terça-feira, 4 de março de 2025

Analisando Discografias - Milton Nascimento: Parte 2

                 

Geraes – Milton Nascimento





















NOTA: 9,9/10


No final do ano de 1976, Milton Nascimento voltou lançando mais um disco, o Geraes. Após o Minas, o cantor decidiu aprofundar a exploração de temas ligados à sua terra natal e às tradições culturais de Minas Gerais. O título do álbum, uma grafia arcaica de "Gerais", reforça essa ligação intrínseca com o estado e suas paisagens. Tudo isso foi feito em um momento em que Milton estava completamente mal por conta de seus problemas pessoais, muito influenciados pelo governo militar. A produção, feita por Ronaldo Bastos, trouxe uma sonoridade profunda, com os arranjos de Milton Miranda sendo extremamente sentimentais. O resultado é uma junção de Jazz, Folk e, logicamente, MPB, criando um clima de leveza. O repertório é sensacional, e as canções são belíssimas, trazendo uma vibe bem atmosférica (mesmo que não seja algo na linha do Milagre dos Peixes). No fim, é um disco maravilhoso e um dos mais profundos de sua carreira. 

Melhores Faixas: O Que Será (À Flor Da Pele) (belíssima participação do Chico Buarque), Lua Girou, Fazenda, Carro De Boi 
Vale a Pena Ouvir: Calix Bento, Menino, Caldera

Milton (1976) – Milton Nascimento





















NOTA: 9/10


Ainda naquele ano, Bituca lançou mais um álbum para o mercado internacional, intitulado Milton. Após o Geraes, Milton Nascimento decidiu gravar outro trabalho para o exterior, já que estava no auge criativo, incorporando influências internacionais e explorando novas sonoridades. A produção, feita por Rob Fraboni, contou com músicos renomadíssimos, como Herbie Hancock, Robertinho Silva e Wayne Shorter, entre outros. O resultado é uma sonoridade completamente voltada para o Jazz Rock, com muita experimentação, chegando a apresentar algumas influências progressivas. No entanto, todo aquele clima da MPB continua a pairar nos arranjos. O repertório é muito interessante; apesar de a maioria das faixas serem regravações (algumas cantadas em inglês), há duas ótimas inéditas. Em suma, esse trabalho é incrível e traz um forte toque de experimentalismo. 

Melhores Faixas: Raça (Hasa) (Race), Nothing Will Be As It Was (Nada Será Como Antes), Francisco 
Vale a Pena Ouvir: Os Povos (The People), Fairy Tale Song (Cadê), One Coin (Tostão)

Clube da Esquina 2 – Milton Nascimento





















NOTA: 9,8/10


Dois anos se passaram, e Milton Nascimento lançou Clube da Esquina 2, que trazia novidades. Após o Milton (1976), o cantor, que estava no auge de sua experimentação musical, decidiu fazer essa sequência de Clube da Esquina, só que, dessa vez, seu grande parceiro Lô Borges não esteve tão presente no projeto. Assim, ele trouxe uma reafirmação dos valores e das experimentações iniciadas no álbum anterior. A produção, feita por Mariozinho Rocha, contou com o apoio do próprio Milton, Ronaldo Bastos e Novelli. O resultado foi uma sonoridade um pouco mais abrangente dentro da MPB, indo para um lado mais sentimental do Folk, além de influências psicodélicas e progressivas que aparecem em alguns momentos harmônicos, como nos barulhos de sopros e metais. O repertório é brilhante, com canções belíssimas e bem encadeadas, além de ótimas participações. Enfim, esse disco duplo é sensacional, porém muito subestimado por estar à sombra de seu predecessor. 

Melhores Faixas: Maria, Maria, Nascente (participação do Flávio Venturini), Paixão E Fé, Pão E Água (Dueto maravilhoso com Lô Borges), O Que Foi Feito Deverá / O Que Foi Feito De Vera (Elis Regina ofuscou totalmente o Milton), Dona Olímpia (Your Moon) 
Vale a Pena Ouvir: Meu Menino, Mistérios, Canoa, Canoa, Testamento

Journey To Dawn – Milton Nascimento





















NOTA: 9,1/10


No ano seguinte, Milton lançou mais um trabalho para o mercado exterior, o Journey to Dawn. Após o Clube da Esquina 2, o Milton Nascimento, apesar de todo o sucesso que tinha no cenário musical brasileiro, continuava bastante mal, principalmente por não conseguir ver seu filho Pablo. Além disso, ele estava quase se afogando na bebida, então, para gravar esse álbum nos Estados Unidos, decidiu tratar seu vício. A produção, conduzida por Jim Price, foi muito bem elaborada, com arranjos que mesclam a essência brasileira de Milton com influências do Jazz Fusion e do Folk progressivo, o que criou várias camadas ambientalistas em todo o lado melódico e harmônico do som. O repertório é muito legal, as canções ficaram muito bem interpretadas, e as faixas inéditas são ótimas. Em suma, é um baita disco e um dos melhores lançados para fora do Brasil. 

Melhores Faixas: Journey To Dawn, O Cio Da Terra, Credo 
Vale a Pena Ouvir: Maria, Maria, Paula & Bebeto, Pablo II

Sentinela – Milton Nascimento





















NOTA: 8,8/10


Mais um ano se passou, e Milton lançou mais um álbum de estúdio, o Sentinela, que era um pouco mais temático. Após o Journey to Dawn, o cantor continuava a explorar novas sonoridades. Além disso, ele encerrou seu vínculo com a EMI e decidiu não seguir as tendências da época, então acabou não sendo afetado por aquele começo de pasteurização que pairou na música mundial dos anos 80. A produção, feita por Marco Mazzola e lançada pelo selo da gravadora alemã Ariola, trouxe uma sonoridade bem mais melódica, com arranjos muito mais elaborados, tentando deixar tudo bem cadenciado e conectado com as letras poéticas de Milton, pegando influências progressivas e do Folk contemporâneo. O repertório é muito legal, com canções que vão de melancólicas a envolventes. Enfim, é um disco muito interessante, que é criminosamente subestimado. 

Melhores Faixas: Canção Da América, Roupa Nova, Cantiga (Caicó) - Tema Folclórico 
Vale a Pena Ouvir: Sentinela (participação da Nana Caymmi, Peixinhos do Mar, Tudo, Sueño Con Serpientes (participação da cantora argentina Mercedes Sosa), Itamarandiba

Caçador de Mim – Milton Nascimento





















NOTA: 9/10


Mais um ano se passou, e Milton Nascimento lançou mais um trabalho intitulado Caçador de Mim. Após o Sentinela, ele continuou a seguir para um lado mais experimental e, como estava totalmente fora do que a grande mídia sugeria para continuar tendo alguma relevância artística, Milton sabia que não precisava se preocupar com isso, já que sua obra estava cada vez mais indo para um lado mais profundo. Produzido por Marco Mazzola, que trouxe arranjos bem mais refinados e uma sonoridade que saiu daquela fórmula mais voltada para o Jazz, indo para um lado mais progressivo, principalmente nas melodias, além de juntar toda aquela profundidade característica da MPB. O repertório ficou muito legal, as canções ficaram bem melódicas e com maior foco em temas mais reflexivos. No final, é um ótimo disco e um dos mais profundos de sua carreira. 

Melhores Faixas: Caçador De Mim, Amor Amigo, Coração Civil, Sonho De Moço 
Vale a Pena Ouvir: Vida, Nos Bailes Da Vida (participação da banda Roupa Nova), Notícias Do Brasil (Os Pássaros Trazem)

Anima – Milton Nascimento





















NOTA: 7,2/10


Outro ano se passou, e mais um disco foi lançado, intitulado Anima, que seguiu algo mais encadeado. Após o Caçador de Mim, Milton quis fazer algo um pouco mais pessoal e, ao mesmo tempo, que seguisse um pouco da sonoridade que os artistas da MPB estavam buscando. Só que, é claro, ele não quis ser mais um que foi pasteurizado, assim como a maioria acabou sendo, muito por conta de dois músicos virtuosos (não é Lincoln Olivetti?). Bom, a produção foi realizada mais uma vez por Marco Mazzola, que deixou a sonoridade um pouco mais enquadrada nas influências do Soft Rock e do Pop progressivo, muito por conta dos arranjos, além de resgatar coisas que ele já tinha feito no Clube da Esquina. Só que, claro, algumas coisas faltaram uma melhor conexão. O repertório é bem interessante, e as canções continuaram naquele lado melódico, só que há algumas que apresentam irregularidades. No fim, é um disco bom, mas que poderia ter tido mais adaptação. 

Melhores Faixas: Olha, As Várias Pontas De Uma Estrela (participação do Caetano Veloso), Filho 
Piores Faixas: Coração Brasileiro, Teia de Renda, No Analices (vinheta desnecessária)

                                                         Então é isso e flw!!!   

segunda-feira, 3 de março de 2025

Analisando Discografias - Milton Nascimento: Parte 1

                 

Milton Nascimento (Travessia) – Milton Nascimento





















NOTA: 9,3/10


Em 1967, o lendário Milton Nascimento lançava seu álbum de estreia autointitulado, mas que ficou mais conhecido como Travessia. O nosso querido Bituca já demonstrava inclinação musical desde a infância. Nascido no Rio de Janeiro, mudou-se ainda criança para Três Pontas, Minas Gerais, onde integrou o grupo W’s Boys ao lado de Wagner Tiso, apresentando-se em bailes locais. Posteriormente, transferiu-se para Belo Horizonte para cursar Economia, período em que intensificou suas composições e parcerias musicais. A produção foi orquestrada por Luiz Eça junto com seu conjunto musical Tamba Trio, que fez os arranjos ficarem totalmente refinados, com uma certa aura de grandiosidade, pegando altas influências de Samba Soul e do Pop barroco. O repertório é maravilhoso, com canções belíssimas e muito bem encadeadas. No fim, é um belo disco de estreia que marcou o início de sua brilhante carreira. 

Melhores Faixas: Travessia, Morro Velho, Irmão de Fé 
Vale a Pena Ouvir: Três Pontas, Girou, Girou, Outubro

Courage – Milton Nascimento





















NOTA: 9/10


No ano seguinte, Milton lançou seu 2º álbum, intitulado Courage, que era basicamente uma versão deluxe de seu antecessor. Após seu disco de estreia, Milton Nascimento ganhou destaque no cenário musical brasileiro. Sua participação no Festival Internacional da Canção com a música Travessia chamou a atenção de produtores internacionais, levando-o a assinar um contrato de três álbuns. A produção foi conduzida por Creed Taylor, com arranjos de Eumir Deodato. A gravação reuniu músicos renomados, incluindo Herbie Hancock no piano e Airto Moreira na percussão, além de uma orquestra com mais de 40 músicos, enriquecendo os arranjos com cordas e sopros, deixando a sonoridade mais refinada e próxima da Bossa Nova e do Jazz. O repertório é praticamente o mesmo, contando com algumas canções cantadas em inglês, e tudo ficou muito bom. No fim, é um ótimo trabalho que agregou demais à sua carreira. 

Melhores Faixas: Outubro, Courage, Catavento 
Vale a Pena Ouvir: Bridges (Travessia), Rio Vermelho, Morro Velho

Milton Nascimento (1969) – Milton Nascimento





















NOTA: 8,8/10


Mais um ano se passou, e Bituca lançou mais um disco autointitulado, que começou a preparar suas bases futuras. Após o Courage, Milton Nascimento já era reconhecido tanto no Brasil quanto no exterior. Sua capacidade de mesclar elementos tradicionais brasileiros com influências internacionais chamou a atenção de críticos e do público, mas sua ambição era deixar seu trabalho com um clima ainda mais grandioso. Produzido por Milton Miranda, com direção musical de Lyrio Panicali. Os arranjos, conduzidos por Luiz Eça, Paulo Moura e Maurício Mendonça, contribuíram para a sofisticação do som, trazendo ainda mais influências da Bossa Nova e do Folk contemporâneo, buscando um equilíbrio com os novos artistas da MPB. O repertório é totalmente inédito e muito bom, com canções envolventes e harmoniosas, totalmente coesas. Enfim, é outro disco belíssimo, porém não muito lembrado. 

Melhores Faixas: Pescaria (Canoeiro) / O Mar É Meu Chão, Quatro Luas 
Vale a Pena Ouvir: Tarde, Aqui,Oh!, Rosa Do Ventre

Milton (1970) – Milton Nascimento





















NOTA: 10/10


Entrando na década de 70, o cantor lançou seu 4º álbum de estúdio, o clássico e espetacular Milton, de 1970. Após o álbum de 1969, ele participou de projetos cinematográficos, compondo o tema para um documentário sobre o jogador Tostão e atuando, além de produzir a trilha sonora, no filme Os Deuses e os Mortos, do diretor moçambicano Ruy Guerra. Essas experiências influenciaram diretamente a concepção desse álbum. Produzido por Milton Miranda e lançado pelo selo da EMI-Odeon, trouxe uma sonoridade que seguiu para um lado mais psicodélico, muito devido à ótima banda de apoio, o Som Imaginário. Além disso, continuou seguindo muitas influências barrocas e do Folk contemporâneo, deixando os arranjos refinadíssimos. O repertório é simplesmente perfeito, com canções que são verdadeiros hinos da música brasileira, graças também à sua voz marcante. No final, é um trabalho maravilhoso e um dos mais importantes de sua carreira. 

Melhores Faixas: Para Lennon E McCartney, Clube da Esquina, Canto Latino, Amigo, Amiga
Vale a Pena Ouvir: Alunar, Durango Kid

Clube da Esquina – Milton Nascimento & Lô Borges





















NOTA: 10/10


E aí chegamos ao ano de 1972, quando, precisamente 53 anos atrás, era lançado o atemporal Clube da Esquina. Tudo começou quando um grupo de jovens músicos de Minas Gerais começou a se reunir para compartilhar ideias e composições. Esses encontros informais, realizados na esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, em Belo Horizonte, deram origem a um dos maiores coletivos da música brasileira. Só um detalhe: os meninos na capa não são Milton e Lô, e sim dois garotos que moravam na região serrana do Rio de Janeiro. A produção, feita por Milton Miranda e Lindolfo Gaya, foi marcada por um espírito de coletividade e experimentação, com uma sonoridade que ia desde música psicodélica, Folk e Rock progressivo até Pop barroco. O repertório é maravilhoso, parecendo uma coletânea, e, sendo um disco duplo, se for para escolher, fico com a 1ª parte. Em suma, esse disco é sensacional e um dos melhores álbuns de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Tudo Que Você Podia Ser, Um Girassol Da Cor De Seu Cabelo, Paisagem Da Janela, Nada Será Como Antes, Clube Da Esquina Nº 2, Cravo e Canela, Cais 
Vale a Pena Ouvir: Trem de Doido, Dos Cruces, Me Deixa Em Paz (participação da Alaíde Costa), Um Gosto De Sol

Milagre Dos Peixes – Milton Nascimento





















NOTA: 10/10


No ano seguinte, Milton voltou ainda mais inspirado, lançando outro trabalho maravilhoso, o Milagre dos Peixes. Após o Clube da Esquina, o Brasil vivia sob a ditadura militar, marcada pela repressão à liberdade de expressão. Então, o cantor decidiu fazer um trabalho que refletisse a resistência cultural e a busca por novas formas de expressão diante das limitações impostas. A produção, conduzida por Milton Miranda e Fernando Brant, foi marcada por desafios significativos devido à censura. Das 11 faixas, oito tiveram suas letras proibidas pelo regime militar. Em vez de desistir das composições, ele optou por gravá-las como peças instrumentais ou utilizando vocais sem palavras, transformando a voz em um instrumento adicional e deixando o trabalho totalmente experimental (olha a visão do cara, mano!). O repertório é simplesmente maravilhoso, e as canções vão desde um lado melancólico até um mais ambiental. Enfim, esse disco é fantástico e uma joia rara da música brasileira. 

Melhores Faixas: Milagre Dos Peixes, Hoje É Dia De El-Rey, Tema Dos Deuses, A Última Sessão De Música 
Vale a Pena Ouvir: Carlos, Lúcia, Chico E Tiago, A Chamada, Sacramento

Minas – Milton Nascimento





















NOTA: 10/10


Dois anos depois, Milton lançou seu 6º álbum de estúdio, o Minas, que saiu daquele lado mais instrumental. Após o maravilhoso Milagre dos Peixes, Bituca mostrou sua versatilidade ao mesclar tradições musicais brasileiras com influências internacionais. Com esse disco, ele decidiu aprofundar sua conexão com as raízes mineiras e explorar temáticas ligadas à terra natal e à identidade cultural. A produção, conduzida por Ronaldo Bastos, com arranjos feitos por Wagner Tiso, levou a sonoridade para um lado um pouco mais abrangente, mantendo aquele clima de grandiosidade, mas resgatando com mais força as influências psicodélicas e trazendo de volta uma espécie de virtuosismo da música progressiva, deixando de lado a suavidade tradicional da MPB. O repertório é simplesmente maravilhoso, parecendo novamente uma coletânea, pois as canções são belíssimas e a base instrumental é algo incrível. No fim, é um baita disco e outro clássico da música brasileira. 

Melhores Faixas: Ponta De Areia, Beijo Partido, Fé Cega, Faca Amolada (participação do Beto Guedes), Paula e Bebeto 
Vale a Pena Ouvir: Minas, Idolatrada

    Então um abraço e flw!!!        

domingo, 2 de março de 2025

Analisando Discografias - Víctor & Leo

                   

Vitor e Leo – Vitor e Leo





















NOTA: 8/10


Em 2002, uma dupla vinda de Ponte Nova, em Minas Gerais, lançou seu álbum de estreia. O nome deles: Victor & Leo. A trajetória dos irmãos Chaves começou 10 anos antes. Naquela época, eles viviam na cidade de Abre Campo e já escutavam muito Sertanejo, pois sempre tocava na radiola do avô. Eles começaram a cantar juntos e, dois anos depois, se mudaram para Belo Horizonte, onde estudaram canto por cinco anos. Até que, em 2001, mudaram-se para São Paulo, onde assinaram com o selo da Number One, graças a um convite do casal Eduardo Araújo e Sylvinha Araújo. A produção do álbum foi feita pela própria dupla, trazendo uma sonoridade alinhada ao Sertanejo universitário, mas com um viés romântico característico da última década. Além disso, as influências da Country music são bem aparentes. O repertório é muito bom, com canções agradáveis e sem exageros. No fim, é um ótimo disco de estreia, começando com o pé direito. 

Melhores Faixas: Deus E Eu No Sertão, Não Minta Pra Mim 
Vale a Pena Ouvir: Do Outro Lado Do Rádio, Não Vá Pra Califórnia, Ritmo Da Chuva, Escondendo O Jogo

Vida Boa – Victor & Leo





















NOTA: 9/10


Dois anos se passaram, e Victor & Leo lançaram seu 2º disco, o Vida Boa, que trouxe algumas mudanças. Após o álbum de estreia, que, mesmo sendo bom, não teve um grande êxito comercial, eles tiveram que migrar para um cenário mais underground, tocando em bares e alguns eventos. Até que decidiram lançar mais um álbum para ganhar mais relevância no cenário. A produção foi feita por eles mesmos novamente, e o trabalho foi lançado de forma totalmente independente. Aqui, eles decidiram buscar uma sonoridade única, mesclando Sertanejo romântico com Country e Rock, pois já demonstravam fortes influências de artistas como Neil Young e Bruce Springsteen, resultando em um som totalmente imersivo. O repertório ficou muito legal, com canções que estabeleceram uma maior conexão com o campo e toques de romantismo. No final de tudo, é um belo disco, que mostrou uma grande evolução da dupla. 

Melhores Faixas: Vida Boa, Amigo Apaixonado, É A Vida, Paraíso, Tanta Solidão 
Vale a Pena Ouvir: Adeus Saudade, Fada, O Granfino E O Caipira, Lem Casa

Borboletas – Victor & Leo



















NOTA: 10/10


Então, se passaram quatro anos, e Victor & Leo lançaram o clássico álbum Borboletas. Após o Vida Boa, a dupla alcançou um grande sucesso, o que os levou a gravar um álbum ao vivo em Uberlândia, no ano de 2007. Além disso, eles assinaram com uma grande gravadora, a Sony, então tudo estava certo para a gravação de um novo material. A produção foi feita por eles mesmos, como sempre, mas agora com a ajuda de Ivan Correa. Juntos, adicionaram mais arranjos acústicos e buscaram equilibrar o tradicional e o moderno dentro do Sertanejo. Neste álbum, intensificaram ainda mais as influências do Country, mas incorporaram também um toque de Moda de viola. O repertório é sensacional, e as canções têm melodias totalmente suaves, que combinam perfeitamente com as letras, além das boas regravações de músicas anteriores. Enfim, esse disco é brilhante e, certamente, a última obra-prima da música Sertaneja. 

Melhores Faixas: Borboletas, Luz, Paixão, Rodeio, Deus E Eu No Sertão, Lado Errado, Tem Que Ser Você 
Vale a Pena Ouvir: Nada Normal, Noite Estelar, Razão Do Meu Astral

Boa Sorte Pra Você – Victor & Leo



















NOTA: 7,1/10


Chega em 2010, e os irmãos Chaves lançam mais um álbum, o Boa Sorte pra Você, que seguiu um caminho bem diferente. Após o maravilhoso Borboletas, que consolidou a dupla no cenário nacional, Victor & Leo queriam que seu próximo álbum viesse em um momento de transição, no qual buscavam expandir ainda mais sua sonoridade, mas mantendo a essência do Sertanejo. A produção foi feita por eles, mas agora com a ajuda do renomadíssimo Guto Graça Mello, que refinou a qualidade da gravação e dos arranjos, mantendo os violões característicos, mas incorporando novos elementos musicais, como instrumentos de percussão e um toque mais Pop nas melodias, com influências do Sertanejo universitário (apesar de a dupla renegar), Folk e Country Pop. O repertório é interessante, trazendo canções muito boas e outras que são apenas baladinhas xexelentas. Enfim, é um trabalho bom, mas que trouxe alguns pequenos problemas. 

Melhores Faixas: Água De Oceano, Rios De Amor, Retratos Rasgados, Boa Sorte Pra Você
Piores Faixas: Nascemos Pra Cantar, Água De Oceano (Versão Reggae), Quando É Amor

Amor de Alma – Victor & Leo





















NOTA: 2,6/10


No ano seguinte, Victor & Leo lançam seu 5º álbum de estúdio, o Amor de Alma, que seguiu um caminho totalmente comercial. Após o Boa Sorte pra Você, a dupla tentou se adequar às tendências que estavam surgindo, principalmente do Sertanejo universitário, que dominava as paradas. Então, eles buscaram equilibrar isso com a incorporação de outros estilos. A produção foi feita inteiramente por eles, sem ajuda de nenhum colaborador, e a dupla optou por arranjos mais refinados, mas com uma abordagem modernizada, agora com mais influências de Country Pop, Folk e, na maior parte das vezes, Forró. No entanto, tudo aqui soa repetitivo demais, e o toque de leveza acaba se tornando algo pouco orgânico. O repertório é muito fraco, composto por baladas ruins e canções sem emoção, com poucos momentos interessantes. Enfim, é um disco bem ruim, que chega a ser constrangedor. 

Melhores Faixas: Lágrimas, Fuscão Preto / O Doutor E A Empregada / O Fuscão E A Empregada 
Piores Faixas: Sonhos E Ilusões Em Mim (participação da chatíssima da Paula Fernandes), Lu, Longe, Mal Resolvido

Viva Por Mim – Victor & Leo





















NOTA: 3/10


Em 2013, a dupla lança outro disco, intitulado Viva por Mim, que não trouxe muitas novidades. Após o fraquíssimo Amor de Alma, apesar de estarem estabelecidos como uma das maiores duplas sertanejas do Brasil, eles enfrentavam desafios com a constante renovação do gênero, que ganhava novas influências e se aproximava ainda mais do Sertanejo universitário. A produção seguiu o padrão de sempre, e, dessa vez, o álbum foi lançado pelo selo da Som Livre, trazendo arranjos modernos, com guitarras mais presentes e elementos eletrônicos, ainda fazendo o uso de violão. Além disso, eles decidiram explorar uma fusão ainda maior de gêneros, incluindo influências do Folk, Pop Rock e até um toque de música eletrônica, deixando a sonoridade completamente descaracterizada e sem qualquer coesão. O repertório é muito irregular, com algumas canções boas, mas a maioria fraquíssima. Em suma, é um trabalho ruim e repleto de inconsistências. 

Melhores Faixas: Tudo Bem (bela participação do Almir Sater), Na Linha Do Tempo, Nem Sei
Piores Faixas: Amor.com, Eu Vim Pra Te Buscar, Guerreiro (participação do Jorge & Mateus), Conheço Pelo Cheiro, Viva Por Mim (imitaram Leandro & Leonardo na cara de pau)

Irmãos (Ao Vivo) – Victor & Leo





















NOTA: 2,8/10


Três anos se passaram, e Victor & Leo lançaram mais um álbum ao vivo (seguindo o padrão dos álbuns Sertanejos de hoje), intitulado Irmãos. Após o Viva por Mim, a dupla focou muito mais em suas turnês, já que sua relevância no cenário sertanejo havia caído fortemente. No entanto, eles decidiram lançar um trabalho ao vivo que seguisse um pouco das tendências adotadas pelas novas duplas. A produção foi conduzida, como sempre, pela própria dupla, e a apresentação foi gravada no início de 2015, nos Estúdios Quanta, em São Paulo, proporcionando uma atmosfera intimista e permitindo uma conexão mais direta com o público. Apesar disso, a sonoridade permaneceu na mesmice, totalmente enquadrada na estética do Sertanejo universitário e do Arrocha. O repertório é muito fraco, com muitas canções ridículas e poucas realmente interessantes. Enfim, é um trabalho chato e tedioso. 

Melhores Faixas: Estrada Vermelha (participação do Milionário & José Rico: isso foi gravado 2 meses antes do falecimento do José Rico), Tempo De Amor, Anjo ou Fera 
Piores Faixas: Décimo Quinto Andar, Sabor Dos Ventos, Como Eu Amei, 10 Minutos Longe De Você (participação dos pavorosos Henrique & Juliano), Escuridão Iluminada (outra participação nada ilustre: Wesley Safadão)

Na Luz do Sol – Victor & Leo





















NOTA: 2/10


Então, chegamos ao final de 2017, quando Victor & Leo lançaram seu 7º álbum de estúdio e último até então, o Na Luz do Sol. Após o Irmãos, a dupla não fez muita coisa, lançando apenas um álbum de duetos. Até que, em fevereiro daquele ano, Victor foi acusado de agredir sua esposa, que estava grávida. Ela prestou queixa, e, logicamente, o cantor negou as acusações. Mais tarde, o corpo de delito confirmou que não houve agressão e a mulher retirou as acusações. No entanto, a dupla foi substituída como jurada no programa The Voice Kids, o que fez com que eles precisassem focar nesse álbum. A produção foi a mesma de sempre, mas agora eles implementaram elementos do Sertanejo com R&B, Blues e Pop Rock. Porém, muitas das melodias fazem você perceber que eles copiaram Bruce Springsteen o tempo todo, e, no fim, tudo ficou muito arrastado e repetitivo. O repertório é fraco, com músicas bem ruins e que são bem chatinhas. Enfim, esse trabalho é ruim e nada inovador. 

Melhores Faixas: Louco Por Você, O Beijo Que Eu Mais Quis 
Piores Faixas: Futuro Namorado, Bom Tudo Pra Você, Senhorita, In Love
 

                                     Então é isso, um abraço e flw!!!  

sábado, 1 de março de 2025

Analisando Discografias - Zezé Di Camargo & Luciano: Parte 3

                 

Zezé Di Camargo & Luciano (2003) – Zezé Di Camargo & Luciano





















NOTA: 2/10


Em 2003, Zezé Di Camargo & Luciano lançaram mais um disco, sendo este o último de forma anual, a melhor coisa que fizeram. Após o álbum de 2002, ainda seguindo uma fórmula decadente, conseguiram ganhar o prêmio da Academia Brasileira de Letras como melhor dupla (provavelmente pelos feitos passados), mas, no geral, partiram para lançar mais um material inédito. A produção seguiu o mesmo padrão de sempre, com aquele som Sertanejo completamente modernizado, mas que apagou todos os timbres e melodias característicos do estilo de cantar em dupla. Aliás, nesse trabalho já é possível perceber que a voz de Zezé Di Camargo estava ficando desgastada, e olha que provavelmente tentaram ajustá-la para se parecer com sua voz de tempos atrás, mas o problema já era aparente. O repertório, nem preciso dizer, é muito ruim, com canções bem chatinhas e poucas realmente coesas. Enfim, este disco é fraquíssimo e trouxe muitos problemas. 

Melhores Faixas: Demorou Demais, Tristeza Do Jeca 
Piores Faixas: Pra Mudar A Minha Vida, Galera Felicidade (Ô Trem Bão / A Lua), Não Era Pra Ser Assim, Uma Grande Mentira, Toneladas De Paixão

Zezé Di Camargo & Luciano (2005) – Zezé Di Camargo & Luciano





















NOTA: 1/10


Dois anos se passaram, e os irmãos Camargo retornaram lançando outro disco tenebroso, o que já não era mais novidade. Após o álbum de 2003, Zezé Di Camargo & Luciano não fizeram nada de relevante, apenas lançaram uma grande coletânea contendo algumas de suas canções mais tocadas, muito provavelmente a mando da gravadora Sony, que agora tinha por completo o catálogo deles, sem mais precisar dividi-lo com a Columbia. A produção desse disco, conduzida como sempre por César Augusto, fez com que os arranjos fossem cuidadosamente elaborados para mesclar o Sertanejo tradicional com influências contemporâneas (principalmente de uma nova onda que surgia), buscando atrair tanto os fãs antigos quanto uma nova audiência. Só que tudo ficou tão sem identidade que parece uma colagem de músicas sem coesão. O resultado foi um repertório horrível, com canções chatíssimas. No fim, é um disco péssimo e completamente esquecível. 

Melhores Faixas: (...................) 
Piores Faixas: Meu Destino Te Escolheu, Foi, Fera Mansa, Paguei Pra Ver, Meu Coração (repetição exagerada), Vai Dar Tudo Certo (acho que não em)

Zezé Di Camargo & Luciano (2008) – Zezé Di Camargo & Luciano



















NOTA: 1/10


Era 2008, e após uma série de problemas, o Zezé Di Camargo & Luciano retornaram lançando mais um disco. Após o álbum de 2005, Zezé passou por uma cirurgia nas cordas vocais, e o médico recomendou que ele ficasse com a voz em repouso por oito meses. Só que isso não foi cumprido, pois, em questão de três meses, ele já estava pedindo para o empresário marcar shows, o que acabou prejudicando sua voz novamente. Mesmo marcando outra cirurgia, sua voz nunca mais voltou a ser a mesma, e, ainda assim, eles decidiram gravar outro material. A produção foi aquela mesma de sempre, com arranjos extremamente modernizados e uma sonoridade que entra em um loop superrepetitivo, deixando tudo sem consistência. O repertório é horroroso, as canções são totalmente enjoativas e repetem a fórmula de músicas antigas, sem nenhum brilho. No fim, este disco é tenebroso e mostra por que eles estavam caindo no ostracismo. 

Melhores Faixas: (..............) 
Piores Faixas: O Povo Fala, Nunca Amei Assim, O Que Vai Ser De Nós, Pelos Botecos Do Brasil, Vida Boa

Zezé Di Camargo & Luciano (2012) – Zezé Di Camargo & Luciano



















NOTA: 1,3/10


Quatro anos se passaram, e Zezé Di Camargo & Luciano retornaram lançando mais um disco, em meio a um clima de tensão. Após o álbum de 2008, a dupla enfrentou problemas, como as cordas vocais de Zezé, que continuavam fragilizadas, e o lançamento de outro álbum, desta vez duplo, o Double Face, no qual o segundo disco, composto por covers, acabou ofuscando as canções inéditas. Para piorar, em um show realizado em Curitiba, a dupla teve um desentendimento nos camarins e, por pouco, não se desfez. A produção, feita como sempre por César Augusto, trouxe aquela sonoridade de sempre, cheia de arranjos sem coesão e com poucas melodias que resgatassem o lado mais leve que tiveram anteriormente, resultando em um loop repetitivo. O repertório ficou muito ruim, sendo uma mistura de canções gravadas em estúdio e outras ao vivo, retiradas de um DVD deles, que são péssimas. No final de tudo, é outro trabalho tenebroso e completamente sem emoção. 

Melhores Faixas: (.......oh chatice......) 
Piores Faixas: Eu Assumo, Sonho de Amor, Labirinto, Em Algum Lugar Do Passado, Sou Seu Amor E Você É A Minha Vida, Eu Tô Na Pista Eu Tô Solteiro

Teorias de Raul – Zezé Di Camargo & Luciano



















NOTA: 3/10


Dois anos se passaram, e eles lançaram mais um disco, intitulado Teorias de Raul (até que enfim o título não é o nome da dupla). Após o álbum de 2012, Zezé Di Camargo & Luciano, mesmo após 20 anos de carreira, ainda tinham o desejo de continuar fazendo muito sucesso, assim como os novos artistas da porcaria do Sertanejo universitário estavam fazendo. Então, seguiram um caminho mais comercial. A produção foi praticamente a mesma, trazendo arranjos completamente modernos, mas que seguiam a linha melódica que a dupla sempre fez desde o início. Só que, é claro, muita coisa acaba ficando repetitiva demais e, ao mesmo tempo, desconectada das linhas vocais deles. O repertório é bem fraco, com algumas canções interessantes e outras feitas apenas para seguir tendências comerciais. Em suma, é um trabalho ruim, mas que, no mínimo, tem certa coerência. 

Melhores Faixas: Se For Pra Judiar, Seca Verde (isso aqui é muito Sertanejo de raiz), Coisas Do Amor, Pedaços De Fotografia 
Piores Faixas: Assim Será O Nosso Amor, Do Outro Lado Da Moeda (basicamente eles pegaram a faixa-título do álbum do Gusttavo Lima e colocaram aqui), Depende, Nada É Igual (I Can See Clearly Now), Cumplicidade, Para

Dois Tempos – Zezé Di Camargo & Luciano





















NOTA: 2,2/10


Mais um tempo se passou, e Zezé Di Camargo & Luciano lançaram outro disco, o Dois Tempos. Após o Teorias de Raul, a dupla, vendo todo o sucesso dessas pseudo-duplas sertanejas de hoje em dia, pensou que poderia pegar essas influências e aplicá-las ao seu estilo musical, que seguia aquela fórmula do Sertanejo romântico, tornando o trabalho ainda mais comercial. A produção é praticamente a mesma, o que não é novidade, mas a sonoridade ficou ainda mais engessada, com maior destaque para as linhas dos músicos de apoio, assim como acontece com esse pessoal de hoje. Os arranjos são totalmente modernosos, mas tudo soa extremamente previsível. O repertório é muito ruim, com canções cansativas, muitas delas ridículas, e poucas realmente interessantes, além de algumas participações nada brilhantes. Enfim, é outro disco péssimo e, para piorar, ainda teria uma continuação. 

Melhores Faixas: Minha Vida, Cotovelo Vai Doer 
Piores Faixas: Amor De Motel, Já Foi O Nosso Tempo, Mentira, Intenso (participação do Jorge & Mateus, aí vocês já sabem né), The Prayer (participação da Wanessa Camargo e tudo cantado em inglês, que troço tenebroso)

Dois Tempos, Pt. 2 – Zezé Di Camargo & Luciano





















NOTA: 2/10


Então, em 2017, chegamos ao último lançamento até o momento do Zezé Di Camargo & Luciano, Dois Tempos, Pt. 2. Após a primeira parte do Dois Tempos, eles continuaram fazendo shows de divulgação e dizendo que essa continuação seguiria a linha poética do álbum anterior (eu só não sei onde teve algo poético), mas, no resto, não trouxeram tantas novidades. A produção foi feita novamente por César Augusto, que basicamente seguiu a linha do Volume 1, apenas tentando deixar os arranjos o mais próximo possível dos primeiros trabalhos da dupla, já que, provavelmente, muita gente da crítica percebeu que eles estavam se aproximando demais do Sertanejo universitário. Mas, no geral, é a mesma porcaria de sempre. O repertório, novamente, é muito ruim, com canções sem emoção e extremamente chatas, e olha que, de novo, ainda teve algumas músicas que se salvaram. No final de tudo, é um disco horrível, que encerra essa série de forma bem abaixo do esperado. 

Melhores Faixas: Frio Na Primavera (boa participação do Fagner), Anjo Do Amor 
Piores Faixas: Boa Sorte, Deu Ocupado De Novo (participação da Marília Mendonça e que coisa ruim), Seu Fã, Eu Sempre Sonhei (esse tal de Felipe Duram é desafinado demais), Me Cambiaste La Vida (os cara cantando espanhol de novo, MEU JESUS)

    Então um abraço e flw!!!        

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