sábado, 23 de novembro de 2024

Analisando Discografias - Flávio Venturini: Parte 1

                 

Nascente – Flávio Venturini





















NOTA: 8,7/10


Em 1982, Flávio Venturini lançou seu 1º trabalho solo, o Nascente, embora naquela época ainda integrasse o 14 Bis. Após sua participação no Clube da Esquina e em O Terço, além de continuar como um integrante importante do 14 Bis, Venturini desejava que seu álbum de estreia apresentasse uma sonoridade rica, explorando elementos da MPB e da música Pop, com toques de sofisticação e sensibilidade. A produção, feita por Mayrton Bahia sob o selo EMI, conta com uma abordagem musical rica e envolvente, com arranjos delicados e atmosferas sonoras criadas por instrumentos acústicos, cordas e sintetizadores, frequentemente conduzidos por maestros como Wagner Tiso. O repertório é muito bom, com canções melódicas que são completamente excepcionais. Em suma, é um ótimo trabalho de estreia, que mostrava que Flávio Venturini tinha potencial para decolar ainda mais. 

Melhores Faixas: Qualquer Coisa A Haver Com O Paraíso, Princesa, Pensando Em Você, Espanhola 
Vale a Pena Ouvir: Fascinação, Nascente, Teu Olhar, Meus Olhos

O Andarilho – Flávio Venturini 





















NOTA: 9,1/10


Dois anos depois, Flávio Venturini lançou seu 2º disco, O Andarilho, que trazia alguns diferenciais em termos sonoros. Após o Nascente, Venturini continuou focado no 14 Bis (como já sabemos), mas não deixou de lado sua carreira solo. Assim, após uma viagem pelos Andes até Machu Picchu, essa experiência influenciou profundamente a atmosfera do disco, que reflete elementos da música andina e da rica tradição musical mineira. Produzido novamente por Mayrton Bahia, o álbum apresenta uma fusão de sonoridades que vai desde a MPB até influências andinas e progressivas, resultando em arranjos sofisticados que equilibram elementos acústicos e eletrônicos, mostrando que aqui tudo foi bem experimental. O repertório é muito interessante, com canções marcantes, incluindo participações especiais de Milton Nascimento, Lô Borges e até mesmo do próprio 14 Bis. No fim, é um ótimo disco, que envelheceu muito bem. 

Melhores Faixas: Tarde Demais, Anjo Bom, Caramelo, Emmanuel 
Vale a Pena Ouvir: Preciosa, No Trem Do Amor, Trilhas

Cidade Veloz – Flávio Venturini 





















NOTA: 8,3/10


Seis anos se passaram e, já na década de 1990, Flávio Venturini lançou o Cidade Veloz, um álbum bem mais reflexivo. Após O Andarilho, Flávio ainda seguia sua trajetória no 14 Bis, mas, após o sétimo álbum da banda, decidiu sair e dedicar-se integralmente à sua carreira solo, continuando a explorar a música brasileira em suas nuances mais líricas e melódicas, como evidenciado em seus trabalhos anteriores. A produção, realizada por Zé Nogueira e lançada sob o selo Som Livre, focou na valorização de arranjos sofisticados, com elementos de piano, sintetizadores e percussão brasileira. Essa riqueza sonora é um dos pontos altos do trabalho, evidenciando a experiência de Venturini tanto como compositor quanto como instrumentista. O repertório é muito bom, com canções que apresentam um alto nível de coesão sonora. Enfim, é um álbum muito interessante, apesar de não ser tão lembrado pelos fãs. 

Melhores Faixas: Viver por Viver, Pierrot, Casa Vazia 
Vale a Pena Ouvir: Um Violeiro, O Medo Não Cria

Noites Com Sol – Flávio Venturini





















NOTA: 9/10


Quatro anos depois, ele lançou Noites Com Sol, um trabalho muito mais comercial do que todos os anteriores. Após o Cidade Veloz, Flávio Venturini decidiu ampliar sua sonoridade Pop com a sofisticação da MPB, traços herdados de sua ligação com o movimento Clube da Esquina. Este projeto é uma síntese de seu talento melódico e poético, marcado pela parceria com letristas como Ronaldo Bastos, um de seus colaboradores frequentes. A produção, feita por Torcuato Mariano, foi cuidadosamente minuciosa, com Flávio assumindo parte dos arranjos, com uma instrumentação rica e equilibrada, destacando-se os teclados, cordas e elementos eletrônicos sutis que enriquecem a atmosfera das faixas. O repertório é maravilhoso, com canções que se dividem entre energéticas e mais suaves em seus ritmos. Enfim, é um belo trabalho, que trouxe mais relevância para ele. 

Melhores Faixas: Noites Com Sol, Calor, Clube da Esquina II, Navios 
Vale a Pena Ouvir: O Que Tem de Ser, Um Cupido Me Falou, Cabaret de Sereia

Beija Flor – Flávio Venturini 





















NOTA: 7,7/10


Pouco tempo depois, ele lançou seu 5º álbum de estúdio, o Beija-Flor, que não trouxe tantas mudanças. Após o Noites Com Sol, Flávio Venturini se estabeleceu como um dos mais respeitados compositores e intérpretes do Brasil. Novamente, ele decidiu explorar temas como amor, natureza e espiritualidade, tudo de uma forma mais melódica. A produção, conduzida novamente por Torcuato Mariano, trouxe arranjos mais delicados, realçando a suavidade da voz de Flávio Venturini, com uma instrumentação mais acústica, deixando de lado aquela experimentação presente em seus antecessores, e tentando se encaixar nas canções mais íntimas da MPB. O repertório é bem interessante, trazendo algumas canções bem legais e outras que são completamente inexpressivas. No final, é um disco bom, embora tenha seus defeitos. 

Melhores Faixas: Nós Dois Aqui, De Sombra e Sol, Flor 
Piores Faixas: Falso Blasé, Beija-Flor, Para Lennon e McCartney
  

É isso, então flw!!!   

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Analisando Discografias - Sérgio Hinds: Parte 2

                    

Mar – Sérgio Hinds





















NOTA: 5/10


Em 1986, Sérgio Hinds lançou seu 2º disco, intitulado Mar, que desta vez era muito mais experimental. Após o ótimo trabalho de estreia, Hinds deixou sua carreira solo de lado para gravar O Som Mais Puro com O Terço, que foi um total fiasco, principalmente por ser um álbum bastante irregular, levando ao fim da banda mais uma vez. Hinds decidiu, então, que este novo trabalho seria mais experimental e buscaria fundir mais estilos. Ele mesmo produziu o disco, tentando criar uma sonoridade completamente instrumental. Além de conter riffs de guitarra, tem uso de outros instrumentos, como saxofone e percussões, mas tudo é sintetizado de forma exagerada, o que dificulta perceber as influências progressivas e de Jazz. O repertório, extremamente curto, é muito mediano, com canções que chegam a ser tediosas. Sendo assim, um trabalho fraquíssimo, que fez Hinds abandonar de vez a ideia de seguir carreira solo. 

Melhores Faixas: Marear 
Piores Faixas: Automotiva, Saxual

                                                         Então é isso e flw!!!    

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

Analisando Discografias - Sérgio Hinds: Parte 1

                    

Sérgio Hinds – Sérgio Hinds





















NOTA: 8/10


No final da década de 70, Sérgio Hinds decidiu mergulhar em uma carreira solo, lançando seu disco de estreia autointitulado. Após a dissolução temporária da banda O Terço. Hinds decidiu que, em seu primeiro trabalho solo, deixaria de lado as influências de Rock progressivo características de sua banda, preferindo uma abordagem mais diversa, integrando elementos de Reggae e Samba. A produção foi feita por Romeu Giosa, com arranjos assinados pelo próprio Hinds. Ele optou por um estilo mais envolvente, que abandonava a fórmula cadenciada do Terço em favor de uma sonoridade mais energética e vibrante, características das influências que ele buscou, embora a guitarra ainda estivesse presente. Trazendo um repertório muito interessante, com canções divertidíssimas, incluindo um belo tributo a Rogério Duprat que aparece nesse disco. Em suma, é um trabalho muito bacana, apesar de ter sido completamente ignorado. 

Melhores Faixas: É Só Manter As Aparências, Sempre Presente 
Vale a Pena Ouvir: Há Quanto Tempo Eu Passo Essa Rua, Dia a Dia, Mudar De Casa, Anjo Demônio

                                                         Então é isso e flw!!!   

Analisando Discografias - 14 Bis: Parte 6

                  

Outros Planos – 14 Bis





















NOTA: 8/10


Em 2004, chegou o último trabalho do 14 Bis (poderia até dizer "até o momento", mas para mim já é definitivo), o Outros Planos. Após o álbum Bis, a banda, que já estava desgastada e completamente fora da grande mídia, decidiu fazer um novo trabalho que mostrasse sua exploração de novas sonoridades. A produção, feita pelo próprio Cláudio Venturini, buscou trazer um equilíbrio entre a instrumentação tradicional deles, com arranjos sofisticados, e novas texturas sonoras que iam além daquela fórmula de Rock progressivo, Soft Rock e MPB que eles utilizavam. Os temas são mais introspectivos, explorando a transição entre sonhos, memórias e reflexões sobre o futuro. O repertório é muito interessante, trazendo canções com melodias muito bem amarradas. No fim, é um ótimo disco que encerrou a trajetória da banda mineira de forma digna. 

Melhores Faixas: Até O Dia Clarear, Palavra Coração 
Vale a Pena Ouvir: Outono, Cedo Ou Tarde, Outros Planos, Sinais De Amor, Mão Amiga


quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Analisando Discografias - 14 Bis: Parte 5

                

Bis – 14 Bis





















NOTA: 5,2/10


Em 1999, o 14 Bis lançou mais um disco, o Bis, que, apesar do título, não é uma coletânea, embora traga material de diversos momentos da discografia da banda. Após o Siga o Sol, decidiram lançar um novo trabalho para celebrar sua trajetória, consolidando hits de diferentes fases. A produção, feita por José Celso Guida e lançada pelo selo da Polygram, apresenta arranjos que tentam ser fiéis às versões originais, embora tudo tenha ficado mais acústico, com uma sonoridade que remete a projetos no estilo da MTV. Apesar do equilíbrio entre os instrumentos, muitas melodias soam forçadas e não combinam com as versões originais. O repertório consiste basicamente em canções dos trabalhos anteriores, com algumas participações especiais, como Samuel Rosa, do Skank, e Lô Borges, além de duas faixas inéditas medianas. No final de tudo, é um trabalho irregular, que parece ter sido feito para ganhar uns trocados. 

Melhores Faixas: Todo Azul Do Mar, Bola de Meia, Bola de Gude, Linda Juventude, Sonhando o Futuro 
Piores Faixas: Canção Da América (Unencounter), Caçador de Mim, Natural / Nova Manhã, Tudo Céu
  

  Então é isso, um abraço e flw!!!         

terça-feira, 19 de novembro de 2024

Analisando Discografias - 14 Bis: Parte 4

                  

Quatro por Quatro – 14 Bis





















NOTA: 8,5/10


Após um longo intervalo de cinco anos, o 14 Bis retorna com mais um disco, Quatro por Quatro. Após o Sete (7º álbum de estúdio deles), Flávio Venturini decidiu sair da banda para focar de vez em sua carreira solo, e isso ocorreu de forma amigável, já que ele ainda participou deste trabalho e de outros futuros. Com esse contexto, decidiram que este disco fosse mais cadenciado e retornasse às suas raízes progressivas. A produção, feita por Renato Ladeira, é totalmente polida e cuidadosa, com arranjos elaborados que exploram a potência vocal e instrumental dos integrantes. O som combina a estética clássica da banda, com harmonias vocais intricadas e influências mineiras, mas, claro, tudo adaptado de forma moderna para se enquadrar na grande mídia. O repertório é excelente, trazendo canções belíssimas e completamente leves. Enfim, é um baita disco que mostrou que, mesmo sem seu principal compositor, a banda conseguiu se manter em alto nível. 

Melhores Faixas: Eu Já Fechei Meus Olhos (Mas Quem Não?), Luz Na Escuridão, Máscara Convencional 
Vale a Pena Ouvir: Clareiras, Por Mim Agora, O Fogo Do Teu Olhar, Cura Pela Luz

Siga o Sol – 14 Bis 





















NOTA: 8/10


Quatro anos se passam, e o 14 Bis lança o Siga o Sol, que segue a mesma linha já apresentada pela banda. Após o Quatro por Quatro, a banda consolidou sua identidade pós-Flávio Venturini, com Cláudio Venturini assumindo maior protagonismo na composição e nos vocais. Apesar disso, eles encerraram o vínculo com a EMI devido às baixas vendagens e à falta de relevância comercial. No entanto, assinaram com a gravadora Velas (aquela do Ivan Lins). A produção, conduzida novamente por Mayrton Bahia, trouxe arranjos cuidadosos e o uso de teclados atmosféricos, mas manteve o estilo progressivo e melódico da banda, alinhado à estética do Soft Rock. O repertório é belíssimo, com canções muito interessantes, especialmente por seus temas. No fim, é um ótimo trabalho da banda mineira, embora não seja tão lembrado. 

Melhores Faixas: Vida Nova, Siga o Sol, De Ponta-Cabeça 
Vale a Pena Ouvir: Outra Estrada, Todos Nós, Bandeiras, Faça o Seu Jogo
  

            Então um abraço e flw!!!    

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Analisando Discografias - 14 Bis: Parte 3

                

Sete – 14 Bis





















NOTA: 3,3/10


Mais dois anos se passam, e o 14 Bis lança seu 7º álbum de estúdio, Sete (sim, esse é o título, bem simples). Após o mediano A Nave Vai, a banda passou um grande período fazendo turnês, além, é claro, do Flávio Venturini já estar focando bastante em sua carreira solo, compondo músicas para definir seus futuros trabalhos, o que já dava indícios de uma possível saída. No entanto, a banda precisava recuperar sua relevância. A produção ficou a cargo, novamente, do Mayrton Bahia, que mais uma vez buscou equilibrar elementos acústicos e elétricos. Dessa vez, eles não exageraram nos sintetizadores, optando por uma instrumentação mais melódica, puxada para a MPB e o Pop Rock. Porém, o resultado acabou bastante enfadonho. Com um repertório que, no início, com as duas primeiras faixas, até engana, principalmente a parceria com Renato Russo, mas, em seguida, vem uma sequência de canções tediosas. No fim, é um trabalho fraquíssimo, que contribuiu para a decadência da banda. 

Melhores Faixas: Canção Sem Fim, Mais Uma Vez, Templo (Nossa Casa É Azul) 
Piores Faixas: Chapéu De Sol, Chapéu e Sol, Anoitecer Deserto, Sete
  

        Então é isso, um abraço e flw!!!        

domingo, 17 de novembro de 2024

Analisando Discografias - 14 Bis: Parte 2

                 

14 Bis II – 14 Bis





















NOTA: 9,4/10


Logo no ano seguinte, o 14 Bis lançou seu 2º álbum de estúdio, que trazia a banda com um som um pouco mais comercial. Após o sucesso da estreia, a banda buscou reafirmar sua identidade única, ainda seguindo a fórmula que havia garantido o êxito anterior. Já na recém-iniciada década de 1980, o som da banda tornou-se um pouco mais pasteurizado, na tentativa de conquistar maior espaço na grande mídia. A produção, assinada por Mayrton Bahia e Tavito, manteve a abordagem inovadora do primeiro álbum, apostando em arranjos elaborados e no uso de tecnologias como sintetizadores. Flávio Venturini e Vermelho se destacaram na criação de texturas sonoras, explorando harmonias vocais complexas e uma paleta instrumental rica. O repertório é simplesmente maravilhoso, com canções impecáveis. Sendo assim, um disco espetacular e um clássico do Rock nacional. 

Melhores Faixas: Planeta Sonho, Bola de Meia, Bola de Gude, Nova Manhã, Pedras Rolantes (Nas Ondas Do Rádio) 
Vale a Pena Ouvir: Caçador De Mim, Carrossel

Espelho Das Águas – 14 Bis 





















NOTA: 8,6/10


Mais um ano se passa, e o 14 Bis retorna com seu 3º álbum, o Espelho das Águas, que não trazia muitas mudanças. Após o sucesso do 14 Bis II, a banda percebeu que estava no caminho certo, principalmente por dialogar com o movimento Clube da Esquina e com a cena musical nacional da época. Eles decidiram continuar trazendo temas serenos e mantendo uma abordagem mais comercial. A produção, feita por Miguel Plopschi, foi extremamente cuidadosa, valorizando tanto os vocais harmoniosos quanto os arranjos instrumentais, com destaque para os teclados de Flávio Venturini e as guitarras de Cláudio Venturini. Apesar de a sonoridade não ficar só no lado progressivo, ela apresenta um estilo mais voltado ao Soft Rock, com toques de Country Rock. O repertório é muito bom e traz canções bastante interessantes. No fim, é um ótimo disco, cheio de riqueza instrumental. 

Melhores Faixas: Doce Loucura, Mesmo De Brincadeira, Razões Do Coração, No Vale Do Povão 
Vale a Pena Ouvir: A Qualquer Tempo, Dança Do Tempo, Espelho Das Águas

Além Paraíso – 14 Bis 





















NOTA: 9/10


Pouco tempo depois, a banda retorna com Além Paraíso, que apresentava um som totalmente comercial. Após o Espelho das Águas, o 14 Bis decidiu gravar seu novo trabalho fora do país, influenciado por viagens internacionais e pela busca por sonoridades inovadoras, utilizando equipamentos de ponta adquiridos nos Estados Unidos. A produção, conduzida por Mariozinho Rocha, permitiu que a banda explorasse uma ampla gama de texturas sonoras. Apesar de manter elementos da música brasileira e de suas raízes progressivas, o grupo decidiu mergulhar no universo da New Wave, utilizando sintetizadores, guitarras limpas e arranjos vocais detalhados, tudo isso sem deixar de lado a veia comercial. O repertório, mais uma vez, é muito bom e traz canções belíssimas, especialmente em seus temas. No final de tudo, é um trabalho muito interessante que elevou ainda mais o sucesso da banda. 

Melhores Faixas: Linda Juventude, Pequenas Coisas, Uma Velha Canção Rock ‘N’ Roll, Pele de Verão 
Vale a Pena Ouvir: Passeio Pelo Interior, Querer Bem (Birmingham), Romance De Amor

A Idade Da Luz – 14 Bis





















NOTA: 8,2/10


Outro intervalo de um ano se passa, e chega mais um disco do 14 Bis, intitulado A Idade da Luz. Após o sucesso do Além Paraíso, a banda continuou explorando temáticas líricas introspectivas e cósmicas. Aproveitando o sucesso que a Blitz havia alcançado e o destaque crescente do Rock nacional, eles decidiram retornar às suas raízes iniciais, ao mesmo tempo que buscava manter a relevância conquistada. A produção feita por Mayrton Bahia, trouxe uma abordagem técnica que combina harmonias vocais marcantes com arranjos instrumentais ricos. Elementos como sintetizadores, guitarras e vocais em camadas são utilizados de forma predominante. A banda continuou explorando a sonoridade da New Wave, mas com uma maior predominância do Rock progressivo que os caracterizou no início. O repertório é muito interessante, com canções atmosféricas e cadenciadas. Em suma, é um trabalho muito interessante, apesar de ser muito subestimado. 

Melhores Faixas: Todo Azul Do Mar, Melhor, Cinema Imaginário 
Vale a Pena Ouvir: As Quatro Estações De Veja, Adoráveis Criaturas, Nave De Prata, Idade Da Luz

A Nave Vai – 14 Bis 





















NOTA: 5,8/10


Dois anos se passam, e o 14 Bis retorna com seu 6º álbum, A Nave Vai, que marcou algumas mudanças na banda. Após A Idade da Luz, o grupo decidiu fazer uma pequena pausa para se dedicar a turnês e projetos paralelos, como no caso do Flávio Venturini, que gravou mais um disco solo. Esse período de pausa influenciou a direção criativa, já que eles queriam explorar a sonoridade do movimento britânico New Age. A produção foi conduzida pelo mesmo produtor e trouxe arranjos mais minuciosos. Além disso, houve um uso exagerado de sintetizadores e texturas eletrônicas para se enquadrar nesse estilo. No entanto, apesar de tentarem incorporar influências progressivas, o resultado soou mais como uma imitação de bandas como Duran Duran ou Tears for Fears. Isso se reflete em um repertório irregular, dividido entre canções boas e outras mais medianas. No final, é um trabalho muito abaixo, que parece ter sido feito às pressas. 

Melhores Faixas: Mel Do Amor, Sem Duvidar, Toada Mineira 
Piores Faixas: Nuvens, Pedra Bonita, Outras Dimensões (A Nave Vai), Figura Rara
  

Por hoje é só, um abraço e flw!!!  

sábado, 16 de novembro de 2024

Analisando Discografias - 14 Bis: Parte 1

                

14 Bis I – 14 Bis





















NOTA: 8,8/10


Agora, voltando a 1979, era lançado o disco de estreia da banda mineira 14 Bis. Formada por Flávio Venturini, que havia recém-saído do Terço, ele trouxe consigo o baixista Sérgio Magrão, o seu irmão Cláudio Venturini na guitarra, e, para completar, os ex-integrantes da banda Bendegó: o baterista Hely Rodrigues e o tecladista Vermelho. Influenciados pelo Clube da Esquina, a banda trouxe uma mistura inovadora de harmonias vocais e arranjos instrumentais. A produção, feita pelos produtores da EMI, foi realizada em meio a recursos tecnológicos limitados no Brasil. Apesar disso, a sonoridade é rica, destacando instrumentos acústicos e elétricos, além de vocais bem trabalhados. Trazendo uma sonoridade que inclui desde Rock progressivo, MPB, Soft Rock até Folk. O repertório é excelente, recheado de canções muito interessantes e com ótimas melodias. Em suma, é um trabalho de estreia muito bom, apesar de não ter "furado a bolha" do mainstream. 

Melhores Faixas: Natural, Canção da América, Pedra Menina, Meio-Dia 
Vale a Pena Ouvir: Ponta De Esperança, O Vento, A Chuva, O Teu Olhar, Sonho De Valsa
  

      Então é isso, um abraço e flw!!!       

Analisando Discografias - O Terço: Parte 6

                 

Time Travellers – O Terço





















NOTA: 9/10


Dois anos depois, O Terço lançou mais um disco, o Time Travellers, no qual a banda basicamente cantava em inglês. Após o álbum anterior, que foi um completo fiasco, este novo trabalho marcou o retorno ao Rock progressivo que consagrou o grupo nos anos 1970. Além disso, eles decidiram compor letras em inglês, visando o mercado exterior. Com uma formação renovada, incluindo Franklin Paollilo (bateria), Luiz De Boni (teclados) e Andrei Ivanovic (baixo), a banda contou, como sempre, com Sérgio Hinds como guitarrista e frontman. Produzido pela própria banda e lançado pelo selo Record Runner, o álbum apresenta uma sonoridade que combina elementos clássicos do Prog Rock com abordagens contemporâneas da época. O repertório é de alta qualidade, com belíssimas canções e três ótimas faixas instrumentais. No fim, trata-se de um trabalho sensacional, que recolocou a banda em seu devido lugar. 

Melhores Faixas: Time Travellers, The Rhythm Of The Universe 
Vale a Pena Ouvir: The Last Journey, Crucis, The Guardians

Compositores – O Terço





















NOTA: 8/10


Depois de quatro anos, eles retornaram lançando mais um trabalho, o Compositores, que é basicamente um álbum de covers. Após o Time Travellers, O Terço realizou turnês fora do país e, em 1994, gravou um álbum ao vivo em conjunto com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Mantendo a mesma formação, mas sem Franklin Paollilo, decidiram produzir um disco que homenageasse composições marcantes. A produção, a cargo de Sérgio Hinds e Luiz De Boni, ficou alinhada à intenção de criar uma atmosfera que misturasse Rock progressivo com elementos da MPB e do Rock clássico. A banda preservou sua essência instrumental, com ênfase na qualidade técnica dos arranjos e nas interpretações emocionantes. O repertório é excelente, com todos os covers bem interpretados. Além disso, o álbum conta com faixas que incluem participações desde Flávio Venturini e Arnaldo Antunes. Enfim, trata-se de um ótimo álbum, apesar de ser bastante obscuro. 

Melhores Faixas: Mágica, Folhas Secas, Mundaréu, Mãe Terra 
Vale a Pena Ouvir: Poeira, Sangue Latino, Deus, Prazer e Fé

Spiral Words – O Terço 





















NOTA: 8,6/10


Pouco tempo depois, eles lançaram seu 10º álbum, o Spiral Words, que continuava seguindo a fórmula do Time Travellers. Após o Compositores, Sérgio Hinds quis modernizar o som sem perder a essência dos anos 70, que marcou os álbuns mais clássicos da banda. Dessa vez, com mais uma nova formação, o grupo incluiu Beto Correa nos teclados, Max Robert no baixo, Daniel Baeder na bateria e Edu Araújo dividindo os vocais e a guitarra com Hinds. A produção, mais uma vez feita por Sérgio Hinds, continuou a trazer aquela complexidade técnica aliada à acessibilidade melódica. Com arranjos detalhados, cada faixa destaca a virtuosidade dos músicos, especialmente nos solos de guitarra e teclados, criando uma sonoridade que vai além do Rock progressivo, explorando desde o Jazz fusion até um pouco de Soft Rock. O repertório é muito interessante, com canções que apresentam boas melodias. No final, é um disco bem interessante, apesar de faltar alguns complementos. 

Melhores Faixas: Sete, Pregnant, Balão 
Vale a Pena Ouvir: The Song, Beyond The Real, Spiral Words, 1974

Tributo a Raul Seixas – O Terço





















NOTA: 7,4/10


E aí chegamos ao último álbum do Terço, intitulado Tributo a Raul Seixas, ou seja, basicamente um trabalho em homenagem ao saudoso Maluco Beleza. Depois de lançarem Spiral Words, eles se uniram para revisitar o repertório clássico do Raul Seixas, reforçando a relevância e a influência do artista no cenário musical nacional. A produção, feita por Sérgio Hinds, seguiu a estética do Rock clássico, com arranjos que equilibram a fidelidade às composições de Raul e a assinatura estilística da banda. A sonoridade combina elementos acústicos e elétricos, respeitando a essência das obras de Raul, enquanto adiciona camadas instrumentais características da banda, além de ter uma temática de Hard Rock que, dessa vez, funcionou. Como já dito, o repertório é só de músicas do Raulzito. Alguns covers ficaram muito legais, enquanto outros parecem que a melodia é totalmente sem sentido. Apesar disso, é um álbum bem legal, mesmo fechando a trajetória da banda de forma tímida. 

Melhores Faixas: Maluco Beleza, Aluga-se, Como Vovó Já Dizia, Metamorfose Ambulante
Piores Faixas: Gita, Sociedade Alternativa, Mosca na Sopa


sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Review: OPROPRIO do Yago Oproprio

                   

OPROPRIO – Yago Oproprio





















NOTA: 9/10


Em maio deste ano, Yago Oproprio lançou seu álbum de estreia, Oproprio (com título quase autointitulado). Nascido e criado na Zona Leste de São Paulo, além de ter morado na Venezuela, Yago começou sua trajetória artística tardiamente, explorando composições que misturam introspecção, crítica social e poesia. A produção, feita por Patricio Sid, foi realizada ao longo de quatro meses, entre São Paulo e viagens pessoais do rapper, como uma ida à Tailândia, que influenciou sua visão criativa. Musicalmente, o álbum reflete uma abordagem experimental, com instrumentais melódicos que oscilam entre tons melancólicos e vibrantes, indo do Hip Hop Consciente, Boom bap ao Trap tradicional. O repertório é excelente, trazendo ótimas canções que alternam entre reflexões profundas e love songs. Enfim, é um trabalho de estreia sensacional, que mostra que Yago tem um futuro muito promissor. 

Melhores Faixas: Melhor Que Ontem, La Noche, Jejum, Fora do Tom, Enigma 
Vale a Pena Ouvir: Papoulas, Linha Azul
 

                                                       Então é isso e flw!!!   

Review: Cursum Perficio do Anthrax

                   Cursum Perficio – Anthrax NOTA: 8,7/10 Dez anos depois, o Anthrax enfim retornou com um álbum novo, o Cursum Perficio. Ap...