sábado, 3 de outubro de 2026

Analisando Discografias - Pitty

                 

Admirável Chip Novo – Pitty





















NOTA: 10/10


No ano de 2003, a Pitty lançava seu álbum de estreia, o clássico Admirável Chip Novo. A cantora iniciou sua carreira em 1998, quando se tornou vocalista da banda Ikoma, que acabou não durando muito tempo. Mas, mesmo assim, ela continuou gravando algumas composições e, assim, um produtor chamado Rafael Ramos perguntou se ela ainda tinha gravado algum material. Ela mandou, achando que não ia dar em nada, só que ele gostou e deu aval para que ela pudesse assinar com a Deckdisc. A produção, feita pelo próprio Ramos, deixou um som pesado, mas, ao mesmo tempo, acessível, que dialogava com Post-Grunge, Rock Alternativo e Hard Rock. As guitarras do Peu Sousa são bem marcantes, o baixo do Dunga é bem preciso e a bateria do Duda Machado é muito impactante, enquanto os vocais da Pitty são muito bem alternados. O repertório é sensacional, parecendo quase uma coletânea. No fim, é um baita disco de estreia e um clássico da música brasileira. 

Melhores Faixas: Equalize, Admirável Chip Novo, Teto De Vidro, Do Mesmo Lado, Máscara
Vale a Pena Ouvir: Semana Que Vem, Temporal, O Lobo

Anacrônico – Pitty





















NOTA: 9,8/10


Dois anos depois, a Pitty lançava seu 2º álbum de estúdio, o também sensacional Anacrônico. Após o Admirável Chip Novo, o guitarrista Peu Sousa acabou saindo e entrou Martin Mendonça. Esse novo trabalho meio que ampliou as características do seu anterior, só que agora a abordagem é menos concentrada na ideia de controle e padronização e passa a incorporar conflitos internos, relacionamentos, violência, guerra e busca por identidade. A produção, feita mais uma vez por Rafael Ramos, deixou uma abordagem ainda mais agressiva e direta, juntando Rock Alternativo e Metal Alternativo com elementos do Post-Hardcore, Post-Grunge, Nu Metal e Stoner Rock. As guitarras ficaram mais agressivas, com riffs secos, o baixo é bastante grosso e a bateria é bastante pesada, fora que os vocais da Pitty estão bem mais agressivos. O repertório é maravilhoso, e as canções são muito profundas e urgentes. Enfim, é um baita disco e também é um clássico. 

Melhores Faixas: Na Sua Estante, Déjà Vu, Brinquedo Torto, Anacrônico, Memórias, No Escuro, De Você 
Vale a Pena Ouvir: A Saideira, Quem Vai Queimar?, Ignorin'U, Guerreiros São Guerreiros

Chiaroscuro – Pitty





















NOTA: 8,6/10


No ano de 2009, a Pitty lançava mais um álbum de estúdio, intitulado Chiaroscuro. Após o Anacrônico, a banda continuava trabalhando e fazendo shows, mas isso também serviu para que Pitty e os músicos chegassem a um momento diferente artisticamente. Ela explicou que o novo disco seria mais experimental e que havia uma vontade explícita de caminhar por outros terrenos musicais. A produção seguiu um som mais dinâmico e que não tira aquela acessibilidade. A guitarra continua sendo extremamente importante, variando entre momentos pesados e outros em que serve como textura. O baixo ficou muito mais sustentável, e a bateria ficou mais encorpada e contando com muita variação. Já os vocais da Pitty alternam entre momentos contidos e outros mais expressivos. O repertório é bom, tendo canções divertidas, mas com algumas esquisitas. Enfim, é um álbum legal, mas que é o mais fraco de sua carreira. 

Melhores Faixas: Me Adora, Medo, Só Agora, Fracasso, Todos Estão Mudos 
Piores Faixas: Rato Na Roda, A Sombra

Setevidas – Pitty





















NOTA: 9/10


Cinco anos depois, a Pitty retornava com outro álbum, o subestimadíssimo Setevidas. Após o Chiaroscuro, a cantora fez alguns trabalhos esporádicos, como o projeto Agridoce, ao lado de Martin Mendonça, explorando uma sonoridade muito mais acústica e psicodélica. Esse novo trabalho foi marcado por perdas e problemas que acabaram influenciando o processo de composição, além da entrada do baixista Guilherme Almeida no lugar de Joe Gomes, que, dois anos antes, tinha processado a cantora. A produção seguiu uma abordagem mais orgânica e visceral, que junta Rock Alternativo com elementos do Stoner Rock e Hard Rock. A guitarra passou a ter mais distorção e a fazer uso de reverbs, o baixo ficou mais conciso e a bateria, mais firme. Fora isso, a Pitty faz uso de teclados que preenchem os espaços, além, é claro, de seu vocal bem expressivo. O repertório é incrível, e as canções são todas bem imersivas. Enfim, é um disco bacana e muito consistente. 

Melhores Faixas: Olho Calmo, Deixa Ela Entrar, Boca Aberta, Serpente, Pequena Morte 
Vale a Pena Ouvir: Setevidas, Um Leão, Pouco

Matriz – Pitty





















NOTA: 8,8/10


Então chegamos a 2019, quando ela lançou seu mais recente álbum, intitulado Matriz. Após o Setevidas, a Pitty, depois de passar por toda aquela confusão com sua dublagem em Mortal Kombat X, decidiu fazer um trabalho um pouco mais diferenciado, já que começou a apresentar músicas e ideias durante a estrada e foi percebendo, através dessa experiência, que havia um conceito maior surgindo. Assim, fez um disco que juntava o som característico dela com a temática da cultura baiana. A produção seguiu uma abordagem moderna e, ao mesmo tempo, ampla, juntando Rock Alternativo com elementos do Dub, Reggae e um pouco de Hard Rock. Com isso, as guitarras ficaram mais econômicas, a cozinha rítmica ficou mais orientada ao groove, muito por conta do uso de percussão, e os vocais da Pitty ficaram mais variados. O repertório é muito bom, e as canções são envolventes e, em alguns momentos, cadenciadas. Enfim, é um disco bacana e que foi muito subestimado. 

Melhores Faixas: Noite Inteira, Roda (participação do BaianaSystem), Sol Quadrado, Redimir
Vale a Pena Ouvir: Bahia Blues, Te Conecta, Motor, Ninguém É De Ninguém

   

Analisando Discografias - Fugazi: Parte 1

                  13 Songs – Fugazi NOTA: 9/10 No ano de 1989, foi lançada uma coletânea de uma banda chamada Fugazi, intitulada 13 Songs. I...