For You – Prince
NOTA: 8/10
Em 1978, Prince lançava seu álbum de estreia, o For You, que trazia algo promissor. O cantor, natural de Minneapolis, Minnesota, começou sua carreira em 1975 e, desde pequeno, vinha de uma família de músicos. Ele havia tocado guitarra na banda do pai e, após isso, passou a gravar demos dois anos depois com o produtor Chris Moon. Até que, após muita correria, essa fita chegou às mãos do Owen Husney, que decidiu regravá-la, despertando o interesse da Warner Bros., que assinou com essa jovem promessa de 19 anos. A produção foi feita pelo próprio cantor, que já impressionava por tocar todos os instrumentos, como guitarras, sintetizadores, baixo, bateria e afins. Colocando, claro, um som acessível e polido, mais orientado ao Smooth Soul, com pitadas da Disco Music e também de um subgênero que viria a ser chamado do Synth Funk. O repertório é muito bom, trazendo canções divertidas e suaves. No fim, é um disco bacana, mas que foi um fiasco comercial.
Melhores Faixas: Soft And Wet, Just As Long As We're Together
Vale a Pena Ouvir: My Love Is Forever, So Blue, In Love
Prince – Prince
NOTA: 9/10
Melhores Faixas: I Wanna Be Your Lover, Why You Wanna Treat Me So Bad?, I Feel For You, It's Gonna Be Lonely, Still Waiting
Vale a Pena Ouvir: Sexy Dancer, When We're Dancing Close And Slow
Dirty Mind – Prince
NOTA: 9,9/10
Entrando nos anos 80, o Prince lançava seu 3º álbum, o sensacional Dirty Mind. Após o álbum anterior, ele decidiu juntar os elementos que tinham começado a se tornar tendência de uma maneira muito mais agressiva, econômica e estranha. O resultado é um álbum curto, direto e extremamente concentrado, no qual a personalidade do artista passa a ser mais importante do que a demonstração de virtuosismo. Além disso, ele passou a abordar temas como sexo, infidelidade e relacionamentos nem um pouco convencionais. A produção seguiu para um som mais econômico, com linhas de baixo simples, bateria repetitiva, guitarras rudimentares, sintetizadores baratos que conseguem ser brilhantes e uma voz mais provocadora, todos colocados de maneira muito mais seca, deixando bastante espaço entre os elementos e fazendo, assim, as bases do Minneapolis Sound. O repertório é incrível, com canções divertidas. No geral, é um baita disco e um clássico.
Melhores Faixas: When You Were Mine, Dirty Mind, Uptown, Do It All Night
Vale a Pena Ouvir: Head, Partyup
Controversy – Prince
NOTA: 9,8/10
Melhores Faixas: Controversy, Do Me Baby, Jack U Off, Let's Work
Vale a Pena Ouvir: Swexuality, Annie Christian
1999 – Prince
NOTA: 10/10
Aí, no maravilhoso ano de 1982, Prince lançava o atemporal e espetacular 1999. Após o Controversy, que havia afirmado uma identidade própria, aqui essa identidade finalmente ganha uma escala muito maior. Prince pega o ano de 1999, que ainda estava distante, e transforma a aproximação do fim do milênio em uma metáfora para um mundo tomado por medo, guerra, crise e incerteza. Mas a sua resposta é dançar, transar, festejar, se divertir e aproveitar o presente. A produção foi para um som acessível, mas muito bem variado, com os sintetizadores criando linhas de baixo, melodias, texturas, efeitos e até personagens sonoros. O baixo e as guitarras mantêm a dimensão física do Funk, enquanto as baterias eletrônicas colocam aquela sensação mecânica e uma camada futurista; já seus vocais são bem expressivos, tendo até gritos. O repertório é sensacional, sendo uma verdadeira coletânea. No fim, é um disco excepcional e uma completa obra-prima.
Melhores Faixas: 1999, Little Red Corvette, Lady Cab Driver, D.M.S.R., Delirious
Vale a Pena Ouvir: Let's Pretend We're Married, Free, All The Critics Love U In New York
Purple Rain – Prince And The Revolution
NOTA: 10/10
Dois anos se passaram, e Prince lança o clássico Purple Rain, mesmo que o contexto não seja dos mais favoráveis. Após o 1999, Prince decide juntar todas suas características em uma obra que funciona simultaneamente como álbum, trilha sonora, espetáculo, manifesto artístico e apresentação definitiva de sua banda, The Revolution. Com esse trabalho sendo uma trilha sonora do filme de mesmo nome, em que o cantor interpreta The Kid, um músico de Minneapolis lidando com rivalidades, conflitos familiares, relacionamentos e a necessidade de provar seu valor artístico. A produção foi extremamente detalhada e com um som orgânico orientado ao Pop Rock. Com as guitarras possuindo solos definidos, os sintetizadores dialogam muito com a seção rítmica, que coloca uma sensação de movimento constante, além dos vocais de Prince, que são bem variados. O repertório é praticamente uma coletânea, do começo ao fim. No fim, é um disco espetacular e um dos melhores de todos os tempos.
Melhores Faixas: Purple Rain, When Doves Cry, Let's Go Crazy, Take Me With U
Vale a Pena Ouvir: I Would Die 4 U, Baby I'm A Star
Around The World In A Day – Prince And The Revolution
NOTA: 9,8/10
No ano seguinte, Prince lança seu 7º álbum, o também sensacional Around the World in a Day. Após o Purple Rain, em um ato de sua genialidade, ele entra em um universo psicodélico, colorido, espiritual, estranho e muito mais introspectivo. A ideia do Paisley Park aparece aqui de forma constante, funcionando como um espaço mental e espiritual, um lugar que representa uma espécie de perfeição interior, liberdade e imaginação. A produção foi para um som bem mais colorido e que chega a ser nebuloso, com a junção de elementos do Pop Rock com Soul psicodélico, além de elementos do Funk Rock e Rock psicodélico lá dos anos 60. Com isso, temos guitarras processadas, baixos encorpados, sintetizadores cintilantes, baterias pesadas, além do uso de cordas e pianos. Além disso, os vocais são mais atmosféricos, com muita textura. O repertório é incrível, e as canções são bem imersivas. Enfim, é outro disco fantástico e também um clássico.
Melhores Faixas: Raspberry Beret, Pop Life, Condition Of The Heart, Around The World In A Day, America
Vale a Pena Ouvir: Temptation, The Ladder
Parade – Prince And The Revolution
NOTA: 9,8/10
Mais um ano se passou, e Prince lançou outro álbum como trilha sonora, o Parade. Após o Around the World in a Day, o cantor estava trabalhando em várias frentes ao mesmo tempo. Ele também atuou no filme para o qual fez essa trilha, Under the Cherry Moon, no qual interpreta Christopher Tracy, e que se passa em uma França estilizada, possuindo uma estética em preto e branco, com as músicas entrando em uma atmosfera de romantismo europeu que consegue ser moderna e retrô. A produção é bem detalhada e sofisticada, possuindo orquestrações, metais, percussão, teclados, guitarras, vocais em camadas e diferentes texturas. As cordas acrescentam uma sofisticação que vai além do Funk e do Pop. A bateria eletrônica é mecânica e seca, as linhas de baixo são mínimas e os vocais do Prince são extremamente variados, definindo, assim, um Art Pop e Soul psicodélico. O repertório é maravilhoso, e as canções são belíssimas. No geral, é um baita disco e muito bem-feito.
Melhores Faixas: Kiss, Girls & Boys, Sometimes It Snows In April, Anotherloverholenyohead, New Position, Mountains
Vale a Pena Ouvir: Do U Lie?, Life Can Be So Nice, Under The Cherry Moon
Sign "O" The Times – Prince
NOTA: 10/10
Em 1987, Prince lançava um álbum duplo espetacular, intitulado Sign o' the Times. Após o Parade, seu grupo, The Revolution, havia acabado, e o cantor começou a produzir uma quantidade enorme de material que não caberia em um único álbum convencional. Muitas dessas ideias não chegaram a ser disponibilizadas, mas aqui ele passa a trabalhar muito mais como um artista individual, explorando diferentes alter egos e identidades musicais. A produção, feita como sempre pelo próprio Prince, é bastante variada e cinematográfica, com uso de baterias eletrônicas, sintetizadores, samplers e instrumentos processados. Além do uso de vocais processados, principalmente na parte em que o cantor encarna o alter ego Camille, há uma manipulação vocal que deixa a voz bem aguda, transitando entre R&B e Funk. O repertório é maravilhoso, parecendo uma completa coletânea. No fim, é outro disco magnífico e um dos melhores de todos os tempos.
Melhores Faixas: Sign "O" The Times, I Could Never Take The Place Of Your Man, If I Was Your Girlfriend, The Cross, Adore, The Ballad Of Dorothy Parker, Slow Love, It
Vale a Pena Ouvir: Housequake, Play In The Sunshine, It's Gonna Be A Beautiful Night
The Black Album – Prince
NOTA: 8/10
Naquele mesmo ano, seria lançado o controverso The Black Album, que foi extremamente conturbado. Após o Sign o' the Times, esse projeto teria uma função quase casual: Prince estava desenvolvendo música para uma ocasião festiva e, a partir disso, as gravações começaram a ganhar uma personalidade própria. Só que, com o tempo, percebeu que esse material era muito sombrio e que seus temas chegavam a incomodar, o que o fez pedir para cancelar o lançamento desse álbum. Foi por meio da pirataria que as poucas cópias existentes acabaram sendo lançadas. A produção segue um som bem mais teatral e agressivo, e os arranjos são mais rítmicos. A bateria eletrônica tem aquele groove que parece mecânico, os sintetizadores constroem camadas secas e os vocais de Prince são bem variados, com tudo isso transitando entre New Jack Swing e Funk tradicional. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. Enfim, é um disco bacana para algo que era demonizado.
Melhores Faixas: Le Grind, Rockhard In A Funky Place, Superfunkycalifragisexy
Vale a Pena Ouvir: Nigs United 4 West Compton, Cindy C.
Lovesexy – Prince
NOTA: 8,7/10
No ano seguinte, Prince lançava mais um trabalho novo intitulado Lovesexy; dessa vez, não foi boicotado. Após o não lançamento do The Black Album, ele decidiu fazer um álbum muito mais luminoso, afirmativo e espiritual, mas que não abandona o erotismo ou a experimentação. O cantor então procura uma linguagem de amor, fé, transcendência e positividade, criando, assim, um trabalho que soa como uma resposta ao álbum que o precedeu. A produção foi para uma abordagem mais colorida e limpa, utilizando sintetizadores brilhantes, guitarras mais abertas, metais, vocais em camadas e arranjos que frequentemente parecem crescer para cima, seguindo a temática do Funk, mas equilibrando com R&B contemporâneo e Pop Rock. Além disso, as baterias e a percussão deixam uma energia orgânica, e os vocais do Prince alternam bem entre falsetes e interpretações teatrais. O repertório é muito bom, e as canções são bem energéticas. Mas enfim, é um disco legal e muito subestimado.
Melhores Faixas: Alphabet St., Anna Stesia, When 2 R In Love, Lovesexy
Vale a Pena Ouvir: Eye No, Positivity, Dance On
Diamond And Pearls – Prince & The New Power Generation
NOTA: 8,8/10
No ano de 1991, Prince retorna com um álbum novo, o Diamonds and Pearls, só que totalmente reformulado. Após o Lovesexy, o cantor passa a ter uma nova unidade musical ao seu redor. A NPG traz uma dinâmica diferente: Michael B. na bateria, Tommy Barbarella nos teclados, Sonny T. no baixo, Levi Seacer Jr. na guitarra e baixo, além de Rosie Gaines nos vocais e teclados. Tony M. e outros integrantes também acrescentam uma presença muito mais explícita do Rap. A produção foi feita pelo próprio Prince, que seguiu um som moderno e grandioso. Os sintetizadores e as baterias programadas são bem utilizados e se complementam com a cozinha rítmica, que é bem sólida, e com as guitarras, que ficaram mais econômicas, enquanto os vocais de Prince ficaram bem mais melódicos e seguros, encaixando-se nessa temática do R&B contemporâneo, Funk e Soul. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem envolventes. No fim, é um disco bacana e muito divertido.
Melhores Faixas: Diamonds And Pearls, Cream, Insatiable, Money Don't Matter 2 Night, Get Off, Push
Vale a Pena Ouvir: Thunder, Daddy Pop, Walk Don't Walk
Love Symbol – Prince And The New Power Generation
NOTA: 9/10
Mais um ano se passou, e Prince lançou mais um álbum, intitulado Love Symbol. Após o Diamonds and Pearls, que mostrou o cantor se aproximando do R&B noventista e do Rap de maneira relativamente acessível, com esse projeto ele leva essa parceria para uma direção muito mais teatral, conceitual e experimental. A obra gira em torno de uma narrativa que mistura música, personagens, diálogos e uma espécie de melodrama envolvendo Prince, Mayte e uma personagem feminina interpretada nos interlúdios. A produção foi mais variada, mas consegue ser limpa, com o baixo e a bateria sustentando o ritmo, os teclados e sintetizadores colocando ainda mais harmonia nos arranjos, assim como as guitarras, que ficaram mais econômicas, e os vocais do Prince, que são bem mais intimistas e têm aquele toque de teatralidade. O repertório é muito bom, e as canções são bem sentimentais e provocativas. No geral, é um ótimo álbum e consegue ser imersivo.
Melhores Faixas: Sexy M.F., My Name Is Prince, Sweet Baby, 7, Blue Light, 3 Chains O' Gold
Vale a Pena Ouvir: And God Created Woman, The Max
Come – Prince
NOTA: 8,4/10
Dois anos depois, Prince lançava um álbum bem mais sombrio, que foi o Come. Após o Love Symbol, esse novo projeto nasceu em um período bastante complicado, já que os conflitos entre o cantor e a Warner Bros. estavam perto de explodir. Fazendo um trabalho que é meio que um encerramento de uma fase e quase uma espécie de arquivo organizado de material que Prince não queria deixar completamente perdido. A produção foi para um som bem cuidadoso e minimalista, no qual o cantor trabalha com espaços vazios, grooves repetitivos, sintetizadores, baterias programadas, baixo forte, vocais processados e arranjos que muitas vezes parecem deliberadamente incompletos. Apesar disso, os trompetes e metais deixam aquela sensação humana, criando um equilíbrio entre o R&B e o New Jack Swing, com traços de Trip-Hop e Soul. O repertório é ótimo, e as canções são bem cadenciadas. No geral, é um disco bacana e muito subestimado.
Melhores Faixas: Come, Dark, Space
Vale a Pena Ouvir: Pheromone, Letitgo, Race
The Gold Experience – Prince
NOTA: 9,7/10
No ano de 1995, Prince lançava mais um álbum fantástico, o The Gold Experience. Após o Come, o cantor estava completamente esgotado da Warner Bros. e, aí, em um de seus atos de genialidade, passou a utilizar o símbolo O(+> como uma forma de romper com a imagem que havia construído, sendo referido como “o Artista Anteriormente Conhecido como Prince”. Esse projeto seria uma verdadeira junção de todas as suas facetas, fazendo o álbum soar como um renascimento. A produção foi extremamente bem detalhada e elegante, com uma combinação perfeita entre Pop Rock, Funk, R&B contemporâneo e New Jack Swing. Com as linhas de baixo tendo grooves fortes, a bateria sendo precisa, os teclados preenchendo o espaço harmônico, as guitarras tendo riffs fortes, e o uso de metais e a programação eletrônica sendo extremamente eficientes. O repertório é incrível, e as canções são bem energéticas e envolventes. No fim, é um baita disco, praticamente um clássico.
Melhores Faixas: Gold, Endorphinmachine, The Most Beautiful Girl In The World, Dolphin, P Control, Shhh
Vale a Pena Ouvir: Eye Hate U, Shy We March, Billy Jack Bitch
É isso, um abraço e flw!!!














