quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Analisando Discografias - Borges

                  

Intocável – Borges





















NOTA: 8,8/10


No ano de 2021, o Borges lançava seu álbum de estreia intitulado Intocável, que trazia uma proposta interessante. O rapper vindo do bairro Pavuna, na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, começou sua trajetória por volta de 2012, ainda adolescente, quando começou a participar das batalhas, até que, em 2019, começou a integrar a Fire Gang, onde lançou alguns singles, como AK do Flamengo e C Walk. Só que ele acabou saindo, ficando pouco tempo na NGC Records e depois assinando com a Mainstreet. A produção foi diversificada, contando com Ajaxx, Galdino, NeoBeats, entre outros, que colocaram beats pesadas, carregadas de graves fortes, 808s marcados, sintetizadores e atmosferas sombrias, fazendo uma junção do Trap tradicional com No Melody e até traços do Drill, com os flows do BG sendo bem agressivos. O repertório é muito bom, e as canções variam entre profundidade e lifestyle. No fim, é um ótimo álbum de estreia e bem coeso. 

Melhores Faixas: Sodoma e Gomorra (BK’ amassou), Lei Áurea, Aonde Eu Sou Cria (NGC Daddy foi bem), Traidores 
Vale a Pena Ouvir: Preto de Gueto, O Tempo é Rápido Demais (Cabelinho mandou bem)

Amor e Ódio – Borges





















NOTA: 5,5/10


Dois anos se passaram, e o Borges lançou seu 2º álbum, o Amor e Ódio, que foi para um caminho mais variado. Após o Intocável, o rapper acabou ganhando ainda mais destaque depois de lançar o hit Iphone Branco e também chegou a participar do Poesia Acústica 12 (que não foi lá grande coisa). Para esse projeto, ele decidiu trabalhar com dois lados da personalidade e de sua trajetória. Existe o lado da conquista e da vida confortável, mas também aparecem a desconfiança, a falsidade e a sensação de que a ascensão traz novos problemas. A produção contou meio com os mesmos nomes, com alguns novos, como Palma e VT no Beat, que seguiram para beats um pouco mais limpas, com 808s bastante presentes, baterias eletrônicas, hi-hats marcados e synths discretos. Mas o problema é que tudo soa muito repetitivo, e os flows do BG ficam sem variação. O repertório começa bem, mas depois vêm canções fraquíssimas. Enfim, é um álbum mediano e muito impreciso. 

Melhores Faixas: Loucura (ótima feat do Veigh e Cabelinho), Casa Bomba (Dex amassou), Lenda (Ret foi até OK), Federal 
Piores Faixas: Billie Jean, Proibidão Freestyle (Daddy esquecível), Nós É Só Menorzin (Oruam né), Putas e Drogas

O Sol Também Chora – Borges





















NOTA: 9/10


Então chegamos no ano de 2026, o Borges lançou seu mais recente álbum, O Sol Também Chora. Após o Amor e Ódio, o BG passou nesse meio tempo por um periodo dificil passou amadurecer a sua lirica decidindo fazer um projeto muito mais introspectivo e preocupado com questões sociais, espirituais e pessoais. Com a divulgação apresentando uma narrativa que passa por desigualdade, sobrevivência, fé e sucesso, especialmente a partir da experiência de um homem negro dentro de uma sociedade desigual. Produção feita pelo Ajaxx com ajuda do Nansy Silvvz e VT no Beat, que transitaram entre beats de Trap, Boom Bap e Chipmunk Soul, tendo assim graves controlados, synths atmosféricos, 808s discretos e uma utilização relativamente econômica dos elementos instrumentais que deixa o flow do Borges bem consistente. O repertório é incrivel, e as canções são todas carregadas de profundidade. No fim, é um belo álbum e que vai envelhecer muito bem. 

Melhores Faixas: Vença (Emicida sendo a lenda que é), Rei da Noite (BK’ mandou bem), O Show Ainda Não Acabou, Não to Bem, Sofri Demais, Gueto Gospel 
Vale a Pena Ouvir: Seja Como o Sol, Direção (boa feat do Ryu), Acha Que Eu Não Sei

  

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