Doggystyle – Snoop Doggy Dogg
NOTA: 10/10
No ano de 1993, o Snoop Dogg lançava seu clássico álbum de estreia, o Doggystyle. O rapper, vindo de Long Beach, na Califórnia, começou sua carreira dois anos antes. Vale lembrar que ele ainda era conhecido como Snoop Doggy Dogg e começou a gravar algumas demos. Seu amigo Warren G o apresentou a Dr. Dre, que viu potencial nele, e assim ele assinou com a Death Row Records. Com isso, sua participação no álbum The Chronic deixou todo mundo com uma expectativa altíssima sobre seu primeiro álbum. A produção foi feita inteiramente pelo próprio Dr. Dre, que manteve aquela temática do Gangsta Rap, com beats orientadas para o G-Funk, contando com linhas de baixo bastante encorpadas, sintetizadores de timbres sinuosos, beats cadenciadas e samples de Soul e Funk setentista. Além, claro, dos flows precisos do Snoop. O repertório é maravilhoso, parecendo uma completa coletânea. Enfim, é um baita disco e um dos melhores de todos os tempos.
Melhores Faixas: Gin And Juice, Tha Shiznit, Who Am I (What's My Name)?, Ain't No Fun (If The Homies Can't Have None), Murder Was The Case, Gz And Hustlas
Vale a Pena Ouvir: For All My Niggaz & Bitches, Lodi Dodi, Serial Killa
Tha Doggfather – Snoop Doggy Dogg
NOTA: 6/10
Três anos depois, o Snoop Dogg lançava seu 2º álbum, intitulado Tha Doggfather. Após o clássico Doggystyle, o rapper passou a enfrentar uma série de dificuldades relacionadas à sua vida pessoal e à própria indústria musical. Um dos acontecimentos mais importantes foi o assassinato de Tupac Shakur, em setembro de 1996, que abalou profundamente a Death Row Records e modificou o ambiente ao redor da gravadora. Além disso, ele havia passado por um extenso julgamento sobre seu possível envolvimento no assassinato de Philip Woldemariam. A produção, dessa vez, contou com DJ Pooh, Daz Dillinger, entre outros, que mantiveram os sintetizadores melódicos, os graves encorpados, as linhas de baixo cadenciadas e os samples de Soul e Funk. Mas o problema é que tudo parece muito reciclado, com os flows do Snoop sendo bastante repetitivos. O repertório começa bem, mas depois cansa com canções fracas. Enfim, é um álbum irregular e que deu muito errado.
Melhores Faixas: Doggfather, Up Jump Tha Boogie, Ride 4 Me, Doggyland, Groupie
Piores Faixas: Gold Rush, Freestyle Conversation, Sixx Minutes, (O.J.) Wake Up, You Thought
Da Game Is To Be Sold, Not To Be Told – Snoop Dogg
NOTA: 2,5/10
Dois anos se passaram até Snoop Dogg lançar mais um álbum, o Da Game Is to Be Sold, Not to Be Told. Após o Tha Doggfather, o rapper atravessava um período de transformações profissionais, principalmente por conta de seu afastamento da Death Row Records, devido à quantidade de processos contra Suge Knight, e de sua aproximação com a No Limit Records, gravadora comandada por Master P. Com isso, não preciso dizer que ele entrou de cabeça na sonoridade do Rap sulista. A produção, feita pelo próprio Master P, Craig B, KLC e outros, deixou um som acessível e minimalista, que seguia muito mais a linha do Dirty South. Conta com beats amplas, baterias marcadas, 808s, hi-hats e synths discretos, mas tudo soa extremamente clichê, e o flow do Snoop não consegue se encaixar. O repertório é horrível, e a maioria das canções é medíocre, com poucas faixas interessantes. No final, é um álbum terrível e que parece ter sido feito às pressas.
Melhores Faixas: Still A G Thang, Doggz Gonna Get Ya
Piores Faixas: Tru Tank Drogs, Ain't Nut'in Personal, Hoes, Money & Clout, Pay For P..., DP Gangsta
No Limit Top Dogg – Snoop Dogg
No ano seguinte, Snoop voltou com mais um disco, intitulado No Limit Top Dogg. Após o Da Game Is to Be Sold, Not to Be Told, que foi uma tentativa de reafirmação artística seguindo aquela abordagem do Dirty South que não deu muito certo, o rapper procurou estabelecer uma reconciliação entre as duas fases de sua carreira. O projeto mantém sua ligação com a No Limit Records, mas recupera elementos do G-Funk e da sonoridade da Costa Oeste. A produção contou novamente com Dr. Dre, DJ Quik, Meech Wells e outros, que apresentaram beats mais definidas, contando com baterias variadas, 808s constantes e linhas de baixo profundas. Além de sintetizadores com timbres melódicos, frases prolongadas e pequenas sequências repetitivas e atmosféricas, com o flow do Snoop conseguindo se encaixar melhor. O repertório é legalzinho, e as canções conseguem ser bem divertidas. Enfim, é um disco bacana e que não apresentou os erros de antes.
Melhores Faixas: Down 4 My N's, Just Dippin' (Dr. Dre mandou bem), Bitch Please, Betta Days
Vale a Pena Ouvir: Don't Tell (participação do Warren G e Nate Dogg), Buck 'Em, Something Bout Yo Bidness, 20 Minutes
Tha Last Meal – Snoop Dogg
NOTA: 5/10
Entrando nos anos 2000, o Snoop Dogg lançava seu 5º álbum, o Tha Last Meal. Após o No Limit Top Dogg, o disco surgiu como uma espécie de conclusão de seu período na No Limit Records. O título faz referência justamente à ideia de encerramento dessa parceria, funcionando como uma transição para uma nova etapa, na qual Snoop procurava recuperar definitivamente o controle de sua direção musical. A produção contou com alguns nomes, como Timbaland, Mike Elizondo, entre outros, que trouxeram uma abordagem limpa, com beats secas, graves bem definidos, sintetizadores eletrônicos e elementos percussivos bastante precisos. Mas o grande problema é que tudo fica muito repetitivo e falta algo mais variado, além de que, às vezes, parece que o Snoop está rimando com preguiça. O repertório é mediano, tem canções legais e outras fraquinhas. No geral, é um álbum irregular e cansativo.
Melhores Faixas: Lay Low, Set It Off (ótimas feats do Ice Cube, MC Ren e Nate Dogg), Leave Me Alone, Go Away
Piores Faixas: Issues, I Can't Swim, True Lies, Snoop Dogg (What's My Name Pt. 2)
Paid Tha Cost To Be Da Bo$$ - Snoop Dogg
NOTA: 6/10
Dois anos depois, Snoop Dogg lançava mais um álbum, o Paid Tha Cost to Be da Bo$$. Após o Tha Last Meal, o rapper começou a desenvolver uma nova identidade artística, procurando se afastar parcialmente da sonoridade que havia acompanhado seus primeiros anos de carreira, além de ter criado um selo que levava o nome de seu álbum de estreia. Com isso, nesse novo trabalho, ele passou a explorar novas sonoridades, mas sem abandonar o Rap. A produção contou com The Neptunes, DJ Premier, Jelly Roll e outros, que seguiram uma abordagem mais acessível, colocando aqueles elementos do Gangsta Rap em diálogo com Pop, R&B e Funk. As beats ficaram mais diretas, contando com baterias controladas, timbres eletrônicos, sequências repetitivas e pequenos efeitos que criam uma atmosfera futurista. Mesmo assim, tudo fica bem arrastado e carregado de excessos. O repertório é irregular, tendo canções boas e outras fraquinhas. Enfim, é um álbum mediano e inconsistente.
Melhores Faixas: Beautiful, The One And Only, From Tha Church To Da Palace, I Believe In You, Batman & Robin
Piores Faixas: I Miss That Bitch, Bo$$ Playa, Ballin', A Message 2 Fat Cuzz
R & G (Rhythm & Gangsta): The Masterpiece – Snoop Dogg
NOTA: 8,2/10
Melhores Faixas: Drop It Like It's Hot, Signs (Justin Timberlake ficou só no refrão), Let's Get Blown, No Thang On Me
Vale a Pena Ouvir: Oh No (50 Cent mandou bem), Pass It Pass It, Can U Control Yo Hoe, Perfect
Tha Blue Carpet Treatment – Snoop Dogg
NOTA: 9/10
Mais dois anos se passaram até Snoop Dogg lançar seu 8º álbum, o Tha Blue Carpet Treatment. Após o R&G (Rhythm & Gangsta): The Masterpiece, o rapper decidiu trabalhar em um projeto que retomasse elementos do Gangsta Rap da Costa Oeste, sem abandonar completamente a modernização de sua sonoridade. Portanto, a proposta não era simplesmente reproduzir o som dos anos 90, mas encontrar uma maneira de combinar sua identidade clássica com as tendências de produção daquele período. A produção contou, em parte, com os mesmos nomes, além de nomes como Rick Rock e Nottz, que trouxeram beats pesadas, grooves mais descontraídos, instrumentais minimalistas e produções que recuperam características do G-Funk. As linhas graves variam entre timbres sintetizados e elementos modernos, enquanto os flows do Snoop estão bem variados e precisos. O repertório é incrível, e as canções são bem divertidas e imersivas. No final, é um baita disco e que deu muito certo.
Melhores Faixas: That's That Shit (foda-se a feat), Think About It, Vato (B-Real mandou bem), 10 Lil' Crips, LAX (Ice Cube amassou), Imagine (baita feat do Dr. Dre e do D’Angelo), I Wanna Fuck You (grande feat do Akon), Which One Of You, Don't Stop (ótima feat do Kurupt)
Vale a Pena Ouvir: Candy (Drippin' Like Water) (quase uma cypher: Kurupt, MC Eitht, Daz Dillinger, E-40), Crazy (Nate Dogg marcando presença), Round Here, Get A Light
Ego Trippin – Snoop Dogg
NOTA: 3,5/10
Em 2008, Snoop Dogg lançava mais um projeto novo, o Ego Trippin', que tentou ser mais sério. Após o Tha Blue Carpet Treatment, o rapper decidiu trabalhar em um projeto com uma proposta mais livre, explorando diferentes estilos musicais e reduzindo a dependência de participações de outros artistas. A intenção era apresentar um álbum mais centrado em sua própria personalidade, tanto na interpretação quanto na variedade de caminhos sonoros. A produção contou com aqueles mesmos nomes, só que agora eles trabalharam dentro de um som variado, que vai do Chipmunk Soul, R&B, Synth Funk e G-Funk. O álbum conta com beats pesadas, baterias secas, 808s constantes e uso mais frequente de hi-hats e synths, que dão ao projeto uma temática mais atmosférica, mas tudo soa bastante confuso, e o uso de Auto-Tune pelo Snoop não funciona. O repertório é muito ruim, e as canções são todas muito genéricas. Enfim, é um disco terrível e que foi um tropeço.
Melhores Faixas: Neva Have 2 Worry, Those Gurlz, Cool, One Chance (Make It Good)
Piores Faixas: Sexual Eruption, Why Did You Leave Me, Set Up, SD Is Out, Deez Hollywood Nights, Staxxx In My Jeans
Doggumentary – Snoop Dogg
NOTA: 3/10
Três anos se passaram até Snoop Dogg ressurgir com um novo álbum, o Doggumentary. Após o Ego Trippin', ele quis fazer um álbum que procurasse reunir diferentes fases de sua carreira, misturando referências à sua trajetória com tendências de produção mais recentes. O projeto também surgiu em um período em que o Hip Hop estava passando por mudanças importantes. As produções eletrônicas e as baterias programadas ganhavam cada vez mais espaço, enquanto muitos artistas tentavam se readaptar. A produção contou com DJ Khalil, Battlecat, Mr. Porter, entre outros, que trouxeram uma abordagem acessível e moderna. Os beats continuaram muito variados, contando com baterias secas, 808s constantes, hi-hats discretos e aquele uso de sintetizadores característicos. Mas o problema é que muitos elementos são desnecessários e repetitivos. O repertório é ruim, tendo canções chatinhas e poucas interessantes. Enfim, é um disco horrível e impreciso.
Melhores Faixas: My Own Way, El Lay
Piores Faixas: Boom (T-Pain totalmente esquecível), My Fuckin House, Peer Pressure, Platinum, Superman, It's D Only Thang, Wet
Bush – Snoop Dogg
NOTA: 8,7/10
Melhores Faixas: California Roll (participação do Stevie Wonder), Peaches N Cream, So Many Pros, I'm Ya Dogg (Kendrick mandou bem)
Vale a Pena Ouvir: I Knew That, R U A Freak, Edibles (ótima feat do T.I.)
Neva Left – Snoop Dogg
NOTA: 8/10
Dois anos se passaram até o rapper lançar mais um trabalho novo, o Neva Left. Após o Bush, Snoop Dogg decidiu retornar a uma abordagem mais próxima do Gangsta Rap e a uma atmosfera associada à sua trajetória nos anos 90. O título faz referência à permanência de Snoop dentro da cultura Hip Hop. Mesmo depois de décadas de carreira, mudanças de tendências e experiências em diferentes gêneros musicais, o rapper procura demonstrar que continua conectado às suas origens. A produção voltou a ser diversificada, contando com Rick Rock, DJ Battlecat, Dr. Evo e outros, que trouxeram beats mais orientadas para o G-Funk, mas com momentos que dialogam com Trap e Boom Bap. Com isso, temos 808s precisos, kicks firmes, caixas marcadas e hi-hats discretos, com os flows do Snoop sendo bem precisos e até mais agressivos. O repertório é ótimo, e as canções são bem profundas e até envolventes. Enfim, é outro trabalho muito bom e subestimado dele.
Melhores Faixas: Bacc In Da Dayz, Mount Kushmore (Method Man & Redman e B-Real amassaram), Go On
Vale a Pena Ouvir: Neva Left, Let Us Begin (ótima feat do KRS-One), Promise You This, I'm Still Here
BODR – Snoop Dogg
NOTA: 5,5/10
No ano de 2022, Snoop Dogg lançava o álbum BODR, que trazia uma carga histórica. Após o Neva Left, o rapper assumiu o controle da marca Death Row, que estava praticamente obsoleta devido às diversas ações horríveis cometidas por Suge Knight enquanto comandava a gravadora. Com isso, ele utilizou o álbum como uma espécie de declaração de retorno às suas raízes. A produção contou com DJ Battlecat, Hi-Tek, Hit-Boy e outros, que trouxeram beats variados, indo do G-Funk, Boom Bap, Chipmunk Soul e Trap. O álbum conta com baterias secas, linhas de baixo profundas, sintetizadores atmosféricos, hi-hats precisos e até um pequeno uso de pads. Mas, mesmo com toda a proposta eufórica, parece que a maioria das estruturas é bastante clichê e monótona, e até a performance do Snoop acaba sendo prejudicada. O repertório é fraquíssimo, tendo canções boas e outras sem graça. No final de tudo, é só um disco bem mais do mesmo.
Melhores Faixas: Gun Smoke, Conflicted (Nas amassou), Jerseys In The Rafters (ótima feat do The Game), Outside The Box (Nate Dogg marcando uma presença espiritual)
Piores Faixas: Get This Dick, Coming Back, Pop Pop, Doggystylin
É isso, então flw!!!












