terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Analisando Discografias - Vinicius Cantuária: Parte 3

                 

Cymbals – Vinicius Cantuária





















NOTA: 8/10


Dois anos se passaram, e Vinicius Cantuária lançou Cymbals, um disco que buscava algo mais profundo. Após o Silva, percebendo o acerto em seu som, o cantor pensou que poderia resgatar o lado mais suave da MPB sem necessariamente se prender ao estilo que consolidou a Bossa Nova, evitando imitar um novo João Gilberto. A produção, assinada pelo próprio Vinicius, destaca-se pela qualidade sonora e pela escolha cuidadosa dos músicos participantes, criando uma atmosfera intimista e sofisticada. O álbum reúne influências do Samba e até mesmo da Soul music, mas a predominância é da MPB. O repertório é interessante e traz canções que, apesar dos arranjos simples, são envolventes e bem construídas. No final de tudo, é um ótimo disco, que não se limita a uma única fórmula. 

Melhores Faixas: Chuva, Ominira 
Vale a Pena Ouvir: Você Está Sumindo, Tua Cara, Você e Eu

Samba Carioca – Vinicius Cantuária





















NOTA: 5,2/10


Chegando em 2009, o cantor lança mais um álbum de estúdio, o Samba Carioca, que obviamente é temático. Após o Cymbals, Vinicius decidiu voltar para o lado mais íntimo da era mais antiga do Samba, adotando uma abordagem mais centrada e tentando dar uma pequena modernizada na maioria dos arranjos. A produção, feita por Arto Lindsay, contou com a participação de músicos renomados, incluindo Bill Frisell e Brad Mehldau, além do baterista Paulo Braga. Essa colaboração resultou em arranjos que equilibram a tradição da Bossa Nova e do Samba com nuances modernas, criando uma atmosfera sonora única, embora algumas melodias tenham sido mal aproveitadas. O repertório, por mais que seja interessante, traz poucas reinterpretações que ficaram boas, enquanto o restante soou bem genérico. No fim, é um trabalho bem irregular e que deixou lacunas vazias.

Melhores Faixas: Praia Grande, Julinha De Botas, Fugiu 
Piores Faixas: Inútil Paisagem, Vagamente, Orla
               

Lágrimas Mexicanas – Vinicius Cantuária e Bill Frisell





















NOTA: 5/10


Em 2011, Vinicius Cantuária lança um álbum colaborativo com Bill Frisell, intitulado Lágrimas Mexicanas. Após o Samba Carioca, Vinicius e Frisell já haviam colaborado em diversas ocasiões, unindo a Bossa Nova e o Jazz, e como o guitarrista era um dos mais versáteis no cenário atual desse gênero, encontraram uma sinergia natural em suas colaborações anteriores. Produzido por Lee Townsend, o trabalho apresenta Vinicius Cantuária como frontman, além de estar na percussão e no violão acústico, enquanto Frisell contribui com guitarras acústica e elétrica, além de loops. Ele quis deixar a qualidade sonora eficiente, mas muita coisa parece ter sido feita às pressas, pois carece de coesão rítmica em várias partes dos arranjos. O repertório é bem irregular, pois tem canções legais, mas do nada surgem confusões com instrumentais e outras cantadas em espanhol, que ficaram fracas. No geral, é um trabalho muito mediano e que faltou coesão.

Melhores Faixas: Lágrimas Mexicanas, Cafezinho, Aquela Mulher 
Piores Faixas: El Camino, Calle 7, Mi Declaratión

RSVC – Ricardo Silveira & Vinicius Cantuária





















NOTA: 8,1/10


No ano seguinte, mais um álbum colaborativo foi lançado, desta vez com Ricardo Silveira, intitulado RSVC. Após o Lágrimas Mexicanas, Vinicius decidiu fazer um trabalho com o guitarrista, devido à sua grande habilidade no instrumento, capaz de transitar entre o Jazz e a música brasileira, enquanto Vinicius fundia suas influências contemporâneas e, claro, sua voz. A produção foi feita pela dupla junto com Eduardo Chermont, que adotaram uma abordagem minimalista, priorizando a autenticidade e a interação direta entre eles. Há uma divisão, com um dos dois cantando em determinados momentos, mas a maior parte do tempo eles ficam na instrumentação, lembrando Folk e Jazz, criando uma atmosfera totalmente ambiental. O repertório ficou muito bom, com canções suaves e de ótimas melodias. Em suma, é um trabalho interessante e que funcionou mais do que o antecessor. 

Melhores Faixas: Pé Direito (Right Foot), Sessão Das Onze (Wanderley) 
Vale a Pena Ouvir: Mais Nada (Nothing More), Perritos, É O Fim (It's The End)

Índio De Apartamento – Vinicius Cantuária





















NOTA: 1,2/10


Outro ano se passa e Vinicius Cantuária lança um álbum solo, o Índio de Apartamento. Após o RSVC e alguns shows, ele decidiu retornar e fazer algo solo, trazendo mais um material novo que segue a linha de álbuns como Cymbals, surgindo como uma continuação dessa exploração, aprofundando-se em arranjos mais sutis e introspectivos. A produção, feita por ele junto com Olivier Glissant, é caracterizada por arranjos esparsos que destacam sua voz e sua habilidade no violão, mas tudo fica bem arrastado e, com esse violão "bem perninha", a coisa não avançou, sem contar que muita coisa aqui carece de ritmo. O repertório é bem fraco, com canções fraquíssimas que provavelmente seriam descartes de músicas de Chico Buarque e Caetano Veloso. No fim, é um trabalho horrível e que consegue ser bem tedioso. 

Melhores Faixas: (........) 
Piores Faixas: This Time, Purus, Pé Na Estrada, Quem Sou Eu

Psychedelic Rio – Vinicius Cantuária





















NOTA: 8,4/10


Então chegamos ao último lançamento até o momento do Vinicius Cantuária, o Psychedelic Rio. Após o Índio de Apartamento, ele decidiu trocar a quietude típica da Bossa Nova por uma abordagem que "exige ser tocada em alto volume". Sendo meio que uma espécie de retorno às suas raízes, funcionando como uma retrospectiva. Produzido pelo próprio cantor, ele formou um "power trio" com os músicos italianos Paolo Andriolo (baixo) e Roberto Rossi (bateria e percussão), além de utilizar uma guitarra elétrica com reverb e distorção para criar uma atmosfera mais crua e aberta, contrastando com tudo que foi feito nos trabalhos anteriores. Dessa vez, ele quis incluir influências de Jazz Rock, Samba e MPB tradicional. O repertório é bem legal, dividido em canções novas, antigas e covers, todas ficando bem consistentes. Enfim, esse trabalho é muito interessante e não trouxe erros. 

Melhores Faixas: É Preciso Perdoar, Nossa Estrada 
Vale a Pena Ouvir: Berlin, Rio Negro, Verde Mata

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Analisando Discografias - Vinicius Cantuária: Parte 2

                 

Nu Brasil – Vinicius Cantuária





















NOTA: 5,3/10


Mais um ano se passa, e Vinicius Cantuária lança seu 5º álbum de estúdio, o Nu Brasil. Após o Siga-Me, o cantor decidiu seguir uma abordagem semelhante à de seus últimos trabalhos, mas com uma produção mais orgânica, incorporando elementos da época, enquanto mantinha a sofisticação dos arranjos. Produzido por Mayrton Bahia e Celso Fonseca, que combinaram arranjos sofisticados com uma abordagem Pop característica da época, o álbum também contou com a participação do próprio Vinicius nos arranjos. A produção trouxe uma sonoridade que mescla ritmos brasileiros com influências do Pop Rock, MPB e até um toque de Reggae. No entanto, o resultado final ficou confuso e pouco coeso. O repertório até começa com boas músicas, mas, ao longo do disco, as faixas vão perdendo força, resultando em um conjunto inconsistente. No fim, esse trabalho é irregular, que carece de consistência. 

Melhores Faixas: Vejo Todo o Mundo, Todos Irmãos, Numa Boa 
Piores Faixas: Você Me Esconde, Até O Fim, Quero Que Vá Tudo Pro Inferno (esse cover junto com Lulu Santos ficou fraquíssimo)

Rio Negro – Vinicius Cantuária























NOTA: 8/10


Passado um tempo, apenas em 1991, Vinicius Cantuária lançou mais um novo trabalho, o Rio Negro. Após o Nu Brasil, lançado nos anos 1980, período em que ele transitou entre o Pop Rock e a MPB, buscando sempre inovar em suas composições e arranjos, ele decidiu explorar sonoridades mais sofisticadas e poéticas nesta nova década. Distanciando-se da busca por sucesso imediato, aproximou-se de uma expressão artística mais profunda. Produzido por Zé Nogueira, o álbum buscou um equilíbrio entre elementos acústicos e eletrônicos, criando uma atmosfera que valoriza tanto a tradição da MPB quanto a inovação sonora. Os arranjos são cuidadosamente elaborados, proporcionando uma experiência auditiva rica e envolvente, e aqui as coisas funcionam perfeitamente. O repertório é bastante interessante, trazendo canções suaves e leves. Em suma, é um ótimo disco, embora bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Serei Feliz?, Brinco 
Vale a Pena Ouvir: Tudo Real (com participação do Chico Buarque), Garotos, Jóia

Sol Na Cara – Vinicius Cantuária





















NOTA: 8,7/10


Cinco anos se passaram, e Vinicius Cantuária retornou lançando Sol Na Cara, que não trouxe tantas novidades. Após o Rio Negro, o cantor mudou-se para os Estados Unidos, o que lhe proporcionou novas perspectivas musicais e oportunidades de colaboração com artistas internacionais. Além de continuar explorando elementos da MPB, foi em solo americano que ele aprofundou sua experimentação sonora. O álbum foi produzido por Arto Lindsay, conhecido por seu trabalho inovador que mistura música brasileira com Avant-Garde e Jazz, refletindo uma abordagem experimental e sofisticada. A obra apresenta uma fusão de ritmos tradicionais brasileiros com arranjos contemporâneos, indo do Samba e da Bossa nova à MPB, criando uma sonoridade única. O repertório é bem equilibrado, mesclando reinterpretações de suas músicas antigas com novas composições, que ficaram excelentes. No final, é um baita disco e um dos melhores de sua carreira. 

Melhores Faixas: Sol Na Cara, O Nome Dela, Ludo Real 
Vale a Pena Ouvir: Rio Negro, Samba Da Estrela, O Vento

Tucumã – Vinicius Cantuária





















NOTA: 3,7/10


Três anos se passaram, e o cantor lançou mais um disco, intitulado Tucumã, que seguiu a abordagem da MPB. Após o Sol Na Cara, ele decidiu continuar sua experimentação e a fusão de estilos, demonstrando maturidade artística e uma busca por novas sonoridades, refletindo a síntese de suas experiências musicais até então. A produção, feita pelo próprio Vinicius Cantuária, é marcada por arranjos minimalistas que valorizam a sutileza e a profundidade das composições, mesclando ritmos brasileiros com influências da Bossa Nova e do Samba. Além disso, o álbum conta com colaborações de artistas como Sean Lennon, Laurie Anderson e Bill Frisell, que adicionam camadas distintas. No entanto, os arranjos são confusos e, em alguns momentos, mal executados. O repertório até começa bem, mas depois traz uma sequência de canções ruins. No fim, esse trabalho decepcionante e pouco inspirado. 

Melhores Faixas: Maravilhar, Pra Gil, Igarapé 
Piores Faixas: Sanfona, Vivo Isolado Do Mundo, Aviso Ao Navegante, Retirante

Vinicius – Vinicius Cantuária



















NOTA: 2/10


Em 2001, Vinicius Cantuária retornou mais uma vez, lançando um disco intitulado apenas Vinicius, tão simples quanto seu conteúdo. Após o Tucumã e percebendo que o resultado não foi satisfatório, ele decidiu seguir um caminho mais intimista e próximo da raiz da MPB, tentando mostrar uma nova busca por sonoridades. A produção, feita por Lee Townsend em parceria com o cantor, trouxe sofisticação e integrou músicos renomados, como David Byrne, Arto Lindsay, Gilberto Gil e Naná Vasconcelos. Além disso, a participação de artistas como Bill Frisell, Joey Baron e Caetano Veloso tentou agregar qualidade ao álbum. No entanto, apesar de a sonoridade mesclar atmosferas tradicionais brasileiras com nuances contemporâneas, tudo soa arrastado, resultando em uma falta gigantesca de emoção. O repertório é fraco, repleto de canções monótonas, com apenas uma se salvando. Enfim, esse trabalho é decepcionante e marcou um tropeço feio em sua carreira. 

Melhores Faixas: Nova De Sete 
Piores Faixas: Quase Choro, Ela É Carioca, Água Rasa, Irapurú

Horse And Fish – Vinicius Cantuária





















NOTA: 1,5/10


Logo depois, Vinicius Cantuária lançou outro disco, o Horse and Fish, no qual tentou trazer uma abordagem diferente. Após seu trabalho anterior, ele participou de um álbum do David Byrne e decidiu continuar explorando uma sonoridade mais leve. Ou seja, insistiu nos mesmos erros. Produzido pelo próprio Vinicius em parceria com Stewart Lerman, o álbum apresenta uma sonoridade sofisticada, integrando músicos renomados em uma fusão de Jazz contemporâneo e MPB, criando uma atmosfera mais íntima e envolvente. No entanto, essa abordagem minimalista acaba sendo mal implementada, resultando em poucos momentos de coesão rítmica. O repertório é fraco e, apesar da presença de algumas canções de Tom Jobim, nenhuma se salva e o problema nem foi a voz do Vinicius. No fim, esse álbum é inconsistente e sem qualquer brilho. 

Melhores Faixas: (......) 
Piores Faixas: Look The Sky, Ligia, Perritos, Cubanos Postizos

Silva – Vinicius Cantuária





















NOTA: 7,7/10


Um tempo depois, Vinicius Cantuária lançou outro álbum, intitulado Silva, novamente bem simples. Após o Horse and Fish, o cantor percebeu que realmente precisava mudar. Então, decidiu resgatar a essência da Bossa Nova em seu momento de ápice e aplicá-la em seu novo trabalho, buscando mais leveza. A produção, feita pelo cantor em parceria com Stewart Lerman, destaca-se pela sofisticação e pela integração de músicos renomados, como os percussionistas Sidinho e Chacal e os irmãos violinistas Bernardo Bessler e Michel Bessler, entre outros. A sonoridade é uma fusão do Jazz contemporâneo com a Bossa Bova, criando uma atmosfera íntima e envolvente. O repertório ficou muito bom, com canções bem detalhadas e ricas em arranjos, apesar de algumas estarem abaixo do esperado. Mas, enfim, Silva é um trabalho interessante e representou uma melhora. 

Melhores Faixas: A Felicidade, Pena De Mim, Paraguai 
Piores Faixas: Reentry, Alegria

                                                 Então é isso, um abraço e flw!!!        

domingo, 2 de fevereiro de 2025

Analisando Discografias - Vinicius Cantuária: Parte 1

                 

Vinicius Cantuária – Vinicius Cantuária





















NOTA: 8,5/10


Em 1982, o ex-baterista do Terço, Vinicius Cantuária, lançava seu primeiro álbum autointitulado, mergulhando nas tendências da época. Após sair da banda, Cantuária colaborou com artistas renomados, como Caetano Veloso, integrando sua banda de apoio entre 1978 e 1983. Essas experiências enriqueceram sua bagagem musical e influenciaram a direção artística que ele adotaria em seus projetos solo. Produzido por Carlos Alberto Sion, que trouxe sofisticação nos arranjos e uma qualidade sonora característica da época, combinando elementos da música Pop e da MPB, e criando uma atmosfera suave e envolvente. A produção valoriza a instrumentação acústica, com ênfase em violões, percussão delicada e vocais suaves. O repertório é muito bom, trazendo canções envolventes e algumas ótimas baladas. No fim, é um ótimo trabalho de estreia e começou com o pé direito. 

Melhores Faixas: Chegou No Vento (com participação do Caetano Veloso), No Galho Do Manacá 
Vale a Pena Ouvir: Coisa Linda, Saudades de Você, Vestígios

Gávea de Manhã – Vinicius Cantuária





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, o Vinicius Cantuária lançava seu 2º álbum, o Gávea de Manhã, que trouxe poucas mudanças. Após seu disco de estreia, ele acabou colaborando com sua antiga banda, O Terço, no álbum Som Mais Puro, além de estar escrevendo mais material novo, decidindo sair um pouco daquele lado mais acústico. Produzido novamente por Carlos Alberto Sion, trouxe a mesma sofisticação dos arranjos e uma boa qualidade sonora, criando uma sonoridade mais suave e consistente, com mais uso de sintetizadores e deixando as linhas acústicas mais de lado. O repertório ficou muito bom, com canções mais envolventes e com menos baladas. No fim, é um trabalho bem interessante, só que acabou não tendo um sucesso tão elevado. 

Melhores Faixas: Falso Inglês, Duas Cidades 
Vale a Pena Ouvir: Sem Pisar No Chão, De Prata, Mundo Novo

Sutis Diferenças – Vinicius Cantuária





















NOTA: 8,8/10


Aí, outro ano se passa, e o cantor lança mais um disco, o Sutis Diferenças, e aqui as coisas mudaram bastante. Após o Gávea de Manhã, a falta de visibilidade fez com que ele mudasse sua abordagem, e, vendo uma nova cena surgindo no Rock nacional, decidiu mergulhar nela, algo que deu certo, já que o tirou daquela bolha da MPB. Produzido por Jorge Davidson, o álbum trouxe uma sonoridade mais acessível, mantendo a leveza, mas agora com influências perceptíveis do Pop Rock e da New Wave, fazendo com que os arranjos ficassem mais envolventes e com um pouco menos de sofisticação. Claro que suas linhas vocais continuaram com aquele tom mais suave. O repertório é sensacional, com canções muito bem encadeadas e com pouquíssimas baladas, uma delas foi o belíssimo hit Só Você. No geral, é um trabalho maravilhoso e que trouxe sucesso para Vinicius. 

Melhores Faixas: So Você, Por Outro Lado, Silvia 
Vale a Pena Ouvir: Cheio De Amor (com participação do Lulu Santos), Esse Som Eu Quero

         Então é isso, um abraço e flw!!!          

Review: Nada No Escuro do César das Mercês

                    

Nada No Escuro – César das Mercês





















NOTA: 8/10


Em 1979, César das Mercês lançava seu único álbum de estúdio, o Nada No Escuro. Após sua saída do Terço, ele buscou, em seu projeto solo, uma sonoridade que mesclasse elementos do Rock com influências da música popular brasileira, resultando em um álbum que reflete sua versatilidade como compositor e intérprete. Lançado pelo selo Epic e produzido por Renato Viola, o disco trouxe arranjos sofisticados e uma instrumentação diversificada, contando com a participação de músicos talentosos, incluindo Ivo Carvalho, Sérgio Caffa, Edmundo Ramos, Luiz Guilherme, Flávio Venturini e Dinho Nascimento, que contribuíram para a riqueza sonora do trabalho. A sonoridade incorpora influências de Baião, Folk e até Art Rock, com um repertório muito interessante e canções envolventes. Após isso, ele lançou um miniálbum em 1986, que acabou se tornando raríssimo de se encontrar. No final, é um trabalho muito interessante e que vale a pena ser apreciado. 

Melhores Faixas: Pequenas Coisas, Pequeno Acidente 
Vale a Pena Ouvir: Nada No Escuro, Descoberta, Reencontrando

Review: Álbum Autointitulado do Karma

                    

Karma – Karma





















NOTA: 8/10


Em 1972, o ex-guitarrista do Terço, Jorge Amiden, formou uma nova banda, o Karma, lançando seu único álbum de estúdio. Amiden, junto com Luiz Mendes Junior e Alen "Cazinho" Terra, formou essa banda, que seguiu a psicodelia do primeiro trabalho do Terço. Ainda nesse mesmo ano, participaram do Festival Internacional da Canção (FIC) com a música Depois do Portão, o que lhes conferiu certa visibilidade na época, levando-os a assinar com a gravadora RCA Victor. A produção, que contou com o lendário Arthur Verocai nos arranjos, valorizou a sonoridade acústica e as harmonias vocais do trio. A gravação destaca-se pela qualidade dos arranjos e pela fusão de estilos, combinando Rock psicodélico com Rock rural, criando uma atmosfera única que remete ao movimento Clube da Esquina e às experimentações típicas dos anos 70. O repertório é muito bom e traz canções melódicas e introspectivas bastante interessantes. No fim, é um ótimo disco e uma joia raríssima. 

Melhores Faixas: O Jogo, Você Pode Ir Além 
Vale a Pena Ouvir: Blusa De Linho, Cara e Coroa, Omissão

Review: Álbum Autointitulado do Anderson Bruford Wakeman Howe

                    

Anderson Bruford Wakeman Howe – Anderson Bruford Wakeman Howe





















NOTA: 1/10


Em 1989, o antigo quarteto do Yes, Anderson Bruford Wakeman Howe, lançou seu único álbum de estúdio. Após os lançamentos do 90125 e Big Generator, em meados de 1988, Jon Anderson, insatisfeito com o rumo da banda, decidiu reunir antigos parceiros do Yes: Bill Bruford, Rick Wakeman e Steve Howe, formando um novo grupo que resgatasse a áurea progressiva da banda nos anos 70. Esse trabalho foi produzido por Chris Kimsey, conhecido por seu trabalho com os Rolling Stones. A sonoridade não é exatamente uma repetição do passado, pois incorpora camadas de teclados digitais e bateria eletrônica. Além disso, conta com a participação do baixista Tony Levin, do King Crimson, que adicionou sua sonoridade característica com o Chapman Stick e linhas de baixo mais fluidas, mas tudo ficou mal desenvolvido. Refletindo em um repertório muito ruim, com canções sem alma. Em suma, esse disco é péssimo, e ainda bem que não lançaram um 2º álbum. 

Melhores Faixas: (.......) 
Piores Faixas: The Meeting, Quartet, Brothers Of Mine, Teakbois

sábado, 1 de fevereiro de 2025

Analisando Discografias - Flash

                 

Flash – Flash





















NOTA: 9/10


Em 1972, a banda Flash lançava seu primeiro álbum de estúdio autointitulado, com uma capa bem problemática. Após sua saída do Yes, sem conseguir formar uma nova banda imediatamente, Peter Banks passou um tempo explorando projetos menores e participando de sessões de gravação até que, em 1971, decidiu fundar o Flash. Para isso, recrutou o vocalista Colin Carter, o baixista Ray Bennett e o baterista Mike Hough. Tony Kaye, ex-tecladista do Yes, também participou das gravações, mas não chegou a se tornar um integrante fixo. O álbum foi produzido por Derek Lawrence, que já havia trabalhado com bandas como Deep Purple. Diferente do Yes, que estava incorporando elementos de orquestração e camadas complexas de teclados, a banda é bem mais crua e voltada para a energia da performance ao vivo. O repertório contém apenas 5 faixas, todas muito boas e bem encadeadas. Em suma, é um ótimo trabalho de estreia, que soube ousar na técnica. 

Melhores Faixas: Morning Haze, The Time It Takes 
Vale a Pena Ouvir: Dreams Of Heaven, Small Beginnings, Children Of The Universe

In The Can – Flash





















NOTA: 8,4/10


Ainda naquele mesmo ano, a banda já lançava seu 2º disco, o In The Can, que não trouxe tantas mudanças. Após seu álbum de estreia, a banda começou a se consolidar como um nome promissor no Rock progressivo, mas ainda precisava provar sua relevância diante de bandas como Yes, Genesis e King Crimson, que estavam alcançando novos patamares artísticos e comerciais. Produzido novamente por Derek Lawrence, o grupo optou por composições mais longas e desenvolvidas, explorando mudanças de andamento e passagens instrumentais mais extensas. O som da guitarra de Banks continua sendo o elemento dominante, mas há um esforço maior na coesão entre os membros da banda, como, por exemplo, as linhas vocais de Colin Carter, que estão mais articuladas. O repertório novamente contou com 5 faixas, todas ótimas. No fim, é um trabalho bem interessante e mais maduro. 

Melhores Faixas: Black And White, There No More 
Vale a Pena Ouvir: Monday Morning Eyes, Lifetime, Stop That Banging

Out Of Our Hands – Flash





















NOTA: 8/10


Então, no ano seguinte, o Flash lançou seu terceiro e último álbum, o Out of Our Hands, que trouxe algumas mudanças. Após o In The Can, o sucesso comercial não vinha e, internamente, a dinâmica do grupo começou a se deteriorar. Peter Banks, embora fosse o membro mais famoso, não era o único compositor, e havia disputas criativas entre ele e o baixista Ray Bennett. Além disso, a falta de um tecladista fixo, que já era uma característica da banda, começava a limitar suas possibilidades musicais. A produção ficou a cargo da própria banda e ficou um pouco mais polida, mas a ausência de camadas mais ricas de teclado dá a sensação de que falta algo para preencher o som. Uma novidade interessante foi o uso de efeitos sonoros e experimentações mais ousadas, especialmente nas faixas instrumentais e nas transições. O repertório é muito bom, trazendo canções mais diretas e técnicas. No final de tudo, é um disco que encerrou bem a trajetória da banda. 

Melhores Faixas: The Bishop 
Vale a Pena Ouvir: None The Wiser (King), Dead Ahead (Queen), Psychosync

       Então é isso, um abraço e flw!!!         

Analisando Discografias - Peter Banks: Parte 2

                 

Instinct – Peter Banks





















NOTA: 8/10


Após 20 anos, apenas em 1994, Peter Banks lançou seu 2º álbum de estúdio, o Instinct. Após o Two Sides of Peter Banks, o guitarrista focou em projetos com a banda Flash até seu hiato, mas nunca alcançou o mesmo nível de reconhecimento que seus antigos colegas do Yes. Nos anos 80 e início dos 90, com o avanço da tecnologia musical, muitos guitarristas começaram a explorar novas formas de composição instrumental, e Banks não foi exceção. A produção, feita pelo próprio Peter Banks, provavelmente vinha sendo trabalhada há bastante tempo, pois, além de utilizar a guitarra, ele também fez uso de programações de bateria e sintetizadores. Isso confere ao álbum uma atmosfera um tanto artificial e mecânica em alguns momentos, mas também permite que ele tivesse total controle sobre o som. O repertório ficou muito bom, com canções bem detalhadas e distintas. No fim, é um ótimo álbum, marcado por sua técnica apurada. 

Melhores Faixas: Shortcomings, Never The Same 
Vale a Pena Ouvir: All Points South, Dominating Factor, Angels

Self-Contained – Peter Banks





















NOTA: 2/10


No ano seguinte, ele lançou mais um disco, o Self-Contained, que era ainda mais expansivo. Após o Instinct, Banks continuou a mergulhar ainda mais fundo em sua abordagem instrumental, criando uma obra densa e multifacetada. O álbum é uma continuação de sua exploração de camadas eletrônicas e guitarras processadas, funcionando quase como uma edição deluxe com mais conteúdo de seu antecessor. A produção foi praticamente a mesma, com camadas eletrônicas, mas desta vez há uma sensação de maior dinamismo e diversidade nos arranjos. O uso de percussões eletrônicas, embora ainda presente, parece mais elaborado, mas muitas vezes o resultado soa arrastado, com arranjos que parecem ter sido simplesmente reaproveitados em todas as outras músicas. O repertório é fraquíssimo, com canções tediosas que, na maioria, parecem inacabadas, sobrando poucas realmente boas. No final, é um trabalho muito ruim, repleto de falhas. 

Melhores Faixas: The Three Realms, Thinking Of You 
Piores Faixas: Tell Me When, Lost Days, Clues, Funkin' Profundity

Reduction – Peter Banks





















NOTA: 8,2/10


Dois anos se passam, e Peter Banks lança seu último álbum de estúdio, o Reduction. Após o Self-Contained, o guitarrista decidiu seguir uma abordagem mais extrema, eliminando qualquer elemento desnecessário e apostando em um som ainda mais atmosférico e introspectivo, criando um trabalho muito mais minimalista e com texturas sonoras marcantes. A produção, como sempre, foi conduzida por ele mesmo, adotando uma abordagem mais crua e sem muitas firulas. Há uma forte utilização de delays, reverbs e modulações para criar atmosferas amplas, muitas vezes explorando o silêncio como parte da composição. Além disso, a programação de bateria e os sintetizadores ficaram muito mais digitalizados, quase chegando a um ponto de total pasteurização. O repertório ficou muito interessante, com canções mais experimentais e densas. Enfim, esse disco ficou muito bom, uma pena ter se tornado o último após sua morte em 2013. 

Melhores Faixas: As Night Falls..., Dirty Little Secret 
Vale a Pena Ouvir: Fathat, Tone Down, Pirate's Pleasure

Review: Cursum Perficio do Anthrax

                   Cursum Perficio – Anthrax NOTA: 8,7/10 Dez anos depois, o Anthrax enfim retornou com um álbum novo, o Cursum Perficio. Ap...