouco mais intenso em faixas como Overlords of Violence, Frenzied Feeding e na faixa-título. Ao mesmo tempo, o álbum vai para um lado mais técnico em músicas como as excelentes Blood Blind e Pestilential Rictus. No final das contas, é um álbum bem legal, apesar de ser uma continuação de seu antecessor.

He Got Game – Public Enemy 





















NOTA: 9,3/10


Bem, faltou apenas mencionar o outro trabalho que o Public Enemy lançou em 1998, o seu 6º álbum de estúdio, o He Got Game (acabei pulando sem querer). Além de ser mais um disco do grupo, ele serviu como trilha sonora do filme de mesmo nome, dirigido por Spike Lee e estrelado por Denzel Washington. Este álbum foi lançado em um período em que o Hip Hop/Rap estava passando por transformações. A era de ouro já havia passado, e o gênero estava se diversificando, tanto em termos de som quanto de conteúdo. Naquele intervalo de quatro anos, após terem lançado seus álbuns mais clássicos, eles voltaram a trabalhar com a Bomb Squad e também tiveram o retorno do Professor Griff. Esse álbum veio com uma expectativa e a tarefa de se alinhar com a mensagem do filme. A produção do álbum ficou majoritariamente nas mãos de Chuck D e da Bomb Squad, e a sonoridade é carregada com uma energia mais suave em comparação aos trabalhos anteriores do grupo, refletindo a temática do filme, mas mantendo a assinatura crítica e consciente. Os samples são dinâmicos, puxando para o Rock e o Funk (logicamente o americano). O repertório é excelente, e as canções são muito interessantes, cheias de críticas, como em Unstoppable, What You Need Is Jesus e House Of The Rising Son, mas as que mais se destacam são, logicamente, a clássica faixa-título e a energética Go Cat Go. No fim, esse trabalho é incrível, apesar de não ter tido grande sucesso comercial.

M.A.D 2 – Yunk Vino 





















NOTA: 8,8/10


Falando agora da nova mixtape lançada pelo Yunk Vino, que veio como a continuação da mix anterior, algo que fica claro no título Meu Amigo Diário, Vol. 2. O rapper vinha conquistando cada vez mais notoriedade na cena urbana desde seus primeiros lançamentos. Continuando com aquela estética visual forte e um flow característico, ele se destacou pela sua versatilidade em mesclar referências globais e nacionais. O volume 1 foi uma peça-chave para colocar o Vino em destaque na cena, pois o contexto dessas mixtapes era mostrar seu amadurecimento como artista e em sua vida pessoal. A produção contou, mais uma vez, com um monte de gente, os que mais apreceram foram Stuani, Neckklacke e Bvga Beatz, além de outros como Nagalli e Kenji. Todos seguiram a linha moderna do Trap, mas adicionaram camadas mais densas, com beats que exploram texturas mais atmosféricas e uma mistura de elementos melódicos e graves pesados. Toda a sonoridade é precisa e polida, criando uma experiência imersiva e totalmente conectada. O repertório novamente ficou muito bom, e algumas canções seguem um lado mais Hard, como Eu vs Me, além das excelentes US! e Get It. O uso do Plug é frequente em outras faixas, como Dueto, She Said No Words e a sensacional DVD, que conta com a ótima participação do Ryu, the Runner. Tudo aqui ficou muito coeso. No fim, apesar de o volume 1 ter sido melhor por ser mais reflexivo, a continuação ficou muito bem-feita.

Morbid Visions – Sepultura 





















NOTA: 8/10


Depois de lançarem seu primeiro trabalho no formato de EP, o Sepultura, no ano seguinte, acabou lançando o seu primeiro álbum, o Morbid Visions. Após o lançamento do Bestial Devastation, um trabalho que já dava indícios da inclinação deles para o Metal extremo, com influências de Venom, Slayer, Hellhammer e Celtic Frost, o contexto em que o Sepultura surgia era o de uma cena brasileira efervescente no Metal, apesar de todas as dificuldades de produção, equipamentos precários e a falta de apoio da indústria. A produção feita pela banda junto com Zé Luis, no estúdio Estúdios Vice Versa, em Belo Horizonte, acabou resultando em uma sonoridade abafada, com pouca clareza nos instrumentos, o que acabou sendo uma característica charmosa para fãs de Metal extremo, mas uma limitação técnica comparada aos padrões atuais. A bateria do Igor Cavalera, por exemplo, soa distante e pouco precisa em vários momentos, enquanto as guitarras de Max Cavalera e Jairo Guedz são cortantes, mas carecem de nitidez. Apesar de ter sido mal gravado, os temas abordados acabaram se encaixando com toda aquela pegada de Thrash Metal misturada com Death Metal e Black Metal. O resultado foi um repertório interessante, com algumas canções notáveis, como Troops of Doom, War e Funeral Rites, mas também tem algumas músicas sem graça, como Mayhem e Crucifixion. Em suma, apesar de ter sido mal gravado, é um bom disco (e olha que isso é raro de acontecer).

Schizophrenia – Sepultura 





















NOTA: 9/10


No ano seguinte, o Sepultura lança seu 2° álbum, o Schizophrenia, que veio com pequenas mudanças. Após o lançamento do álbum de estreia, a banda estava em transição, pois teve que lidar com a saída de Jairo Guedz. Em seu lugar entrou Andreas Kisser, que trouxe uma nova dimensão, algo que seria crucial na evolução do som da banda. O Sepultura, já começando a atrair atenção no cenário do Metal underground, buscava um som mais técnico e variado, em comparação com o estilo mais rudimentar do primeiro álbum. A produção foi feita por Tarso Senra junto com a própria banda. Dessa vez, a sonoridade é mais refinada, mas ainda mantém aquele lado mais cru. Além disso, eles se aproximaram mais do Thrash Metal, afastando-se um pouco do Death Metal. A qualidade ficou bem melhor que a do seu antecessor. A mixagem realça o som cortante das guitarras, o vocal abrasivo de Max Cavalera e a bateria precisa de Igor Cavalera. A adição de Kisser na guitarra trouxe riffs mais técnicos e solos inspirados na cena americana, que ajudaram a moldar a sonoridade característica da banda. O repertório ficou sensacional, e as canções são todas muito pesadas, como To the Wall, Escape to the Void e Septic Schizo, que são incríveis, além de outras músicas muito boas como From the Past Comes the Storms, R.I.P. (Rest in Pain) e a ótima faixa instrumental Inquisition Symphony. No final de tudo, é um baita disco, que se tornou um clássico do Metal nacional.

Beneath the Remains – Sepultura  





















NOTA: 9,6/10


Dois anos se passam, e o Sepultura lança o clássico Beneath the Remains, que vem cheio de grandiosidade. Após o Schizophrenia, que ajudou a estabelecer a reputação da banda na cena underground do Metal extremo, os dois primeiros discos, apesar de trazerem a crueza e agressividade típicas do Thrash e Death Metal, ainda mostravam uma banda em desenvolvimento. No entanto, foi após o lançamento do último álbum que eles despertaram a atenção da Roadrunner Records. Com o apoio da nova gravadora, o Sepultura teve a oportunidade de gravar esse álbum e alcançar maior divulgação fora do Brasil. A produção foi feita por Scott Burns, o renomado produtor da cena Death Metal da Flórida. Mesmo com um orçamento baixíssimo, a presença de Burns garantiu uma qualidade de produção muito superior à dos álbuns anteriores. Ele foi fundamental para capturar o som pesado, denso e técnico da banda, aprimorando a clareza dos instrumentos, especialmente a bateria de Igor Cavalera, sem perder a agressividade que caracterizava o som deles. O repertório é espetacular, começando com dois clássicos, que são a faixa-título e a lendária Inner Self, além de outras canções sensacionais como Sarcastic Existence, Slaves of Pain e Primitive Future. No remaster de 1997, eles incluíram um ótimo cover em inglês da canção A Hora e a Vez do Cabelo Nascer dos Mutantes. Enfim, esse disco é maravilhoso e um clássico do Thrash Metal.

Arise – Sepultura 





















NOTA: 9,9/10


Indo agora para Arise, que foi basicamente ainda mais agressivo que o álbum anterior. Após lançarem o clássico Beneath the Remains, que lhes deu reconhecimento fora do Brasil, o Sepultura se encontrou sob grande expectativa para o próximo lançamento. Eles quiseram expandir seu som, buscando ser mais do que apenas uma banda de Metal extremo tradicional. Este álbum também reflete uma maior maturidade nas letras, que se afastam um pouco dos temas de destruição apocalíptica e abordam questões mais amplas, como religião, política e controle social. Novamente, a produção ficou a cargo de Scott Burns, e eles foram gravar na Flórida, onde tiveram mais recursos técnicos e a oportunidade de trabalhar com equipamentos de ponta. Soando mais polido que seus antecessores, além de trazer uma sonoridade que ainda tinha bastante Thrash Metal, eles incorporaram elementos do Death Metal, influências industriais e até experimentações com percussão tribal, que se tornariam mais evidentes em trabalhos futuros. Mais uma vez, o repertório é magnífico, e já no início começa com a clássica faixa-título, seguida por Dead Embryonic Cells e Desperate Cry, que são sensacionais, além de outras como Altered State e Meaningless Movements. Não posso esquecer da faixa bônus, que é o cover de Orgasmatron do Motörhead, que ficou tão bom quanto a original. No fim, esse trabalho é mais um clássico da banda, mostrando o quanto a banda mineira estava voando.
  

Review: Cursum Perficio do Anthrax

                   Cursum Perficio – Anthrax NOTA: 8,7/10 Dez anos depois, o Anthrax enfim retornou com um álbum novo, o Cursum Perficio. Ap...