sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Analisando Discografias - Frank Sinatra (RA: XLIV)

                            

Sinatra and Swingin’ Brass – Frank Sinatra





















NOTA: 9/10


Após Point of No Return, o cantor lança o Sinatra and Swingin’ Brass, meio que um contraponto ao seu último trabalho, agora pela sua própria gravadora. Como esse era um lançamento pelo selo da Reprise, representou um afastamento dos álbuns orquestrais suaves e introspectivos que ele havia feito anteriormente na Capitol Records. Sinatra estava interessado em explorar diferentes estilos e sonoridades, e este álbum foi uma oportunidade para ele mergulhar no mundo do swing. Este álbum também marcou o início da colaboração de Sinatra com o arranjador Neal Hefti, conhecido por seu trabalho com Count Basie e outros grandes nomes do Jazz. O álbum foi produzido por Sonny Burke, outro colaborador frequente de Sinatra. Neal Hefti foi responsável pelos arranjos e conduziu a orquestra. Seu trabalho se caracterizou por uma energia vibrante, com ênfase nos metais, que dão ao álbum um som vigoroso e dinâmico, notável por sua inventividade e por como permite que a voz de Sinatra brilhe acima das seções de metais poderosas. Hefti utilizou técnicas de big band para criar um som que é simultaneamente sofisticado e eletrizante, mantendo o foco na melodia e no ritmo. O repertório é maravilhoso, com várias músicas boas como Goody Goody, Don'cha Go 'Way Mad e Ain't She Sweet, que são bem divertidas, além das incríveis They Can't Take That Away from Me, I Get a Kick Out of You e I Love You. É mais um disco excelente e bastante divertido.

All Alone – Frank Sinatra 





















NOTA: 8,3/10


Indo para outubro, chega um dos trabalhos mais reclusos de Frank Sinatra, intitulado All Alone. Ao contrário de alguns de seus outros álbuns da Reprise, que exploraram o swing e o Jazz em um tom mais animado, esse álbum retorna ao estilo introspectivo e sombrio que Sinatra havia aperfeiçoado durante sua década na Capitol Records. De certo modo, esse trabalho é uma homenagem ao compositor Irving Berlin, já que quase todas as canções são de autoria dele. Originalmente, o título inicial era Come Waltz with Me. Embora o título e a faixa-título que o acompanharia tenham sido descartados antes do lançamento, o álbum permaneceu com um clima que lembra até um pouco uma valsa. Novamente, Gordon Jenkins acabou sendo o arranjador de mais um disco de Sinatra. Jenkins trouxe um toque orquestral delicado, focado em cordas e madeiras, que complementa a melancolia das letras. Tudo é bem minimalista, pois a ausência de uma seção de metais, característica dos álbuns de swing de Sinatra, permite que a voz do cantor esteja em primeiro plano, destacando as nuances de sua interpretação emocional. Então, apesar de toda a limitação, o que eles conseguiram fazer foi muito eficaz. Com um repertório de certo modo muito bom, as canções que mais se destacam são When I Lost You e Remember, cheias de melancolia, além de outras músicas como a faixa-título, Charmaine e Indiscreet. No final, é um ótimo álbum, apesar de ter sido bastante limitado.

Sinatra Sings Great Songs from Great Britain – Frank Sinatra 





















NOTA: 7/10


Mais alguns meses se passaram, e chega outro trabalho de Frank Sinatra, cujo conceito parecia uma coletânea. Durante uma turnê pela Europa naquele ano, Sinatra decidiu gravar um álbum na Inglaterra, algo que ele nunca havia feito antes. O projeto foi uma forma de homenagear o repertório musical britânico e, ao mesmo tempo, se conectar com seu público europeu. Este álbum foi gravado em uma época em que Sinatra estava ampliando seu alcance internacional, e esse disco demonstrava esse desejo. A produção foi a de sempre, mas com os arranjos do maestro Robert Farnon, um renomado compositor e arranjador canadense que vivia na Inglaterra. Farnon era altamente respeitado por seus arranjos orquestrais sofisticados, e seu estilo se adequava perfeitamente à abordagem de Sinatra para este álbum. Os arranjos de Farnon são suaves, com ênfase em cordas e madeiras, e sua orquestra refinadíssima permite que a interpretação emocional de Sinatra esteja sempre em primeiro plano. E só uma curiosidade: quem trabalhou como engenheiro de som foi Eric Tomlinson, que fez a trilha sonora da trilogia original de Star Wars. Mas o fato é que muitos arranjos soam muito parecidos. Então, apesar de o repertório ser interessante e ter canções sensacionais como The Very Thought of You e The Gypsy, há canções muito fracas, como We’ll Meet Again e A Nightingale Sang in Berkeley Square. Enfim, apesar de ser um trabalho que até é bom, ele é um dos mais fracos de toda a carreira do cantor.

Sinatra-Basie: An Historic Music First – Frank Sinatra





















NOTA: 9,2/10


Para finalizar aquele ano de 1962, Frank Sinatra lança o seu primeiro álbum colaborativo, o sensacional Sinatra-Basie: A Historic Music First. Como já sabemos, Sinatra, durante o início dos anos 1960, estava no auge de sua carreira. Count Basie, por outro lado, era uma figura central no mundo do Jazz, conhecido por sua orquestra de swing que definiu o gênero durante as décadas de 1930 e 1940. A ideia de um álbum colaborativo entre Sinatra e Basie surgiu como uma maneira de unir duas forças musicais distintas, mas complementares. Sinatra já havia mostrado sua afinidade pelo Jazz em seus trabalhos anteriores, e a energia da orquestra de Basie prometia uma sinergia perfeita. O álbum foi gravado em apenas dois dias de outubro, com arranjos de Neal Hefti, um colaborador frequente de Basie. Essa combinação entre os três resultou em um som refinado, com arranjos equilibrados, perfeitos entre a voz calorosa de Frank Sinatra e os brilhantes arranjos orquestrais de Count Basie. O fato é que o trabalho da produção neste disco é perfeitíssimo, e isso se reflete em um repertório magnífico, composto por canções de forte influência jazzística, como as excelentes Pennies From Heaven, (Love Is) The Tender Trap, e I’m Gonna Sit Right Down And Write Myself a Letter, que são calorosas e com uma melodia lindíssima. Além delas, há My Kind Of Girl e I Only Have Eyes For You, que trazem aquele lado mais romântico e recluso do cantor. Por fim, é um álbum fantástico e que traz aquele gostinho de quero mais da dupla.

The Concert Sinatra – Frank Sinatra 





















NOTA: 8,1/10


No ano seguinte, o cantor lança o majestoso The Concert Sinatra, que traz várias inovações e elementos importantes. Nesta fase de sua carreira, Sinatra já havia se consolidado como um dos maiores nomes da música popular americana. Ele vinha de uma série de álbuns de sucesso que exploravam diversos temas e estilos musicais. No entanto, esse disco se destacou por sua grandeza e complexidade orquestral, consistindo em showtunes tocados em um estilo de concerto "semi-clássico". A produção foi um empreendimento monumental. O álbum foi gravado no estúdio Goldwyn Studios Scoring Stage, em Hollywood, e contou novamente com a colaboração do renomado maestro e arranjador Nelson Riddle. Riddle utilizou uma orquestra de 76 músicos, a maior já reunida para um trabalho do cantor, para criar arranjos exuberantes que complementasse a voz de Sinatra, dando ao álbum uma atmosfera grandiosa e cinematográfica. Esse tipo de produção era incomum para álbuns populares da época e demonstrava o comprometimento de Frank Sinatra em entregar uma obra sofisticada. O repertório contém várias músicas excelentes, interpretadas de forma magistral, como I Have Dreamed, Lost In The Stars e You'll Never Walk Alone (que você conhece muito bem por ser o canto de torcida do Liverpool), além das impressionantes My Heart Stood Still e This Nearly Was Mine. No fim, apesar de trazer uma abordagem totalmente diferente, é um álbum muito interessante.

Sinatra’s Sinatra – Frank Sinatra 





















NOTA: 8,8/10


Dois meses depois, Sinatra retorna com o que hoje poderia ser considerado uma quase coletânea, intitulada Sinatra’s Sinatra. E por que estou dizendo isso? Simples, este álbum foi criado como uma espécie de retrospectiva pessoal, em que Frank Sinatra revisita e reinterpreta canções que se tornaram emblemáticas ao longo de sua carreira. É um álbum especial na discografia do cantor, pois é uma coleção de regravações de alguns dos maiores sucessos de sua carreira até aquele momento. A produção foi feita por Sonny Burke em colaboração com o arranjador Nelson Riddle, que mais uma vez participa de forma seguida um disco do cantor. Riddle, como sempre, fez arranjos que complementam o estilo vocal de Sinatra, trazendo novas versões para essas canções clássicas. A ideia da sua própria gravadora, a Reprise Records, era duplicar o sucesso oferecendo algumas músicas anteriores em som estereofônico, uma tecnologia que, em 1963, estava em crescente expansão. Além disso, o álbum dá um novo frescor à sonoridade do Jazz com Pop tradicional. Com um repertório excelente, o disco apresenta novas versões de In The Wee Small Hours Of The Morning, The Second Time Around, Young At Heart e Oh! What It Seemed To Be, além de incluir as duas únicas faixas inéditas: a animada Pocketful Of Miracles e a excelente Call Me Irresponsible. É um disco muito bom e divertido, apesar de não trazer muitas novidades.

Days Of Wine And Roses, Moon River And Other Academy Award Winners – Frank Sinatra 





















NOTA: 8,7/10


Mais um ano se passou, e Frank Sinatra lançou outro álbum com um nome gigantesco, mais conhecido como Academy Award Winners. Esse disco é um reflexo desse período de experimentação, apresentando um repertório baseado em canções que ganharam o Oscar de Melhor Canção Original. Sinatra já havia colaborado extensivamente com o maestro e arranjador Nelson Riddle, cujo estilo sofisticado e elegante complementava perfeitamente a voz dele. Este trabalho foi produzido por Sonny Burke, com orquestração de Riddle, um dos arranjadores mais recorrentes na carreira de Sinatra. Toda a sonoridade desse álbum traz a sofisticação da era das big bands e dos crooners, mas também demonstra a habilidade de Sinatra em interpretar canções que eram populares tanto no cinema quanto na música. O ambiente de gravação, somado à orquestração de Riddle e à direção de Burke, resultou em um álbum estiloso, que revela um lado finíssimo do cantor. O repertório inclui várias músicas que são verdadeiros clássicos, como Moon River, The Way You Look Tonight e The Continental, todas interpretadas de forma sensacional por Sinatra. Além disso, o álbum também apresenta belas canções como Three Coins in the Fountain e Secret Love, além de uma nova versão de All The Way. No fim, é mais um disco muito interessante, mas que se tornou subestimado.

America, I Hear You Singing – Frank Sinatra 




















NOTA: 8/10


Em abril de 1964, foi lançado mais um álbum de Frank Sinatra, desta vez com um caráter altamente colaborativo. Seu surgimento ocorreu no ano anterior, quando os Estados Unidos ainda absorviam o choque do assassinato do presidente John F. Kennedy, e o país vivia uma fase de introspecção e celebração dos valores americanos, além dos conflitos com a União Soviética. Nesse contexto, a ideia de um álbum que celebrasse a América e suas canções patrióticas fazia muito sentido. Frank Sinatra chamou Bing Crosby e Fred Waring, três grandes ícones da música americana, para se unirem em um tributo ao espírito americano. O álbum foi produzido por Sonny Burke, um colaborador frequente de Sinatra na Reprise Records. A produção visava capturar um sentimento de patriotismo e reverência, com arranjos orquestrais grandiosos e coros que sublinhavam a gravidade e a emoção das canções. Cada faixa foi arranjada por uma pessoa diferente, incluindo nomes como Nelson Riddle e Hawley Ades. O repertório é bastante interessante, com cada faixa sendo interpretada por um artista diferente. Entre os maiores destaques, estão The House I Live In e Early American, interpretadas por Sinatra; This Land Is Your Land e A Home In The Meadow, por Crosby; e The Stars And Stripes Forever, por Fred Waring & The Pennsylvanians. No fim, é um disco melódico, patriótico e com um baita time de peso.

It Might As Well Be Swing – Frank Sinatra  





















NOTA: 9/10


Poucos meses depois, o cantor lança outro álbum colaborativo com Count Basie, desta vez uma espécie de versão final daquele trabalho maravilhoso. Esse disco chegou após o sucesso de Sinatra-Basie: An Historic Musical First, que foi certamente uma das melhores colaborações de sua trajetória. Como Sinatra já era uma estrela consolidada, sua vontade de inovar e colaborar com outros artistas o levou a unir-se novamente a Count Basie. A combinação de Sinatra e Basie contou com a presença de um indivíduo que, naquela época, ainda era desconhecido e que eles escolheram como arranjador: Quincy Jones. Embora Jones não tenha produzido o disco, que foi conduzido por Sonny Burke, ele já havia trabalhado com Basie e trouxe uma abordagem moderna e energizante para os arranjos, que se destacam pela precisão e criatividade. A colaboração entre Sinatra, Basie e Jones resultou em uma fusão perfeita de voz, Jazz e swing, com Sinatra navegando com maestria pelas complexas paisagens sonoras criadas por Basie e sua orquestra. O repertório é novamente excelente, começando com a sensacional e clássica Fly Me to the Moon (In Other Words), que, apesar de animada, é uma espécie de balada. Além dela, há também I Wish You Love, I Can’t Stop Loving You e The Good Life, que trazem melodias muito envolventes, além de The Best Is Yet to Come, que, apesar de ser hit, é apenas uma ótima canção. Enfim, esse álbum é maravilhoso e uma continuação coesa de seu antecessor.

12 Songs Of Christmas – Frank Sinatra 





















NOTA: 7,2/10


O tempo passa, e mesmo não estando nem um pouco perto do Natal, foi lançado na metade de 1964 o álbum 12 Songs Of Christmas, outro trabalho colaborativo do cantor. Como sabemos, Frank Sinatra já havia lançado discos natalinos anteriormente, e este foi lançado em um momento em que álbuns temáticos de Natal já estavam em completa decadência. Ele chamou novamente Bing Crosby, junto com Fred Waring e seu excepcional coral, para criar uma combinação de linhas vocais e arranjos. A produção seguiu exatamente o mesmo padrão do trabalho anterior que eles haviam feito juntos, marcado pela sofisticação e alta qualidade sonora. Os arranjos foram elaborados para capturar o espírito natalino, utilizando uma combinação de instrumentos orquestrais e vocais que criam uma atmosfera calorosa e festiva. No entanto, a sonoridade é bem mais do mesmo. Apesar da participação de Fred Waring & The Pennsylvanians ser crucial para o som do álbum, ele se baseia nas mesmas fórmulas que eram padrão na época. Embora o repertório seja interessante e tenha várias canções que ficaram bem como It's Christmas Time Again e Go Tell It on the Mountain, com interpretações perfeitas de Sinatra e Crosby, além de The Secret of Christmas, algumas músicas, como The Twelve Days of Christmas e Christmas Candles, ficaram muito chatas e sem graça. Enfim, apesar de ser um bom disco, ele basicamente não traz muita inovação e até parece ter sido feito de forma desnecessária.
 

     Então é isso, um abraço e flw!!!  

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Analisando Discografias - Frank Sinatra (RA: XLIII)

                            

Come Dance with Me! – Frank Sinatra





















NOTA: 10/10


Outro ano se passa, e mais uma vez, no comecinho do ano seguinte, Frank Sinatra lança mais um trabalho novo. Come Dance With Me! é uma espécie de celebração do swing, que já havia se consolidado como um dos estilos mais associados a Sinatra na década de 1950. O álbum segue um formato festivo e vibrante, refletindo o desejo de Sinatra de capturar a energia e a alegria do swing de forma sólida. Toda essa inspiração veio logicamente dos trabalhos anteriores, Songs for Swingin' Lovers! e A Swingin' Affair!, e neste álbum ele traz uma abordagem vivaz e cativante. A produção do álbum ficou novamente a cargo de Dave Cavanaugh, com Billy May como maestro e arranjador. O trabalho de May é exemplar, com uma orquestração rica e uma qualidade sonora impecável, que destaca a voz de Sinatra sobre uma base instrumental swingada. May conseguiu equilibrar a força dos metais e a suavidade das cordas, criando uma experiência auditiva dinâmica e envolvente. Vale destacar que a interação entre Sinatra e a orquestra é fluida, com Sinatra navegando pelas complexidades dos arranjos com sua habitual maestria vocal. O repertório é sensacional, com várias canções maravilhosas, como a faixa-título, Something’s Gotta Give, Just in Time, Dancing in the Dark, Day In, Day Out, e The Song Is You. No geral, todas as canções são muito envolventes. Enfim, mais um disco clássico e um dos melhores trabalhos do cantor.

No One Cares – Frank Sinatra 





















NOTA: 8,7/10


Já na metade daquele ano de 1959, chega mais um material inédito de Sinatra, No One Cares, que se diferenciava de seu antecessor. Este álbum é marcado por um clima de melancolia e solidão, aprofundando o tom introspectivo que Sinatra explorou em seus álbuns anteriores, tanto que este trabalho é caracterizado como a continuação de Where Are You?. E isso se distingue como uma das obras mais sombrias do cantor, refletindo uma época em que ele parecia particularmente conectado às emoções da tristeza e da solidão. Frank Sinatra já havia se estabelecido como um mestre na interpretação de baladas melancólicas, e este álbum foi um veículo perfeito para ele explorar o lado mais sombrio da experiência humana. A produção ficou a cargo de Dave Cavanaugh, com arranjos do icônico Gordon Jenkins. Jenkins, que já havia trabalhado com Sinatra no álbum que eu já citei, ficou conhecido por seu estilo orquestral luxuriante, repleto de cordas que acentuavam a atmosfera melancólica das canções. Essa atmosfera é centrada em cordas dramáticas e em tons menores, reforçando o sentimento de desolação que permeia o álbum. Contendo um repertório mais uma vez muito bom, e com muitas canções interessantes, como When No One Cares, Stormy Weather, e I Can’t Get Started, que trazem bastante drama, e as sensacionais Where Do You Go? e Why Try to Change Me Now? que são bem eficazes. No fim, é um disco muito legal e que quebra todo o clima de seu antecessor.

Nice ‘n’ Easy – Frank Sinatra 





















NOTA: 9,1/10


Mais uma década começa a se iniciar, e chega mais um trabalho novo do Frank Sinatra intitulado Nice 'n' Easy. O álbum foi criado durante o auge da era do "álbum conceitual" de Sinatra, onde ele e seus colaboradores de longa data buscavam criar uma experiência coesa, em vez de apenas uma coleção de músicas. Seguindo novamente a melancolia de seu disco anterior, juntamente com as inspirações do Where Are You?, Sinatra optou por um tom mais suave e romântico nesse disco, mas com muito mais leveza, ainda assim carregado de profundidade. Dave Cavanaugh, mais uma vez, produziu este álbum, com o retorno do arranjador Nelson Riddle, que já havia trabalhado com Sinatra em inúmeros projetos bem-sucedidos. Mais uma vez, ele trouxe um equilíbrio entre a orquestração e o espaço necessário para que a voz de Sinatra brilhasse, além de deixar a sonoridade muito mais detalhada e mostrar uma atmosfera mais acessível, muito longe daquele clima sombrio que o No One Cares continha, mas ainda demonstrando que o som Jazz vocal contido nas canções funcionasse em todas as suas melodias. Isso se reflete num repertório muito bom e com muitas canções incríveis, como The Old Feeling, I've Got a Crush on You, Embraceable You e, claro, a faixa-título. Mas também há canções como How Deep Is the Ocean? e Mam'selle, que, apesar de terem um romantismo, mostram um lado mais elaborado. Apesar de tudo isso, é um disco muito interessante, trazendo uma sensibilidade em toda a sua concepção.

Sinatra’s Swingin Session!!! – Frank Sinatra





















NOTA: 9,4/10


Novamente, no comecinho de mais um ano, desta vez em 1961, foi lançado o icônico Sinatra’s Swingin’ Session!!!. Na época, Sinatra já havia consolidado seu status como uma das maiores vozes do século XX e ainda mantinha seu contrato com a Capitol Records. Este álbum chega após o sucesso do disco anterior, Nice 'n' Easy, que foi mais voltado para baladas, enquanto este disco aqui marca um retorno ao estilo vibrante e enérgico pelo qual Sinatra também era conhecido. E vale mencionar que o pessoal da gravadora não queria que ele fizesse um novo trabalho nesse estilo, o que começou as várias rixas que iriam acontecer. A produção do álbum ficou a cargo de Dave Cavanaugh, com a orquestração e arranjos de Nelson Riddle. A combinação de Riddle e Sinatra era conhecida por criar uma sonoridade sofisticada, com arranjos complexos que destacavam tanto a habilidade vocal de Sinatra quanto a rica instrumentação da big band. E toda essa sonoridade, mais uma vez swingada, traz um lado mais animado e energético, tudo isso combinado em uma fórmula mais puxada para o Jazz. O repertório é excelente, com várias canções sensacionais como When You’re Smiling, Blue Moon (para quem conhece de futebol, este título não é estranho), My Blue Heaven e Should I, todas com ótimas melodias, além das divertidas It’s Only A Paper Moon e September In The Rain. No fim, é mais um disco incrível e um dos mais divertidos que Sinatra fez.

Ring-a-Ding-Ding! – Frank Sinatra 




















NOTA: 8,9/10


Ainda naquele primeiro semestre de 1961, chega mais um disco de Frank Sinatra, que era mais diversificado. Antes do lançamento, o cantor estava em várias rixas com Alan Livingston, que era o chefão da Capitol Records, e chegou um momento em que Sinatra não aguentava mais e decidiu não renovar o seu contrato com a gravadora. Ele decidiu criar sua própria gravadora para ter mais controle criativo sobre sua música e carreira. O título Ring-A-Ding-Ding! reflete essa transição e a energia vibrante que ele queria capturar. Lembrando que esse disco foi lançado em um período de mudança no cenário musical, com o rock 'n' roll (ou melhor, o Rock) ganhando popularidade, mas Sinatra permaneceu fiel ao estilo que o havia consagrado. O álbum foi comandado e arranjado por Johnny Mandel, um maestro e compositor altamente respeitado, conhecido por suas contribuições ao Jazz e à música popular. Mandel incorporou uma sonoridade mais moderna e suave aos arranjos, mantendo a sofisticação que sempre caracterizou as produções de Sinatra. E todo o conceito inicial era "um álbum sem baladas", que consistia apenas em números de swing acelerados. Contendo um repertório muito interessante e com várias canções legais já no início, como a faixa-título, Let’s Fall In Love e Be Careful, It’s My Heart, além também de A Fine Romance, The Coffee Song e You and the Night and the Music, que eram irônicas. Enfim, é outro trabalho muito bom e que foi muito bem produzido.

Come Swing with Me! – Frank Sinatra 





















NOTA: 7,2/10


Naquele mesmo ano de 1961, o ano produtivo!!! Houve mais um lançamento de Frank Sinatra, o Come Swing with Me! (e olha que ainda virá mais). Este álbum surgiu em um momento de transição, com Sinatra já planejando sua nova fase criativa. Enquanto o álbum anterior, Ring-A-Ding-Ding!, lançado pela Reprise, destacava-se por seu frescor e inovação, esse novo álbum representa uma espécie de despedida da Capitol, onde Sinatra gravou alguns de seus maiores sucessos. Isso aconteceu porque ele ainda estava sob contrato para gravar com sua antiga gravadora, para completar seu compromisso contratual. Este trabalho traz novamente aquele lado de swing vibrante. A produção ficou a cargo de Dave Cavanaugh, com arranjos de Billy May e Heinie Beau. Ou seja, a produção em si foi bastante diversificada, mas seguindo aquela linha de arranjos enérgicos e com um foco no swing orquestral. O diferencial deste álbum é o uso de estéreo com canais divididos, onde os instrumentos de sopro e cordas são isolados em diferentes canais, criando um efeito sonoro mais envolvente e dinâmico. Apesar de inovador, teve alguns momentos que ficaram bem desequilibrados. O repertório é até legalzinho e inclui algumas músicas boas como Day By Day, On The Sunny Side Of The Street e Lover, mas há outras canções que parecem arrastadas, como Yes Indeed! e That Old Black Magic. No fim, apesar de ser um bom disco, ele tem suas irregularidades.

Swing Along with Me (Sinatra Swings) – Frank Sinatra 





















NOTA: 7,8/10


Lançado provavelmente no mesmo dia, chega mais um álbum de Frank Sinatra, o Sinatra Swings, e sim, o 4º lançado naquele ano de 1961. O álbum foi lançado logo após Ring-A-Ding-Ding! e veio em um momento em que Sinatra buscava novos horizontes musicais e reafirmar seu domínio no mundo do swing. Mas houve controvérsias, pois a Capitol Records, ao descobrir que esse álbum seguiria a mesma linha do seu antecessor, que Sinatra havia lançado anteriormente com eles, entrou em uma batalha judicial. O resultado foi a mudança do título original, Swing Along with Me, para Sinatra Swings. O pior é que a Reprise já tinha enviado os LPs com o título original, então eles imprimiram uma nova capa já com o título alternativo (olha só para você a treta). A produção foi liderada por Sonny Burke, com arranjos orquestrais de Billy May, que novamente trouxe seus arranjos enérgicos e orquestrações vivas. O uso de estereofonia, como já visto em Come Swing with Me!, continua aqui, aproveitando ao máximo o formato para criar uma experiência auditiva rica e imersiva. Mas, novamente, tinha os mesmos erros. Apesar de ter um repertório até melhor, com várias canções interessantes como Falling in Love with Love, Don’t Be That Way e It’s a Wonderful World, ainda havia canções com melodias arrastadas, como The Curse of an Aching Heart e I Never Knew. Apesar de ser um trabalho melhor que o anterior, ele comete os mesmos pecados.

I Remember Tommy – Frank Sinatra 





















NOTA: 8,8/10


Para finalizar o SUPER produtivo ano de 1961, chega em outubro o quinto trabalho de Frank Sinatra naquele período, intitulado I Remember Tommy. Este álbum serve como uma homenagem a Tommy Dorsey, o lendário maestro e trombonista foi importante na carreira de Sinatra. Durante os anos 40, Sinatra foi o vocalista principal da orquestra de Dorsey, um período que ajudou a preparar sua carreira solo. Após a morte de Dorsey em 1956, Sinatra quis prestar uma homenagem ao mentor e amigo com quem aprendeu tanto sobre música e performance. O álbum foi produzido por Gregg Geller, com arranjos de Sy Oliver, que também foi arranjador e colaborador de longa data de Tommy Dorsey. A escolha de Oliver para fazer os arranjos foi fundamental para capturar a essência do som de Dorsey, ao mesmo tempo que permitiu a Sinatra trazer seu próprio estilo e maturidade às canções. As gravações ocorreram em um ambiente intimista, buscando preservar a autenticidade e a emoção das interpretações originais, mas com uma atualização para o estilo de Sinatra dos anos 60. Com isso, o repertório é magnífico, com várias canções sensacionais carregadas de emoções, como East of the Sun, I’ll Be Seeing You e The One I Love (Belongs to Somebody Else), mas também há canções que trazem uma leveza, como There Are Such Things, Without a Song e a fantasiosa Polka Dots and Moonbeams. Enfim, esse disco é maravilhoso, uma bela homenagem, e não cometeu os erros dos dois últimos lançamentos.

Sinatra and Strings – Frank Sinatra  





















NOTA: 8,6/10


Indo para o ano seguinte, que seria novamente muito produtivo, Frank Sinatra começa 1962 lançando o Sinatra and Strings. No início dos anos 60, Frank Sinatra já havia estabelecido sua reputação como um dos maiores cantores do século 20. Ele estava em um período de transição em sua carreira, então concebeu esse álbum como uma homenagem aos clássicos do Great American Songbook, revisitando canções que já havia gravado antes ou que eram famosas por outros intérpretes, mas agora com novos arranjos sofisticados de cordas. Este trabalho foi produzido e arranjado por Don Costa, que criou arranjos ao mesmo tempo elegantes e emotivos, ressaltando a profundidade das interpretações de Sinatra. Costa utilizou uma grande orquestra de cordas, o que deu ao álbum um som rico e luxuoso, característico do estilo de Sinatra. De qualquer forma, as influências do Pop Tradicional com Jazz vocal foram fundamentais para a imersão de toda a sonoridade. O repertório é muito interessante e inclui várias canções excelentes, como as baladas I Hadn’t Anyone Till You e Night and Day, e a introspectiva Prisoner of Love, com todo aquele drama amoroso. Também há Come Rain or Come Shine e All or Nothing at All, que têm melodias intensas e exalam emoção. No fim, é um disco muito bom que funciona muito bem por ser totalmente envolvente.

Point of No Return – Frank Sinatra 





















NOTA: 8,7/10


Logo depois, em março, é lançado o Point of No Return, que foi o último material feito por Sinatra em sua antiga gravadora. Como sabemos, ele já havia lançado sua própria gravadora, a Reprise Records. Só que esse disco foi gravado para ser a despedida da sua antiga gravadora, a Capitol Records, assim como aconteceu com Come Swing with Me!, apesar de toda a treta que houve com o título de Swing Along with Me, que virou Sinatra Swings. O álbum foi produzido por Dave Cavanaugh e arranjado por Axel Stordahl, um colaborador de longa data de Sinatra, que havia sido o arranjador principal nos primeiros anos da carreira de Frank, durante a era da Columbia Records. Esta reunião entre Sinatra e Stordahl deu ao álbum um toque nostálgico, remetendo aos primeiros trabalhos de Sinatra, mas com uma maturidade e profundidade emocional adquiridas ao longo dos anos. Stordahl trouxe arranjos orquestrais suaves e melódicos, que complementam perfeitamente a temática melancólica do álbum. E olha que tudo isso foi feito às pressas, mas mesmo assim eles conseguiram entregar da melhor forma possível. O repertório é muito bom e tem várias canções excelentes como There Will Never Be Another You e Somewhere Along the Way, que são cheias de sofrimento por coração partido, mas também há outras diferentes como September Song, As Time Goes By e I'll Remember April. Enfim, apesar de vários problemas, é um disco bem legalzinho e que passa um clima até nostálgico.
 

        Por hoje é só, então flw!!! 

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Analisando Discografias - Frank Sinatra (RA: XLII)

                           

Songs for Young Lovers – Frank Sinatra





















NOTA: 9,7/10


Depois de quatro anos, um verdadeiro sumiço, Frank Sinatra retorna com Songs for Young Lovers, que marca uma nova fase do cantor. Após um período de declínio na popularidade, que resultou em uma época em que ele se estabeleceu na cidade de Las Vegas, onde suas apresentações ficavam quase cheias, mas quando ele tentava se apresentar em lugares diferentes era um completo fiasco, além de uma relação desgastada com a gravadora Columbia, Sinatra assinou com a Capitol em 1953 e começou a trabalhar com o arranjador e maestro Nelson Riddle. O álbum foi lançado como um LP de 10 polegadas, um formato relativamente novo na época, e além disso, ele quis fazer um álbum conceitual, o que fica perceptível já no título. A produção de Songs for Young Lovers foi conduzida por Voyle Gilmore, com arranjos de Nelson Riddle. Riddle trouxe sofisticação e leveza aos arranjos que complementavam perfeitamente a voz de Sinatra. A produção foi inovadora para a época, trazendo clareza à voz e criando uma atmosfera íntima e envolvente. O repertório é completamente magnífico, com várias canções envolventes, como My Funny Valentine, The Girl Next Door e I Get a Kick Out of You, além de canções mais suaves, como Little Girl Blue e Like Someone in Love. No fim, é um álbum espetacular, clássico, que mostrava que a parceria entre Sinatra e Riddle seria uma das mais emblemáticas da história da música.

Swing Easy! – Frank Sinatra 





















NOTA: 9/10


Ainda naquele ano de 1954, Frank Sinatra lançou o Swing Easy!, que seguia a mesma linha do trabalho anterior. Este álbum marca o segundo lançamento de Sinatra pela Capitol Records. Após o gigantesco sucesso de Songs for Young Lovers, o cantor estava se reinventando como artista, deixando para trás a imagem de ídolo adolescente para se estabelecer como um dos maiores intérpretes da música popular americana. Esse trabalho foi planejado para mostrar o lado mais animado e descontraído de Sinatra, em contraste com os álbuns mais baládicos que ele havia lançado anteriormente. O álbum foi produzido por Voyle Gilmore e arranjado por Nelson Riddle, mais uma vez trazendo aquela produção de sucesso. Riddle trouxe uma sensibilidade moderna aos arranjos, combinando o swing com uma sofisticação que complementava perfeitamente a voz de Sinatra. Riddle utilizou uma orquestra pequena, mas eficaz, criando uma sonoridade que, além de conter os elementos do Pop tradicional, também incorporava os elementos do Jazz, mas de uma forma cantada. Contendo um repertório maravilhoso, com muitas canções cheias de emoção, como Wrap Your Troubles in Dreams, Taking a Chance on Love e All of Me, que trazem temas como esperança e confiança, além de muito romantismo, também há faixas mais descontraídas como Sunday e Jeepers Creepers. No fim, é um disco sensacional e demonstra que a mudança de estilo daria muito certo.

In the Wee Small Hours – Frank Sinatra 





















NOTA: 10/10


Então, mais um ano se passa, e chega o clássico e atemporal In the Wee Small Hours, o 9º álbum de Frank Sinatra. Este álbum foi gravado durante um período de turbulência pessoal; Sinatra testemunhou o fim de vários relacionamentos. Ele e sua primeira esposa, Nancy Barbato, se separaram no Dia dos Namorados de 1950. Depois que ele e Barbato se divorciaram em outubro de 1951, ele se casou com Ava Gardner dez dias depois. Mas ambos tinham ciúmes dos casos extraconjugais um do outro. O relacionamento se deteriorou durante a gravação de Songs for Young Lovers, isso serviu de inspiração para que todo o conceito desse álbum abordasse profundamente temas de solidão, desgosto e introspecção. O álbum foi produzido por Voyle Gilmore, com arranjos magistralmente conduzidos por Nelson Riddle. Novamente, a colaboração entre Sinatra e Riddle estava em seu auge, e este álbum é um exemplo perfeito de como os arranjos de Riddle complementam a entrega vocal emotiva de Sinatra. A gravação foi feita em sessões noturnas, o que contribuiu para a sensação de isolamento e introspecção que permeava o álbum, além de o trabalho de produção ter sido bastante minimalista. O repertório é sinceramente espetacular; parece uma coletânea, com todas as canções sendo sensacionais, como Glad to Be Unhappy, Deep In a Dream, Last Night When We Were Young, I’ll Never Be the Same e, claro, a faixa-título. Sendo assim, um clássico absoluto e um dos melhores trabalhos do cantor.

Songs for Swingin’ Lovers! – Frank Sinatra





















NOTA: 9,8/10


Depois de todo o sucesso, viria mais um material novo, sendo este o 10º trabalho de Sinatra, Songs for Swingin’ Lovers!. Este álbum representa um retorno triunfante ao estilo swing, marcando a transformação de Frank Sinatra de um ídolo adolescente para um artista maduro e sofisticado. Após o sucesso do clássico In the Wee Small Hours, que focava em temas mais introspectivos e melancólicos, Sinatra quis criar algo que celebrasse o amor e a vida com um toque de leveza e alegria. A produção contou com aquela mesma dupla de sempre. Só que, dessa vez, o mestre Nelson Riddle trouxe um frescor e uma elegância aos arranjos que complementavam perfeitamente a voz de Sinatra. A orquestração é exuberante, mais descontraída e alegre, com uso proeminente de cordas, metais e ritmos animados que capturam o espírito otimista do álbum. Além disso, a sonoridade como um todo, que combinava o Pop tradicional com Jazz e Swing (que está bem evidente), foi totalmente bem preenchida e complementada. O repertório é mais uma vez fantástico, com muitas canções interessantes como You’re Getting to Be a Habit with Me, Old Devil Moon e Makin’ Whoopee, que contêm temas diversificados, o que também acontece em outras faixas maravilhosas como You Make Me Feel So Young, It Happened in Monterey, Love Is Here To Stay e I’ve Got You Under My Skin, e tudo isso se deve, logicamente, à orquestração. No final de tudo, é mais um disco maravilhoso que até consegue se igualar ao seu antecessor.

Close to You – Frank Sinatra 





















NOTA: 8,6/10


Mais um ano se passa, e esse ano de 1957 seria mais uma vez produtivo, começando com Close to You. Após o grande sucesso de seus álbuns anteriores, Frank Sinatra decidiu explorar um som mais íntimo e menos orquestrado para esse álbum. Ou seja, ele pediu arranjos de câmara, o que o diferencia dos projetos anteriores, que contavam com orquestras maiores, e deixando tudo com uma exuberância que lembra coisas mais progressivas. Este trabalho trazia uma profunda proximidade emocional pela forma como Sinatra se aproxima do ouvinte. A produção do álbum foi mais uma vez conduzida por Voyle Gilmore, e os arranjos foram preparados por Nelson Riddle. Ele criou arranjos que lembram a música de câmara, utilizando um quarteto de cordas, o Hollywood String Quartet, em vez das grandes orquestras tradicionais. Essa decisão conferiu ao álbum um som mais íntimo e sofisticado, e foi difícil de gravar, já que o álbum foi concluído ao longo de oito meses e em cinco sessões diferentes. Até o Riddle achou que não fez o que era esperado, apesar de Sinatra ter gostado. Mais uma vez, o repertório é muito bom e tem muitas canções interessantes, como no início com Close to You e P.S. I Love You, ambas românticas. Além delas, há as espetaculares Everything Happens to Me, With Every Breath I Take, e The End of a Love Affair, todas elas melancólicas, mas que funcionam muito bem. No fim, é um disco bem legalzinho, mesmo tendo enfrentado muitas dificuldades para ser gravado.

A Swingin’ Affair! – Frank Sinatra 





















NOTA: 9,3/10


Em maio, Frank Sinatra lança A Swingin’ Affair!, um trabalho muito mais audacioso do que toda a temática do seu anterior. O que Sinatra queria fazer era dar continuidade ao estilo swing que ele havia explorado com grande sucesso em Songs for Swingin’ Lovers! no ano anterior. Tanto que o álbum foi apelidado como a "parte 2" desse disco, e claro, o que foi aparente é que houve um resgate de tudo que havia sido descartado anteriormente. Refletindo o desejo de Frank Sinatra de manter o impulso criativo e o sucesso comercial, ao mesmo tempo em que continua a explorar novas nuances no estilo swing. O álbum foi produzido pelas mesmas pessoas de sempre. Basicamente, Nelson Riddle teve que mostrar sua habilidade de criar arranjos coesos, utilizando uma orquestra completa com uma seção de metais e cordas, e tudo isso para se conectar com as linhas vocais de Sinatra, e mais uma vez ele fez isso com excelência. No geral, a produção é rica e cheia de energia, com um som vibrante que reflete o otimismo e a confiança do cantor durante este período. O repertório é maravilhoso e contém várias canções cativantes e envolventes como Night and Day, I Wish I Were in Love Again e Oh! Look at Me Now, que, apesar de serem lindas, tinham o contraponto da solidão de The Lonesome Road e da desilusão de I Got It Bad (And That Ain’t Good). No geral, todas as músicas são bem diversificadas. Enfim, é mais um álbum incrível e que realmente é uma verdadeira continuação de Songs for Swingin’ Lovers!.

Where Are You? – Frank Sinatra 





















NOTA: 8,9/10


Para fechar o produtivo ano de 1957, Frank Sinatra lança mais um álbum, o Where Are You? (embora ele tenha lançado outro trabalho, mas esse foi uma coletânea de Natal). Este foi o primeiro álbum que Sinatra gravou em estéreo, marcando uma nova era em termos de qualidade sonora para suas gravações. Nesse álbum, ele trouxe um retorno ao lado mais voltado para baladas melancólicas e introspectivas, um estilo que já havia explorado com sucesso em trabalhos anteriores. Além disso, o cantor estava muito envolvido no cinema, não só em trilhas sonoras como também atuando, algo que ele já fazia antes, mas que, nessa época, se consolidou ainda mais. Este disco foi arranjado e conduzido por Gordon Jenkins, conhecido por sua habilidade em criar arranjos orquestrais ricos e emocionantes. Jenkins trouxe uma qualidade quase cinematográfica às músicas, utilizando cordas e sopros de maneira suave. Este foi o primeiro trabalho de Sinatra sem contar com Nelson Riddle. A intenção da produção foi clara: criar um ambiente sonoro que refletisse o tema de perda e saudade, no estilo Jazz Vocal. O repertório é excelente e contém várias canções magníficas, como The Night We Called It A Day, Autumn Leaves, There’s No You, e, claro, a faixa-título, além de outras faixas muito boas. Apesar de apresentar muitas mudanças em comparação aos álbuns anteriores, é um bom disco.

A Jolly Christmas from Frank Sinatra – Frank Sinatra 





















NOTA: 9/10


Perto do fim daquele bendito ano de 1957, Frank Sinatra lançou o A Jolly Christmas from Frank Sinatra, mais um álbum de Natal dele. Antes que vocês falem que eu poderia ignorar esse lançamento, ele foi superimportante quando chegou. Como sabemos, Sinatra estava no seu completo auge, e ele já havia feito um álbum de Natal em 1948, o Christmas Songs by Sinatra. Porém, aquele álbum teve muitas limitações, além de ter sido lançado pela antiga gravadora em que o cantor estava, a Columbia. Então, ele queria meio que refazer aquele trabalho, adicionando sua marca pessoal a músicas que eram, com toda aquela interpretação emocional dos seus últimos trabalhos. O álbum foi, mais uma vez, produzido por Voyle Gilmore e apresentou os Ralph Brewster Singers junto com uma orquestra conduzida por Gordon Jenkins, que criou arranjos ricos e detalhados que complementam perfeitamente a voz de Sinatra. A combinação da produção impecável de Gilmore e dos arranjos emotivos de Jenkins resultou em um álbum que é ao mesmo tempo intimista e grandioso, capturando a magia do Natal. O repertório é logicamente composto por canções natalinas, e as melhores reinterpretações ficaram com Jingle Bells, The Christmas Song, Adeste Fideles e Silent Night. Das novas canções, as que mais se destacam são The Christmas Waltz e O Little Town of Bethlehem. No fim, este álbum de Natal é o melhor e mais completo em comparação ao primeiro.

Come Fly With Me – Frank Sinatra  





















NOTA: 10/10


No comecinho do ano seguinte, foi lançado mais um clássico o Come Fly With Me, outro trabalho que traz um grande diferencial. Esse álbum foi concebido como um álbum conceitual que explorava o glamour das viagens internacionais, uma tendência crescente na época devido ao aumento das viagens aéreas comerciais. A ideia era criar uma trilha sonora para esse estilo de vida cosmopolita e sofisticado, com Sinatra no papel de guia encantador. Isso fica evidente na capa, que, por sinal, depois foi comentada por George Martin, aquele que foi produtor dos Beatles, que relatou ter visitado as sessões lá no estúdio da Capitol em Hollywood e que o cantor não tinha gostado do resultado dessa capa. Mais uma vez, a produção foi a mesma, contando com um novo arranjador Billy May, um dos mais talentosos e inovadores daquele ramo. Os arranjos de May, conhecidos por seu estilo exuberante e dinâmico, são uma parte fundamental do charme desse disco, pois eles são tão vibrantes que até hipnotizam, criando uma sonoridade tão bem detalhada que realmente faz esse conceito funcionar. Contendo mais um repertório incrível, com muitas canções perfeitas, como a faixa-título, que foi escrita a pedido de Sinatra, Around The World, Let’s Get Away From It All, April In Paris, London By Night, e, por incrível que pareça, a interpretação da clássica canção Aquarela do Brasil. O fato é que esse repertório também parece uma coletânea. Enfim, é mais um trabalho atemporal e magnífico de Frank Sinatra.

Frank Sinatra Sings Only The Lonely – Frank Sinatra 





















NOTA: 7,7/10


Ainda naquele mesmo ano, foi lançado mais um disco do cantor, Frank Sinatra Sings for Only The Lonely, ou apenas Only The Lonely. Após o sucesso de Come Fly With Me, este novo projeto trazia um tom sombrio e introspectivo. Na época da gravação, o divórcio de Sinatra com Ava Gardner havia sido finalizado, e Nelson Riddle havia sofrido recentemente a perda de sua mãe e filha, e eles conseguiram transformar essa dor em arte. Isso se reflete na capa do álbum, que é adornada com um retrato do rosto do cantor como um palhaço taciturno, pintado por Nicholas Volpe. A produção do álbum ficou a cargo de Dave Cavanaugh e Nelson Riddle, um dos mais renomados arranjadores e colaboradores de Sinatra. No entanto, inicialmente, Riddle nem era para estar aí, pois Sinatra planejava gravar este disco com Gordon Jenkins, com quem havia trabalhado em Where Are You?. Só que Jenkins não estava disponível na época, e mais uma vez, Riddle mostrou uma profunda sensibilidade emocional nos arranjos, resultando em um som orquestral rico e dramático. Com um repertório muito bom, que inclui várias canções marcantes como Angel Eyes, One For My Baby e a faixa-título, além da sensacional Blues In The Night, o álbum também conta com algumas canções que ficaram muito arrastadas e que ficam sem um complemento harmônico, como It’s A Lonesome Old Town, Ebb Tide, Gone With The Wind e Spring Is Here. No fim, esse disco, apesar de bom, não é maravilhoso e clássico como muitos dizem.
 

       Bom é isso, então flw!!! 

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