sexta-feira, 4 de julho de 2025

Analisando Discografias - John Coltrane: Parte 2

                  

Lush Life – John Coltrane





















NOTA: 8,1/10


No ano seguinte, mais um período produtivo marcou sua carreira, com o lançamento do Lush Life. Antes do Giant Steps, todas as gravações ocorreram entre 1957 e 1958, um período decisivo em sua trajetória. Coltrane ainda estava em transição, se libertando de seus problemas com drogas e consolidando sua voz musical após sair (temporariamente) do quinteto do Miles Davis. Nesse período, ele começava a explorar mais profundamente sua linguagem musical, e este trabalho capta exatamente esse momento de autodescoberta, antes do sheets of sound. A produção, conduzida por Bob Weinstock, apresenta uma sonoridade clara, com os instrumentos bem posicionados no espectro estéreo, apesar das limitações da época e do fato de parte do material ter sido reaproveitada de sessões antigas, dentro de uma estética típica do Cool Jazz. O repertório contém 5 ótimas faixas, com uma atmosfera mais introspectiva. No fim, é um trabalho bem consistente. 

Melhores Faixas: Lush Life, I Love You 
Vale a Pena Ouvir: I Hear A Rhapsody, Trane's Slow Blues, Like Someone In Love

Coltrane Jazz – John Coltrane





















NOTA: 8,7/10


Novamente, naquele mesmo mês, foi lançado mais um disco dele: Coltrane Jazz. John Coltrane se firmava como líder absoluto de sua própria carreira fonográfica. Esse trabalho marca um momento de transição entre a abordagem mais Hard Bop/Modal e o amadurecimento para uma musicalidade mais espiritual e livre, além de todo esse material ter sido lançado sob o selo da Atlantic Records. Com produção do Nesuhi Ertegün, o álbum é limpo, direto e equilibrado, com gravações bem captadas por Tom Dowd, que sabia como capturar o calor dos instrumentos acústicos. Além disso, o quarteto presente na maioria das faixas é o mesmo do Kind of Blue, do Miles Davis: Wynton Kelly (piano), Paul Chambers (baixo) e Jimmy Cobb (bateria), mostrando todo aquele entrosamento, com uma base harmônica e swingada. O repertório é muito bom, e as canções são bastante envolventes. Enfim, é um belo disco e que é mais aprofundado. 

Melhores Faixas: I'll Wait And Pray, Like Sonny, Little Old Lady, My Shining Hour 
Vale a Pena Ouvir: Harmonique, Some Other Blues

My Favorite Things – John Coltrane





















NOTA: 10/10


Aí, no mês seguinte, foi lançado o espetacular My Favorite Things, um dos maiores álbuns do Jazz. Após o Coltrane Jazz, John Coltrane começou a buscar novas estruturas harmônicas e espirituais para sua música, sentindo-se cada vez mais atraído por formas modais, melodias orientais e improvisações mais livres. Com isso, ele formou um quarteto clássico com McCoy Tyner (piano), Steve Davis (baixo) e Elvin Jones (bateria). Além disso, começou a experimentar com o sax soprano, instrumento que até então era raro no momento atual do gênero (sendo mais utilizado no início do Jazz). A produção, feita novamente por Nesuhi Ertegün, gira em torno da ideia de simplificar a harmonia (em relação à complexidade de Giant Steps) para permitir improvisações mais livres e circulares, mantendo o foco na melodia e no sentimento. O repertório contém quatro faixas magníficas, dignas de coletânea. Em suma, é um disco fantástico e uma verdadeira obra-prima. 

Melhores Faixas: My Favorite Things, Summertime, Everytime We Say Goodbye 
Vale a Pena Ouvir: But Not For Me

Africa/Brass – The John Coltrane Quartet





















NOTA: 7,7/10


Aí, se passaram muitos meses até que, em setembro, foi lançado o curioso Africa/Brass. Após o excepcional My Favorite Things, ele acabou assinando com a ambiciosa gravadora Impulse!. Então, John Coltrane quis estrear com algo grandioso e totalmente diferente do que havia feito até então. Trocou o formato de quarteto/quinteto por uma big band camerística, com sopros em várias camadas, arranjos modernos e uma sonoridade orquestral, mas sem perder sua liberdade improvisacional. A produção, conduzida por Creed Taylor, seguiu por uma sonoridade expansiva, profunda e quase cinematográfica. Tudo é bastante estruturado, com muitas passagens instrumentais em cada tempo e em cada acorde, embora haja falhas em algumas execuções dos arranjos. O repertório é bem curto, com 3 faixas longas, sendo que uma delas acabou soando mais fraca. No geral, é um trabalho interessante, mas que serviu mais como um teste. 

Melhores Faixas: Greensleeves, Africa 
Piores Faixas: Blues Minor

Settin' The Pace – John Coltrane





















NOTA: 8/10


Lá para o final daquele ano, foram lançados mais alguns trabalhos. Um deles foi Settin' the Pace. Após o Africa/Brass, foi resgatado outro material do final dos anos 50. A Prestige Records, que possuía um extenso acervo de sessões não lançadas de John Coltrane, começou a publicar esses registros com destaque comercial, aproveitando o sucesso recente do saxofonista. Na época da gravação, Coltrane ainda estava em fase de consolidação estilística, tendo retornado do seu primeiro período no grupo do Miles Davis e se preparando para integrar o histórico quarteto do Thelonious Monk. A produção seguiu o padrão de qualidade característico da Prestige, com todas as faixas sendo standards, mas com interpretações longas, improvisações expansivas e foco na performance dos músicos. O repertório é bem legal, com ótimas canções que apresentam encadeamento rítmico, melódico e harmônico. Enfim, é um trabalho interessante e que tem sua concepção. 

Melhores Faixas: I See Your Face Before Me 
Vale a Pena Ouvir: If There Is Someone Lovelier Than You, Rise 'N' Shine, Little Melonae

Olé Coltrane – John Coltrane





















NOTA: 9/10


E logo depois foi lançado outro disco (mais um ano superprodutivo): Olé Coltrane. Após Settin' The Pace, pouco antes de Coltrane assinar com a gravadora Impulse!, onde desenvolveria seus trabalhos mais transcendentes, ele ainda estava vinculado à Atlantic Records. Inspirado pelo álbum Sketches of Spain, do Miles Davis, no qual ele não participou, mas que admirava, esse trabalho é fortemente marcado por influências espanholas, árabes e norte-africanas, com ritmos baseados em ostinatos e uma abordagem modal mais aberta. A produção foi conduzida mais uma vez por Nesuhi Ertegun, que trouxe uma formação instrumental expandida, com trompete, e que foi mais livre, permitindo improvisações longas, clima hipnótico e ênfase nos timbres. O uso de modos orientais e escalas pouco convencionais também marca a sessão. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem exuberantes e caprichadas. Em suma, é um belo disco, embora bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Olé 
Vale a Pena Ouvir: Aisha, Dahomey Dance

Coltrane – The John Coltrane Quartet





















NOTA: 8,8/10


Mais um ano se passa, e foi lançado mais um trabalho dele, intitulado apenas Coltrane. Após o Olé Coltrane, ele começou a se aprofundar em estruturas mais diretas, porém espiritualmente mais intensas. Seu quarteto já estava consolidado com os membros que fariam história ao seu lado: McCoy Tyner, Elvin Jones e o recém-chegado Jimmy Garrison. Esse álbum é importante porque registra o quarteto clássico em seu início pleno, com liberdade, coesão e visão compartilhada. A produção, desta vez feita por Bob Thiele, seguiu o padrão das gravações da Impulse!, com qualidade sonora cristalina e foco na experiência auditiva imersiva. Não há overdubs nem arranjos adicionais. O som é puro, direto e captura a intensidade emocional da performance, com tudo construído em duas sessões concentradas. O repertório é muito bom, e as canções são todas belíssimas e densas. Enfim, é outro trabalho muito interessante, que vale a pena ir atrás. 

Melhores Faixas: Soul Eyes, Tunji (Toon-Gee) 
Vale a Pena Ouvir: Out Of This World, The Inch Worm, Miles' Mode

Ballads – John Coltrane Quartet





















NOTA: 9,8/10


No ano de 1963, John Coltrane surpreendeu a todos lançando um trabalho mais palatável: Ballads. Após o Coltrane (1962), em meio a críticas que o acusavam de ser excessivamente cerebral e até "incompreensível", ele decidiu voltar-se para a simplicidade expressiva: baladas tradicionais, tocadas com lirismo e sensibilidade. Segundo relatos, a própria gravadora Impulse! sugeriu a ideia, e ele aceitou de boa o desafio de registrar interpretações diretas de standards românticos, sem os complexos arranjos que vinham marcando sua obra recente. A produção, conduzida mais uma vez por Bob Thiele, foi discreta e elegante. Não há overdubs nem pós-produção notável; o som foi registrado com naturalidade, favorecendo a atmosfera intimista e calorosa das performances. Segundo McCoy Tyner, as faixas foram gravadas já no primeiro take. O repertório é maravilhoso, e as canções são belíssimas e aconchegantes. No fim, é um disco encantador e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: It's Easy To Remember, Say It (Over And Over Again), You Don't Know What Love Is 
Vale a Pena Ouvir: Too Young To Go Steady, Nancy (With The Laughing Face)

John Coltrane And Johnny Hartman – John Coltrane And Johnny Hartman





















NOTA: 9,9/10


Logo depois, foi lançado um álbum colaborativo com o cantor Johnny Hartman. Após o Ballads, Coltrane buscava aprofundar sua expressão espiritual e emocional, experimentando tanto a intensidade dos improvisos livres quanto a pureza lírica dos standards românticos. Hartman, por outro lado, era um cantor com voz de barítono aveludada, associado ao Jazz mais tradicional e sofisticado, mas ainda relativamente subestimado na época. Coltrane o admirava há anos e, assim, sugeriu uma colaboração entre os dois. Com produção mais uma vez do Bob Thiele, a gravação foi feita em apenas uma tarde, com os músicos e Hartman tocando juntos no estúdio, sem grandes ensaios formais. O clima era descontraído e espontâneo, mas altamente profissional. Apenas um take extra foi necessário em uma das faixas. O repertório é muito bom, com canções que alternam entre momentos vocais e instrumentais. Sendo assim, é outro trabalho bem curioso e honesto. 


Melhores Faixas: My One And Only Love, They Say It's Wonderful 
Vale a Pena Ouvir: You Are Too Beautiful, Lush Life

Crescent – John Coltrane Quartet





















NOTA: 8,6/10


Mais um ano se passou, e ele retornou lançando mais um trabalho com seu quarteto: Crescent. Após o álbum colaborativo com Johnny Hartman, John Coltrane já estava profundamente imerso na busca por transcendência musical e espiritual, o que se refletia não apenas em sua técnica e composição, mas também na intensidade emotiva de suas interpretações. Ele criou um trabalho que fosse um retrato íntimo dessa fase de transição, ainda ligada ao Hard Bop e ao Modal Jazz, mas que já apontava para a radicalidade de um futuro projeto. A produção, como sempre feita por Bob Thiele, traz uma captação clara e natural dos instrumentos, evidenciando o contraste dinâmico entre a delicadeza e a intensidade da música, que alterna entre momentos mais introspectivos e outros mais frenéticos. O repertório é muito bom, com canções dinâmicas e mais relaxantes. No fim, é mais um ótimo álbum, que serviu como base para o que viria a seguir. 

Melhores Faixas: Lonnie's Lament, Wise One 
Vale a Pena Ouvir: Crescent, The Drum Thing, Bessie's Blue

Black Pearls – John Coltrane





















NOTA: 8,1/10


E logo depois foi lançado mais um álbum novo, desta vez resgatando um material inédito: Black Pearls. Após o Crescent, a Prestige Records decidiu atacar novamente, tirando mais um material de 1958. John Coltrane já havia começado a desenvolver sua sonoridade característica, marcada pela técnica intensa e pelo “sheets of sound”, que consiste na sobreposição de linhas rápidas e densas. No entanto, ele ainda estava firmemente enraizado no Hard Bop, com influências de Bebop e Blues. A produção, como era de se esperar, foi conduzida por Bob Weinstock, mantendo aquela abordagem simples e direta, sem grandes artifícios. Tudo é claro e direto, com destaque para o sax tenor robusto do Coltrane e os arranjos quentes do quinteto. A gravação captura a energia crua e a interação viva entre os músicos. O repertório contém 3 faixas longas e de pura improvisação. Enfim, é mais um trabalho interessante, que revela ainda mais do seu domínio musical. 

Melhores Faixas: Lover Come Back To Me 
Vale a Pena Ouvir: Black Pearls, Sweet Sapphire Blues

A Love Supreme – John Coltrane





















NOTA: 10/10


Então chegamos ao ano de 1965, quando John Coltrane lança o estupendo A Love Supreme. Após o Black Pearls, depois de anos de muita experimentação, incluindo sua luta contra o vício e a busca por sentido espiritual, Coltrane alcançou um estado de renovação. Este trabalho é um testemunho espiritual e musical dessa epifania, expressando sua gratidão a Deus por sua recuperação e inspiração, utilizando a música como uma forma de oração e meditação. A produção, novamente a cargo de Bob Thiele, foi minimalista, deixando a música falar por si, com clareza e profundidade. A sessão foi realizada em uma única tarde, e o engenheiro de som Rudy Van Gelder captou com maestria a dinâmica e a densidade sonora do quarteto de Coltrane, evidenciando o contraste entre os momentos de introspecção e as passagens mais explosivas. O repertório é simplesmente fantástico, digno de coletânea. No fim, é um disco sensacional e um dos melhores álbuns de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Part I – Acknowledgement, Part III - Pursuance / Part IV – Psalm 
Vale a Pena Ouvir: Part II - Resolution

The John Coltrane Quartet Plays – The John Coltrane Quartet





















NOTA: 8,2/10


Aí, pouco depois, foi lançado mais um álbum de John Coltrane: The John Coltrane Quartet Plays. Após A Love Supreme, ele continuou a explorar territórios musicais ainda mais audaciosos, transitando do Modal Jazz para experimentações mais intensas, rítmicas e livres. O álbum marca uma fase de transição, em que o quarteto clássico demonstra um domínio absoluto da técnica e uma ousadia crescente na improvisação e dinâmica, combinando temas já conhecidos com novas composições que prenunciam o Free Jazz. A produção seguiu o padrão de sempre, com um som claro, detalhado e energético, que capta a química e a intensidade do quarteto em um momento de grande criatividade. Rudy Van Gelder equilibrou a mixagem para destacar tanto os solos intensos de Coltrane quanto o suporte sólido do trio rítmico. O repertório é muito bom, com canções que são pura improvisação e complexidade. No final, é um disco bacana e muito técnico. 

Melhores Faixas: Nature Boy 
Vale a Pena Ouvir: Brazilia, Chim Chim Cheree (From Walt Disney's "Mary Poppins"), Song Of Praise
 

  Por hoje é só, então flw!!! 

quinta-feira, 3 de julho de 2025

Analisando Discografias - John Coltrane: Parte 1

                 

Coltrane – John Coltrane





















NOTA: 8,9/10


Em 1957, foi lançado o 1º álbum do John Coltrane, intitulado apenas como Coltrane. Ele já começava a ser respeitado no mundo do Jazz, principalmente por seu trabalho com Miles Davis. Porém, sua carreira até então teve altos e baixos. Na metade daquela década, ele passou por dificuldades pessoais, incluindo a luta contra o vício em heroína, que chegou a afetar sua vida e carreira. Após esse período turbulento, ele conseguiu se recuperar e, com muita disciplina e estudo intenso, transformou sua técnica e sua abordagem musical, assinando contrato com a Prestige Records. A produção foi conduzida por Bob Weinstock, que tinha um estilo mais “livre” e direto, sem muitas interferências, valorizando o espírito do momento da sessão, deixando toda a sonoridade flutuar dentro da linha que a gravadora seguia, que era o Hard Bop. O repertório contém 6 faixas belíssimas e bem melódicas. Enfim, é um ótimo disco de estreia, sendo só uma palinha do que viria pela frente. 

Melhores Faixas: Violets For Your Furs, Chronic Blues 
Vale a Pena Ouvir: While My Lady Sleeps, Bakai

Blue Train – John Coltrane





















NOTA: 10/10


No ano seguinte, John Coltrane lançava seu estrondoso álbum, o magnífico Blue Train. Após seu álbum de estreia, esse trabalho surge num momento em que o Hard Bop estava consolidando sua força, trazendo uma combinação entre o Bebop e o Blues, com grooves mais marcados e emoções profundas. Este álbum é considerado uma síntese perfeita desses elementos, além de ser um marco para o próprio Coltrane, que aqui começa a firmar sua identidade sonora, a qual influenciaria todo Jazz nas décadas seguintes. A produção, conduzida por Alfred Lion, revelou uma química perfeita entre Coltrane e seu sexteto, formado por Lee Morgan (trompete), Curtis Fuller (trombone), Kenny Drew (piano), Paul Chambers (contrabaixo) e Philly Joe Jones (bateria). Neste disco, eles seguiram por um caminho em que grande parte foi construída na pura improvisação e com muita técnica. O repertório contém cinco faixas completamente exuberantes. Enfim, é um discaço e certamente um clássico. 

Melhores Faixas: Blue Train, Moment's Notice, I'm Old Fashioned 
Vale a Pena Ouvir: Lazy Bird, Locomotion

Traneing In – John Coltrane With The Red Garland Trio





















NOTA: 8,4/10


Aí não foi nem questão de um mês e já foi lançado mais um disco dele, o Traneing In. Após o Blue Train, que foi lançado sob o selo da Blue Note, John Coltrane estava integrado ao grupo de Miles Davis, mas também desenvolvendo trabalhos paralelos como líder e co-líder. A sessão contou com a parceria do Red Garland Trio, que já tocava com Coltrane na banda do Davis, trazendo basicamente um ambiente familiar e de alta sintonia. A produção, novamente conduzida por Bob Weinstock, seguiu aquele caminho de gravação rápida e direta, característico de seu estilo, mostrando Coltrane e os demais com ótimo entrosamento e liberdade para explorar as composições de maneira mais pessoal e íntima. E mesmo seguindo a abordagem do Hard Bop, é possível notar um pouco daquela sofisticação do Cool Jazz que já vinha sendo explorada anteriormente. O repertório novamente contém cinco faixas, só que mais cadenciadas. Enfim, é um trabalho bacana, só que não é muito lembrado. 

Melhores Faixas: You Leave Me Breathless 
Vale a Pena Ouvir: Slow Dance, Soft Lights And Sweet Music, Traneing In, Bass Blues

Soultrane – John Coltrane With Red Garland





















NOTA: 8/10


Indo para 1977, Eric Clapton lançava mais um trabalho sensacional, intitulado Slowhand. Após o No Reason to Cry, Clapton sentia a necessidade de retomar o equilíbrio entre acessibilidade comercial e sua identidade musical. Percebendo que estava artisticamente maduro, em um momento de sobriedade relativa (embora ainda com uso ocasional de álcool) e com o forte apoio de sua banda, ele decidiu retornar a uma estética mais centrada no Rock e no Blues. A produção foi conduzida por Glyn Johns, que optou por uma abordagem naturalista: poucas camadas, foco nos instrumentos reais e grande ênfase no groove sutil e no espaço sonoro. Clapton só queria alguém com autoridade que pudesse canalizar a energia da banda sem deixá-la se perder em improvisações infindáveis ou excesso de overdubs. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem envolventes, cadenciadas e tendem para um lado mais profundo. No final, é um belíssimo disco e uma completa obra-prima. 

Melhores Faixas: Wonderful Tonight, Cocaine (não tem apologia; a letra é inteiramente uma crítica), Lay Down Sally 
Vale a Pena Ouvir: Peaches And Diesel, The Core, We're All The Way

Giant Steps – John Coltrane





















NOTA: 10/10


Então se passaram dois anos para que ele lançasse seu 5º álbum de estúdio, o Giant Steps. Após o Soultrane, John Coltrane passou por uma transformação musical profunda, ampliando seu domínio técnico e harmônico, especialmente a partir do que se conhece como o "período sheets of sound", sua técnica característica de linhas rápidas e densas. Durante essa fase, Coltrane estudou profundamente teoria musical, escalas, modos e progressões harmônicas complexas, em especial uma progressão que ficou conhecida como o “ciclo de Coltrane”. A produção, feita por Nesuhi Ertegun e lançada sob o selo da Atlantic, foi realizada em diferentes sessões com formações levemente diferentes, já que ele estava testando com diferentes músicos que reagiam às suas novas e desafiadoras composições, que exploravam acordes fora do convencional do Jazz. Com isso, o repertório é magnífico e as canções são todas belíssimas. Em suma, é um baita álbum e certamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Giant Steps, Spiral, Naima 
Vale a Pena Ouvir: Cousin Mary, Syeeda's Song Flute
  

É isso, então flw!!!     

Analisando Discografias - KL Jay: Parte 2

                 

Rotação 33 Fita Mixada Mixtape – KL Jay





















NOTA: 7,3/10


Sete anos depois, foi lançado Rotação 33 - Fita Mixada Mixtape, que, como o nome já indica, foi lançado como uma mix. Após o Na Batida Volume 3, esse trabalho retoma a essência das antigas fitas cassete de rua, reunindo “dinossauros” do Rap nacional e jovens talentos, só que agora de forma mais enxuta, com material que em grande parte já havia sido utilizado. A produção foi feita basicamente com KL utilizando vinil, mixer e toca-discos, aplicando scratching, back-to-back, transições e sobreposições vocais (como na integração de frases dos Racionais). Tudo foi executado sem edições, garantindo uma performance “ao vivo” e mantendo uma estética do Boom Bap e Turntablism. Claro que há momentos bastante improvisados, o que deixa tudo um tanto desequilibrado e inconsistente. O repertório é bom, com faixas que ficaram bem interessantes e outras que parecem mais uma encheção de linguiça. No fim, é um trabalho legal, mas que apresenta seus problemas. 

Melhores Faixas: Uh Barato é Louco (509-E), Vida Vadia (Costa a Costa), Tribal Parte 1 (Kamau), Firme e Forte, ½ Índio ½ Preto, Bem Pior (Xis) 
Piores Faixas: Caminho Certo (Din Din Don), Noite Brutal / Um Novo Dia, Essa é Prus Amigo, Amigos (Acapela)

Na Batida Vol. 2 - No Quarto Sozinho – KL Jay





















NOTA: 8/10


Dez anos depois, foi lançado o 2º e último álbum do KL Jay até então, o Na Batida Vol. 2 - No Quarto Sozinho. Após o Rotação 33 - Fita Mixada Mixtape, ele decidiu continuar com sua trilogia, fazendo basicamente o que havia feito nos últimos trabalhos. Uma das centenas de mixtapes e cerca de 15 mil discos do seu acervo deram amplitude para o projeto seguir. A produção, conduzida por ele mesmo, o mostrou desenvolvendo mixagens e masterizações em blocos (voz, arranjo, sample etc.), buscando mixagens mono e estéreo perfeitas, até alinhar som por som. Só que, em vez de deixar tudo mais enxuto, ele apenas alinhou tudo, combinando o beat que ia do Boom Bap, Turntablism, G-Funk e Trap com as rimas de cada rapper. O repertório novamente ficou muito bom, e aqui as canções têm um lado mais envolvente e profundo. No final de tudo, é um trabalho muito legal e que se mostra mais coeso. 

Melhores Faixas: Munição (Sandrão do RZO), Ambição (Renan Samam, Rincon Sapiência e Edi Rock) 
Vale a Pena Ouvir: Tudo Por Você Também Parte 2 (Hanifah e Xis), Veja Bem [Olhos] (Flow MC), Na Atividade (Kamau), É Uma Guerra, Bem Vindo


quarta-feira, 2 de julho de 2025

Analisando Discografias - KL Jay: Parte 1

                     

Na Batida Volume 3 – KL Jay





















NOTA: 8/10


Em 2001, KL Jay lançava seu 1º álbum solo, um disco duplo cheio de colaborações, Na Batida Volume 3. Antes do lançamento do Nada Como um Dia Após o Outro Dia, ele decidiu apresentar uma coletânea de faixas que havia produzido e mixado ao longo dos anos, reunindo diversos artistas da cena do Rap nacional. Criando algo mais abstrato, que provavelmente ficaria de fora de qualquer material dos Racionais. A produção, obviamente feita por ele mesmo, mostrou sua experiência e habilidade para criar um álbum coeso e representativo da cena do Rap da época. Ela é caracterizada por beats pesados, scratches habilidosos e uma mistura de elementos clássicos do Boom Bap com Turntablism, deixando tudo bem conectado com a participação de cada rapper. O repertório das duas partes é muito bom, cheio de canções reflexivas e outras mais melódicas, todas com muita mensagem. Enfim, é um trabalho muito bom, mas que se tornou totalmente esquecido. 

Melhores Faixas: Tudo Por Você Também (Xis amassando), Piripac (RZO inteiro aqui; incluindo Sabotage), Ao Vivo (Kamau e JL) 
Vale a Pena Ouvir: Ouvindo Um Som (contando com grupo que o Kamau fazia parte: Consequência), Só + 1 Maluco (MV Bill bem demais), Se Liga Na Rima, Convocação Geral (Rappin’ Hood), Se Liga Na Rima

                                                         Então é isso e flw!!!    

Analisando Discografias - Edi Rock

                  

Contra Nós Ninguém Será – Edi Rock





















NOTA: 8,8/10


Em 2013, Edi Rock lançou meio que seu verdadeiro 1º trabalho solo, o Contra Nós Ninguém Será. Enquanto Mano Brown seguiu com o projeto Boogie Naipe, Edi trilhou um caminho próprio, começando a idealizar esse álbum no final dos anos 2000, mas que só foi lançado em junho, após quase 6 anos de produção. O título, uma referência direta à união das quebradas e à resistência coletiva, vem da frase recorrente nos shows dos Racionais: “Contra nós ninguém será, é nóis por nóis!”. A produção foi bem diversificada, contando com o próprio Brown, além dos DJs Cia, Cuca e Pato, com uma sonoridade que alterna entre bases clássicas de rap e instrumentais orgânicos, com guitarras, baixos, metais e até arranjos mais melódicos. A proposta é clara: criar uma obra com forte carga lírica, mas também musicalmente variada, com Boom Bap, Afrobeat, Dancehall e Samba. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem coesas. Enfim, é um ótimo disco, e que tem sua consistência. 

Melhores Faixas: That’s My Way (baita feat do Seu Jorge), Estrela De David, Liberdade Não Tem Preço (foda demais a feat com Dexter), Salve De Pedra, Abrem-Se Os Caminhos (Marcelo Falcão combinou com esse som mais Dancehall), Cava Cava (Emicida e Dom Pixote bem demais) 
Vale a Pena Ouvir: Homem Invisível (Mano Brown, Lino Krizz e Helião indo muito bem), Eu Canto Uq Soul (Rael indo bem demais e a Flora Matos sendo carregada), Não Deixa A Minima, Aro 20

Origens – Edi Rock





















NOTA: 7/10


Seis anos depois, Edi Rock lançava seu 2º album solo intitulado Origens (que se tornaria uma trilogia). Após o Contra Nós Ninguém Será, que flertava com outras linguagens, esse album aprofunda essa mistura de gêneros sendo mais autoral, introspectivo e musicalmente ambicioso. O título faz referência direta às origens negras, periféricas, familiares e culturais do artista. É uma obra pensada para relembrar o passado com orgulho, mas também para conectar com as novas gerações. Produção foi novamente muito diversificada contando quase com os mesmos nomes além da aparição do KL Jay, é um disco que se apoia em bases do Rap contemporâneo, porém abraçando influências do Reggae, R&B, Samba, Funk e até Trap. Mas deixando um som polido, limpo, que apesar de algumas inconsistências até que funciona. O repertório é até interessante, tendo boas canções muito por conta das feats, mas tem outras que destroem. Em suma, é um album bom que tem seus erros. 

Melhores Faixas: Corre Neguin (boa feat do Xande de Pilares), Seja Forte, Vi Brilhar (ótima feat do Rael), De Onde Eu Venho (única coisa que incomoda é a voz do MC Pedrinho), Special XIX 
Piores Faixas: Fechamento (Haikaiss não entregou nada), Babylon, Uq Cê Vai Fazer (Lauana Prado mostrando sua falta de talento desde essa época)

Origens Parte 2 - Ontem, Hoje e Amanhã – Edi Rock





















NOTA: 7,2/10


No ano seguinte, foi lançado mais um álbum dele, o Origens Parte 2 – Ontem, Hoje e Amanhã. Após a 1ª parte, ele quis dividir o álbum em três momentos, “Ontem, Hoje e Amanhã”, refletindo sobre sua trajetória e o futuro da população preta e periférica. O disco foi criado entre 2019 e 2020, enquanto o Brasil e o mundo passavam por convulsões políticas, pela pandemia e pela amplificação das pautas raciais por movimentos como o Black Lives Matter. A produção foi aquela mesma de sempre, indo desde o rap clássico, com scratches e samples, até faixas mais experimentais com berimbaus, instrumentos tribais, Afrobeats, R&B, Pagode, Trap e Funk carioca, muitas vezes sendo coerente, mas em outras soando aleatória e desequilibrada. Ainda assim, o que salva, certamente, são as rimas do Edi Rock. O repertório é até interessante, com canções pesadas e outras mais melódicas que até comprometem a imersão. Enfim, é outro trabalho bom, mas com suas inconsistências. 

Melhores Faixas: Vidas Negras, Dá Um Grito, Dinheiro (ótima feat do MV Bill), Paranoia, De Angola 
Piores Faixas: Só Deus, Vai Chover Som de Iemanjá, Um Novo Amanhã (Thiaguinho e toda sua desafinação)


Review: Boogie Naipe do Mano Brown

                     

Boogie Naipe – Mano Brown





















NOTA: 9,8/10


Em 2016, Mano Brown lançava seu único álbum de estúdio até então, o controverso Boogie Naipe. Após o lançamento do Cores & Valores, Brown passou a manifestar interesse por outros estilos musicais, especialmente pela Black music romântica dos anos 70 e 80, como Tim Maia, Cassiano, Marvin Gaye e AL Green. Fez um disco que marca uma ruptura estética em relação à linguagem tradicional do Rap e abraça sonoridades como Soul, Funk, R&B, Boogie e elementos modernos da música urbana. A produção foi bastante diversificada, mas a maior parte ficou a cargo do próprio Brown e do Lino Krizz, que deixaram tudo sofisticado e detalhista, com arranjos de metais, teclados vintage, baixo groovado, guitarras com wah-wah e vocais suaves, remetendo ao clima das pistas de dança e bailes black das periferias nos anos 80. O repertório é maravilhoso, e as canções são todas belíssimas. Enfim, é um baita disco, que foi criminosamente menosprezado, mas que envelheceu bem. 

Melhores Faixas: Dance, Dance, Dance (Seu Jorge roubando música pra ele), Foi Num Baile Black, La Onda (Lino Krizz sendo sensacional aqui), Louis Lane (William Magalhães indo bem e Seu Jorge amassando de novo), Flor do Gueto, Gangsta Boogie, De Frente Pro Mar 
Vale a Pena Ouvir: Amor Distante [Rap Mix], Adicto, Mal de Amor, Nova Jerusalém

Review: Trust No One do Dave Navarro

                     

Trust No One – Dave Navarro





















NOTA: 2,6/10


Voltando para 2001, Dave Navarro lançava seu único álbum solo, o Trust No One. Com o fim do Jane’s Addiction e sua passagem meteórica pelo Red Hot, Dave enfrentou um período turbulento em sua vida pessoal, especialmente marcado pelo assassinato de sua mãe, ocorrido em 1983, e por outros traumas familiares que ele nunca conseguiu processar totalmente até então. Foi nesse contexto emocional que surgiu esse trabalho, que seguiu por um lado mais pessoal. A produção foi conduzida por ele, mas realizada em sua maioria por Rich Costey e Andrew Slater, resultando em uma sonoridade propositalmente claustrofóbica, obscura e pesada, com foco em texturas eletrônicas, guitarras densas e atmosferas carregadas, numa junção de Post-Grunge com elementos industriais, mas tudo sem o menor equilíbrio, deixando ritmos esquisitos. O repertório é fraquíssimo, e as canções são bem chatas, fazendo o Nickelback soar como o Slayer. Enfim, é um trabalho muito ruim e esquecível. 

Melhores Faixas: Everything, Rexall 
Piores Faixas: Avoiding The Angel, Slow Motion Sickness, Very Little Daylight, Not For Nothing

Analisando Discografias - Jane's Addiction: Parte 2

                      

The Great Escape Artist – Jane’s Addiction





















NOTA: 5,9/10


Então, oito anos se passaram, e eles lançaram o quarto e possivelmente último álbum da banda, o The Great Escape Artist. Após o Strays, o Jane’s Addiction passou por mais um período de instabilidade, já que, após a turnê de divulgação daquele disco, a banda voltou a se separar. Em 2008, eles retornaram com a formação original, mas Eric Avery saiu rapidamente. Em seu lugar entrou Duff McKagan (ex-Guns N’ Roses), que também não ficou muito tempo. Depois, escolheram David Sitek e, posteriormente, Chris Chaney. A produção, conduzida por Rich Costey e lançada sob o selo da Capitol Records, construiu um som mais etéreo e contemporâneo, misturando os elementos clássicos da banda com texturas eletrônicas, camadas de sintetizadores e uma ambiência mais sombria, mas deixando tudo muito sem emoção e sem preenchimento. O repertório é bem mediano, com algumas boas canções e outras descartáveis. Enfim, é um disco fraco e totalmente apagado. 

Melhores Faixas: Twisted Tales, Curiosity Kills, I'll Hit You Back 
Piores Faixas: Irresistible Force (Met The Immovable Object), Broken People, Words Right Out Of My Mouth

 

terça-feira, 1 de julho de 2025

Analisando Discografias - Jane's Addiction: Parte 1

                 

Nothing's Shocking – Jane’s Addiction





















NOTA: 9,6/10


Em 1988, foi lançado o álbum de estreia do Jane’s Addiction, o Nothing's Shocking. Formado em Los Angeles em 1985 por Perry Farrell (vocais), Dave Navarro (guitarra), Eric Avery (baixo) e Stephen Perkins (bateria), o grupo rapidamente se tornou referência nos clubes underground de L.A., graças às suas apresentações intensas e teatrais, unindo Rock alternativo, Funk Rock, Metal e elementos psicodélicos. Ao assinarem com a Warner Bros., exigiram manter controle criativo e conseguiram. A produção foi feita por Dave Jerden e Perry Farrell, resultando em uma sonoridade orgânica e densa, que alterna entre explosões de caos e momentos atmosféricos. Os integrantes se destacam: Eric Avery com linhas de baixo proeminentes, Dave Navarro com riffs pesados e solos psicodélicos, Stephen Perkins com uma bateria tribal, e Perry Farrell com vocais performáticos. O repertório é incrível, e as canções são bem dinâmicas. Em suma, é um baita disco, recheado de ousadia. 

Melhores Faixas: Jane Says, Pigs In Zen, Ocean Size, Mountain Song, Summertime Rolls
Vale a Pena Ouvir: Standing In The Shower...Thinking, Had A Dad, Idiots Rule

Ritual De Lo Habitual – Jane’s Addiction





















NOTA: 10/10


Se passaram dois anos, e o Jane’s Addiction lançava seu 2º álbum, o Ritual de lo Habitual. Após o Nothing's Shocking, a banda se tornou uma das mais influentes da cena alternativa dos Estados Unidos. Só que, internamente, o uso intenso de drogas, os conflitos pessoais e o temperamento artístico de Perry Farrell criavam uma tensão constante. Mesmo assim, eles conseguiram canalizar toda essa energia e desordem para este trabalho, que foi ainda mais ousado, ambicioso e polarizador. A produção, novamente conduzida por Dave Jerden e Perry Farrell, trouxe ainda mais liberdade criativa e até espaço para o experimentalismo. Dave Navarro entrega guitarras criativamente saturadas e psicodélicas, o baixo do Eric Avery continuou conectado, e a bateria de Stephen Perkins é tribal e instintiva, enquanto Farrell transita entre falsete teatral e até spoken word. O repertório é incrível, com canções divertidas e outras mais cadenciadas. Em suma, é um baita disco e um clássico. 

Melhores Faixas: Stop!, Been Caught Stealing, Three Days, Classic Girl 
Vale a Pena Ouvir: Obvious, Ain't No Right, Off Course

Strays – Jane’s Addiction





















NOTA: 8,8/10


Depois de um hiato que durou muito, foi só em 2003 que eles retornaram, lançando mais um disco, o Strays. Após o maravilhoso Ritual de lo Habitual, a banda se desfez logo após a primeira Lollapalooza, em 1991, idealizada por Perry Farrell como uma celebração do espírito alternativo. O impacto da banda, porém, se espalhou durante os anos 90, e cada um seguiu outros projetos. Quando retornaram, houve apenas uma mudança de baixista, com Chris Chaney (ex-Alanis Morissette) no lugar do Eric Avery. A produção, conduzida por Bob Ezrin e Brian Virtue, trouxe ao disco um som mais polido, limpo e grandioso, com pouco espaço para improvisos ou psicodelia. Guitarras distorcidas, refrões pegajosos e uma bateria robusta sustentam a maior parte das faixas, seguindo as influências do Hard Rock e do Metal alternativo. O repertório é muito bom, e as canções são mais melódicas e densas. Enfim, é um trabalho legal, porém bastante subestimado pelos fãs. 

Melhores Faixas: Just Because, The Riches, Wrong Girl, Strays 
Vale a Pena Ouvir: True Nature, Suffer Some, Superhero


       Então é isso, flw!!!   

Analisando Discografias - John Frusciante: Parte 2

                 

Inside Of Emptiness – John Frusciante





















NOTA: 8,7/10


Poucos meses depois, foi lançado mais um disco do John Frusciante, o Inside of Emptiness. Após o The Will to Death, ele continuou com essa fase de lançar álbuns durante um período de seis meses, movida por uma filosofia artística mais intuitiva, crua e visceral, que marcou uma virada em sua carreira solo. Ele passou a rejeitar a superprodução e a estética polida dos grandes estúdios, buscando uma sonoridade mais orgânica, honesta e imperfeita. Aqui, ele decidiu seguir um caminho mais intenso. A produção seguiu aquela estética Lo-fi, com timbres crus, gravações diretas e pouca interferência digital. Além disso, contou novamente com o apoio do baterista Josh Klinghoffer, que, além da bateria, também colaborou com backing vocals e teclados, deixando uma sonoridade que lembra momentos do Indie Rock com uma pegada meio Noise. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem melódicas e suaves. No geral, é um disco bacana, que foi por um caminho mais emocional. 

Melhores Faixas: Look On, In Interior Two, A Firm Kick, Scratches 
Vale a Pena Ouvir: The World's Edge, Emptiness

A Sphere In The Heart Of Silence – John Frusciante & Josh Klinghoffer





















NOTA: 5,6/10


Então, lá pro final daquele trabalhoso ano de 2004, foi lançado o álbum colaborativo com Josh Klinghoffer, A Sphere in the Heart of Silence. Após o Inside of Emptiness, John, junto com seu parceiro, decidiu criar um álbum cuja base não é o Rock alternativo tradicional, mas sim uma fusão entre eletrônica abstrata, sintetizadores analógicos, voz processada e uma abordagem quase ambiental. A produção foi feita com máquinas analógicas, sintetizadores, samplers, bateria eletrônica e vocais altamente processados. Diferente dos outros álbuns da série, que eram mais centrados na guitarra e na performance orgânica, este é dominado por texturas digitais. Só que o grande problema é tudo ser densamente texturizado, com muito ruído, fazendo aquele formato glitcheado, mas deixando tudo sem forma e sem muita imersão. O repertório é irregular, tendo canções legais e outras bem vazias. Em suma, é um disco mediano que dava para ser melhor trabalhado. 

Melhores Faixas: Communique, Surrogate People 
Piores Faixas: Sphere, At Your Enemies

Curtains – John Frusciante





















NOTA: 8,2/10


Então, no ano seguinte, foi lançado o último álbum dessa saga, o emocional Curtains. Após o fraco A Sphere in the Heart of Silence, Frusciante optou por fechar esse ciclo com um disco essencialmente acústico, íntimo e despojado. Neste ponto, John já havia abandonado as exigências da indústria fonográfica e da superprodução, focando-se em expressar a alma de forma direta e sem adornos. A produção foi mais centrada na voz e no violão de Frusciante, com arranjos discretos que aparecem como ecos emocionais: um sopro de percussão, um backing vocal distante, uma segunda guitarra melódica. A produção é intencionalmente simples e sincera, com timbres crus, pequenas falhas mantidas e uma ambiência caseira, basicamente fazendo um Rock acústico com influências de Indie Folk, pique Neutral Milk Hotel (para quem conhece). O repertório é ótimo, e as canções são bem simples e relaxantes. No final, é um belíssimo disco, que vale a pena apreciar. 

Melhores Faixas: The Past Recedes, Ascension, Your Warning 
Vale a Pena Ouvir: The Real, Anne, Time Tonight

The Empyrean – John Frusciante





















NOTA: 8/10


Em 2009, foi lançado mais um trabalho dele que poderia ter sido o último, o The Empyrean. Após o Curtains, John Frusciante tirou um tempo para repensar sua direção artística. Durante esse hiato, ele saiu dos holofotes e se aprofundou em estudos espirituais, filosóficos e musicais, estudando harmonia, composição clássica e o uso avançado do estúdio como instrumento criativo. Criou um álbum conceitual sobre morte, renascimento e iluminação espiritual. A produção, feita como sempre por ele mesmo, trouxe uma sonoridade grandiosa, etérea e densa, mesclando Rock progressivo, psicodelia e elementos de música eletrônica, tudo com um senso de drama espiritual, e com ele tocando a maior parte dos instrumentos, assim como seu amigo Josh Klinghoffer. O repertório é bem legal, e as canções são todas melódicas, com camadas densas e profundas. No geral, é um ótimo disco e é uma pena que ele tenha lançado outros trabalhos que são simplesmente infames. 

Melhores Faixas: Central, Unreachable, Heaven 
Piores Faixas: God, One More Of Me, Before The Beginning


Review: Cursum Perficio do Anthrax

                   Cursum Perficio – Anthrax NOTA: 8,7/10 Dez anos depois, o Anthrax enfim retornou com um álbum novo, o Cursum Perficio. Ap...